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Vendas de jatos executivos de grande porte avançam entre emergentes

Estudo da consultoria Ledbury Research, encomendado pela Airbus, aposta que, em 2017, a China terá exatamente o mesmo número de bilionários que os EUA, com fortunas no Oriente Médio, na Rússia e na China chegando muito perto desse montante. Em 2012, os Estados Unidos tinham por volta de 900 bilionários, enquanto a China não chegava a contabilizar 500. O Brasil, por sua vez, tinha 190 na lista em 2012 e deve, pela previsão, chegar a 240 em 2017. 

De acordo com a FORBES Brasil, o país tem hoje 150 bilionários. A diferença entre os números dos dois levantamentos é fácil de ser explicada: nós só adicionamos novos membros à lista desde que suas fortunas possam ser comprovadas, enquanto a Ledbury Research faz levantamentos sigilosos por encomenda de seus clientes.  

Seja qual for o país de origem, bilionários têm características muito parecidas: são confiantes, inteligentes e cheios de habilidades nas tomadas de decisões. Eles geralmente gostam de ter à mão serviços customizados, a exemplo de seus jatos executivos e o próprio time de bordo. “Quando os bilionários viajam, eles gostam de manter a habilidade de fazer o que quiserem, como se estivessem em casa.” afirma David Velupillai, diretor da da Airbus Corporte Jets. Nas alturas, mostra o estudo, indivíduos com cifras acima de US$ 1 bilhão têm basicamente quatro necessidades como
viajantes: flexibilidade, privacidade, familiaridade e experiências sob medida.

“Estar no jato particular é uma forma de evitar explicar, em toda viagem, o que gosta de fazer e de comer. É estar no controle e os bilionários gostam de estar no controle. É mais fácil um bilionário te chamar para ir na casa dele que o contrário. Ele decide o que servir, na hora que servirá e todo o restante do ritual”, observa Velupillai.

E é de olho nesse público que a Airbus começou a desenvolver jatos executivos em meados dos anos 80. Hoje, a fabricante conta com uma família completa desses jatos, cujo modelo inicial é o ACJ318 e custa US$ 72 milhões. O mais caro é o ACJ380, fixado em US$ 390 milhões, vendido a um cliente dos Emirados Árabes. As aeronaves são produzidas em Toulouse (na França), em Hamburgo (na Alemanha), na China e, em breve, no Alabama (Estados Unidos). 

Em toda sua história de jatos executivos, a companhia já vendeu 170 aeronaves dessa categoria – um terço para companhias, um terço para indivíduos (pessoa física) e um terço para governos. Deste montante, apenas um jato foi destinado ao Brasil. O comprador? O governo federal. O modelo ACJ319, de US$ 87 milhões, é usado pela presidente Dilma Rousseff.

Embora ele seja utilizado para o transporte de 19 passageiros, sua capacidade é de até 50 pessoas. “Cada cliente configura da forma que deseja. Muitos escolhem um layout com área vip e escritórios”, conta Velupillai. Sua percepção é a de que, enquanto as companhias aéreas comerciais miram a economia de combustível, o bilionário não prioriza essa questão. Seu interesse maior é o alcance do jato e o tamanho da cabine. 

Mas e a crise? “Os bilionários podem continuar comprando jatos na crise, mesmo se perderem metade de suas fortunas”, diz Velupillai. A Airbus tem como meta comercializar dez jatos executivos no mundo em 2014. Os Estados Unidos, explica, são historicamente o maior comprador desse tipo de aeronave. No entanto, Velupillai lembra que eles preferem  jatos pequenos. Para as aeronaves de grande porte, os maiores compradores são Europa, Oriente Médio e China. Seguidos pelo Brasil. 

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