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Ford produz picape com restos de alumínio

A fábrica da Novelis, na minúscula Oswego, no estado de Nova York, é uma espécie de berço para a inovadora camionete F-150 da Ford Motor Co. Cerca de 317 quilos mais leve – e, portanto, mais eficiente no consumo de combustível para se adequar às normas governamentais –, a picape teve os painéis de aço de sua carroceria substituídos por alumínio leve. A picape é a menina dos olhos da Ford, gerando mais de US$ 20 bilhões em receita e 40% de seus lucros anuais.

A Novelis, maior recicladora de alumínio do mundo, mostrou como a montadora podia mudar para um alumínio até mais caro (somando cerca de US$ 750 por picape) usando sucata reciclada em vez de comprar alumínio virgem minerado a partir da bauxita. Juntos, eles criaram uma cadeia inovadora de fornecimento que permite que a Ford recupere uma grande parte dos seus custos de alumínio vendendo a sucata de volta para seus fornecedores e reutilizando-a.

Phil Martens, um ex-executivo da Ford que agora é diretor-presidente da Novelis, diz que o círculo virtuoso é um exemplo inteligente de gerenciamento de riscos. “Dê-nos a sua sucata e ela vai se transformar no seu produto.

O restante da indústria está acompanhando de perto. Novas e rígidas leis de economia de combustível exigem que as montadoras praticamente dobrem sua média em toda a frota. Avaliações de milhagem para a nova F-150 ainda não foram liberadas, mas o setor responsável nos EUA diz que a Ford deve atingir 12,9 quilômetros por litro até 2025, bem acima dos cerca de 8,1 litros de hoje.

A Ford se recusou a falar com a FORBES sobre seu processo de fabricação, mas o sistema de reciclagem em circuito fechado é semelhante a um que a Novelis já utiliza na Europa para a Jaguar e a Land Rover. A principal diferença é a escala. Nos últimos três anos, a empresa investiu US$ 500 milhões em sistemas de reciclagem em todo o mundo, incluindo expansões em Oswego e Berea.

Sua meta é ter 70% de conteúdo reciclado em sua chapa automotiva até 2020, um aumento em relação aos menos de 10% de cinco anos atrás. Sabendo que há um comprador para suas sobras de alumínio, as montadoras têm um incentivo para separar a sucata de metal . “Queremos preservar o valor e continuar a reutilizá-lo”, acrescenta Derek Prichett, vice-presidente de reciclagem global. “Isso justifica o investimento de todos.”

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