Negócios

A Versace rumo ao IPO

“É como comprar uma Ferrari pelo preço de um Smart”, afirma Gian Giacomo Ferraris, CEO da Versace, ao definir a parceria entre a grife italiana e a fast-fashion Riachuelo, um negócio que movimentou a moda brasileira no começo do mês com o lançamento da coleção Versace for Riachuelo e a consequente vinda de Donatella Versace e de toda alta cúpula da companhia ao país. O interesse dos italianos justifica-se pela posição dos brasileiros no ranking dos dez maiores compradores da marca no mundo.

“Nosso CRM (sistema de gestão de relacionamento com o cliente) mostrou que os brasileiros compram muito da Versace e acredito que isso se deve a uma identificação com a alegria, a cor e a sensualidade expressadas pela marca”, analisa o CEO. Essa demanda crescente tem levado a Versace a tomar as rédeas dos negócios no país. Apenas uma das nove lojas do grupo (Versace, Versace Collection e Versus Versace) que estarão em operação no país até dezembro é administrada por parceiros – a família Boghosian, que trouxe a marca para a Rua Bela Cintra, nos Jardins, há 18 anos. Mas como é vender em um país com a economia cambaleante e a tributação tão alta para itens importados? Não é um obstáculo? É, mas não chega a ser um fator impeditivo, acredita Ferraris. “Não vamos deixar o Brasil por conta dos impostos. Se você me perguntar se geramos aqui a mesma rentabilidade que na China e Europa, a resposta é não, mas aqui pensamos no médio e longo prazo.”

A parceria com a Riachuelo sinaliza a existência de um  desejo de fortalecer a marca entre o público jovem que não tinha acesso a ela e, pelo visto, preparar o terreno para entrar com mais força com a bandeira Versus Versace, para o consumidor da geração de 18 a 25 anos, cuja primeira loja será inaugurada em dezembro em Fortaleza (CE). Se um dia a grife produzir no Brasil, a marca que tem mais chance de ser feita localmente é a Versus.

Ferraris, vale lembrar, tem conseguido acertar na estratégia e gerar números consistentes desde que assumiu o comando do negócio sediado em Milão em 2009. “Naquele ano, o faturamento da Versace era de 260 milhões de euros, chega a 480 milhões de euros em 2013. Neste ano, vamos ultrapassar os 500 milhões de euros. Dobramos o tamanho da empresa e garantimos a ela um valuation de 1 bilhão de euros”, comemora.

Ele está satisfeito, mas não totalmente. Ferraris ainda tem metas importantes para cumprir e conta com a ajuda de sua diretora artística, Donatella Versace, para conseguir. “Ela é um dos pilares da companhia. É uma estrela do universo da moda que, dentro da companhia, tem se mostrado muito disciplinada e dedicada”, conta. É essa dupla que promete impulsionar a receita da companhia para 800 milhões de euros em três anos e, mais para frente, chegar ao tão sonhado 1 bilhão de euros.

Fazer IPO está nos planos da Versace. A data não foi definida, mas estima-se que ocorrerá em um prazo de três a cinco anos. Tempo suficiente para usar 150 milhões de euros disponíveis – de um total de 210 milhões de euros investidos na compra de 20% da Versace pelo fundo americano Blackstone, em fevereiro – para fazer a companhia ganhar mais musculatura até sua estreia na bolsa. O dinheiro em caixa tem como destino a abertura de lojas (a Versace deve encerrar 2014 com 160 lojas operadas diretamente por ela no mundo), o aporte em sistemas e design e o desenvolvimento das marcas e de suas criações.

“Agora é o momento de acelerar a companhia”, promete Ferraris, que está ampliando a operação da Versace em vários mercados, incluindo os emergentes e também os maduros. A marca desembarcou na Galleria Vittorio Emanuele II, a meca das compras de luxo de Milão, e abriu lojas em Madri, Barcelona, Düsseldorf e também no Canadá. O ano de 2015 será de expansão.

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