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Rafael Lupo Medina, o brasileiro na Cartier Paris

No quesito criação, Paris é a capital mundial da alta joalheria. A Place Vendôme, por sua vez, é a sua grande passarela. É lá, em meio a esse luxuoso burburinho frequentado por abastados clientes árabes, chineses e russos, que um brasileiro encontrou seu lugar ao sol. Trata-se do gemólogo paulista Rafael Lupo Medina, que atua na Cartier Paris há mais de dez anos. Bisneto do italiano Henrique Lupo, fundador da famosa fabricante de meias e roupas íntimas, ao invés de seguir o percurso natural da vida e atuar no negócio da família, Medina preferiu dar atenção aos seus instintos e mergulhou no universo das joias, que buscou estudar desde cedo.

“As joias sempre me emocionaram. Lembro-me que, aos 15 anos, vim para São Paulo fazer um curso no Instituto Brasileiro de Gemas e Metais”, recorda o menino que então morava em Araraquara (SP). Anos mais tarde, ele se qualificou em Florença e Londres até chegar ao Gemological Institute of America (GIA), em Nova York.

Da teoria passou para a prática, ao trabalhar em um diamantário – negociante de pedras – em Paris. Foi nesse ambiente que Medina se aproximou das grandes joalherias, a exemplo da Bvlgari, Cartier, Van Cleef & Arpels, Boucheron e Tiffany & Co. Dois anos depois, foi trabalhar na Bvlgari do Plaza Athénée e, mais tarde, na unidade da Place Vendôme. “Foi a realização de um grande sonho, pois todas as grandes joalherias ficam nesse endereço. Lá é simplesmente o centro do mundo da alta joalheria”, define.

Foram ao todo oito anos na Bvlgari, a grife das joias exuberantes, até Medina ser convidado para atuar na Cartier Paris, a marca que tem como ícone a pantera. E assim se passaram 25 anos vivendo na capital francesa. Hoje, aos 50 anos, Medina acredita que seu interesse pelas joias veio do bisavô, que, antes de fundar a Lupo, tinha uma pequena joalheria/relojoaria em Araraquara. “Ele morreu em agosto e eu nasci em dezembro. Pode ser que seja um caso de reencarnação. Digo que se houver alguma explicação para a minha paixão pela joalheria, só pode ser essa”, brinca.

Além de fazer palestras em nome da Cartier, Medina também dá consultoria e atende clientes em busca de uma joia. Seus maiores clientes em Paris, no entanto, não são brasileiros, mas chineses. “A Cartier tem mais de 30 lojas na China. É lá que está o dinheiro”, comenta. E na butique de Paris, grupos de chineses aparecem como um tsunami. “Eles chegam à loja em grupos de seis a oito pessoas e pedem, de cara, o diamante cor letra D, que está entre os mais raros e caros.”

Os chineses gostam de demonstrar status e a joia é um meio de se conseguir isso. “Para o homem, as joias se resumem basicamente ao relógio e à abotoadura. Mas o homem demonstra seu poder a partir da mulher que está ao seu lado e das joias que ela usa”, explica. Enquanto as russas preferem usar uma ou duas pedras grandes e nada mais, os compradores do Oriente Médio, por sua cultura, buscam peças que ostentem mais. E os franceses? “Por conta da crise e também por não serem turistas, ficam meses namorando uma peça até comprar. Eles falam: ‘Je vais réfléchir’ (eu vou refletir).”

Quem mais compra são os estrangeiros (não necessariamente brasileiros) e, dentre eles, muitos bilionários e milionários. Crise na alta joalheria não há. Pelo menos não na percepção de Medina. Pelo contrário, ele diz que no caso de pedras raras e peças com desenhos exclusivos, as joias têm sido encaradas como investimentos com alto potencial de valorização, a exemplo de pinturas e imóveis.

O risco é não cair nas mãos do mercado de falsificação de joias, a exemplo do uso de pedras sintéticas. De tão perfeitas que são, chegam a enganar até especialistas. “Aconselho que a compra seja feita sempre em um lugar de confiança e que forneça um certificado. E não nas ruas, como ocorre no Ceilão e na Birmânia, e nem em locais suspeitos como o quinto andar de um prédio escondido de Bangcoc.”

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