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Livros de colorir são 8 dos 10 de não-ficção mais vendidos no Brasil

Anita Efraim

Divulgação

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Não é novidade que os livros de colorir para adultos estão fazendo sucesso no mercado, mas a febre é ainda maior do que parece. De acordo com a publicação especializada em livros Publish News, na última semana, oito dos dez livros de não-ficção mais vendidos são de colorir.

Diversas editoras aderiram ao novo gênero, mas a que está em primeiro lugar foi a pioneira, a Sextante, com Jardim Secreto e, em seguida, Floresta Encantada. A Editora Alaúde é a terceira colocada no ranking. Ibraíma Tavares, editora-executiva da Alaúde, explica que a concorrente levou vantagem porque saiu na frente. “A Sextante foi a primeira, lançou em novembro do ano passado. Nós lançamos em fevereiro, fomos os segundos a fazermos sucesso”, justifica.

Ibraíma conta que conheceu os livros em uma feira em Frankfurt, em 2014. “Na Europa, os livros já eram um grande sucesso. Achei o projeto bacana, com potencial e resolvi apostar”, conta. A editora comprou os direitos dos livros e eles foram publicados no Brasil. Desde que o projeto foi realizado, a Alaúde quintuplicou a entrega às livrarias.

O grupo Editorial Record também aparece na lista com o livro “Mãe, te amo com todas as cores”, da BestSeller. O grupo já vendeu 260 mil exemplares de livros de colorir e pretende expandir o número. Em junho, a Record lançará o primeiro título feito no Brasil, “Ateliê fashion – Estampas para colorir”, da artista Rafaella Machado, que trabalha da editora Galera, parte da Record.

Rafaella é especializada em estamparia pela New York School of Visual Arts e conta que quando os livros foram lançados no Brasil, pensou em unir suas duas paixões: livros e estamparia.  “Tive uma semana para fazer 40 ilustrações”, conta.

Uma das explicações para o sucesso dos livros é o conceito de “mindfullness”, ideal budista que objetiva a aquietação da mente e se concentrar em apenas uma coisa. Ibraíma explica que a Editora Alaúde já tinha uma linha de livros de espiritualidade e que os livros de colorir se enquadraram muito bem nesse contexto. O primeiro título da BestSeller foi “Mindfulness, o livro de colorir”.

Christiane Garcia, de 43 anos, comprou o livro quando a moda estourou.  “Vi um monte de gente falando no Facebook e fiquei curiosa”, conta. Christiane acredita que a ideia de colorir para focar apenas uma atividade funciona: “pego a noite para fazer e ligo a televisão, mas acabo nem olhando para ela”. A vendedora é também estudante de pedagogia e nem sempre tem tempo para colorir, mas quando consegue fica mais de uma hora com o livro. “É um pouco um momento de fuga, porque você para de pensar nos seus problemas”, explica Christiane.

Como toda febre, é incerto que as publicações continuarão fazendo tanto sucesso quanto agora. Ibraíma acha que o número de vendas diminuirá, mas os livros podem ocupar um espaço no mercado daqui para frente. “É uma loucura, por isso eu acho que passa. Essa paixão toda acaba, mas se for um amor pode durar a vida inteira”, argumenta.

Para Rafaella Machado os livros de colorir devem ficar, porque criaram um novo mercado: “pessoas que não consumiam literatura e agora compram livros”. A artista explica que as publicações fazem parte de uma tendência chamada “livros interativos”.

Christiane acha que continuará pintando, porque relembrou o quanto gosta da atividade. “Quem sabe eu até compro outro quando acabar o meu.”

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