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“Não é comercial, não vai gerar lucro”, explica Jorge Bispo sobre ensaio de Bruna Linzmeyer

Malu Galindo

Malu Galindo

O novo projeto do fotógrafo carioca Jorge Bispo nem havia sido lançado, mas já fazia barulho. O motivo: a revista #1 traz um ensaio artístico protagonizado pela atriz global Bruna Linzmeyer, nua.

Ao todo, foram feitos apenas 160 exemplares, vendidos por R$ 300. Cinquenta revistas já tinham dono mesmo antes do lançamento oficial ontem (18), no Rio de Janeiro. Outro evento acontecerá nesta sexta-feira (19) em São Paulo.

Em entrevista a FORBES Brasil, Bispo conta que o projeto não tem fins comerciais, o objetivo é criar algo que ele goste, do jeito dele. Além disso, o fotógrafo revelou que pretende fazer quatro exemplares por ano, uma a cada trimestre.

Veja a entrevista completa com o carioca a seguir:

FORBES Brasil: Qual o propósito do novo projeto?

Jorge Bispo: Poder fotografar o tema a minha maneira. Eu tenho uma carreira já consolidada, atuo muito no mercado editorial também . Já fiz muita capa de Playboy, Trip, VIP e de uns tempos pra cá eu tenho cada vez mais vontade de fazer as coisas do meu jeito. Porque por mais que eu já tenha liberdade quando eu faço revista, é do gosto do cliente. Agora eu estou fazendo algo meu, do meu jeito, sem ninguém por trás. O propósito é esse: poder criar, poder criar de verdade.

FB: Qual o motivo da tiragem ser mínima e o preço alto?

JB: Justamente por isso: eu não estou fazendo uma revista comercial para concorrer com revista de banca, é diferente. É mais perto do mercado de gravura, de foto mesmo. Achei que era uma boa ideia fazer um produto que tem uma cara de revista, porque é o que tem no mercado, mas ao mesmo tempo não tem porque o papel é muito diferente, a impressão é diferente, é costurado com linha. Tem um lado artesanal que uma revista normal não tem. Não vai atingir um mercado de revista, é algo mais exclusivo, pra pessoas que gostem da Bruna ou conheçam meu trabalho. Não é uma revista comercial.

FB: Por que a Bruna foi escolhida para ser a primeira modelo da revista?

JB: Eu já tinha uma empatia por ela. Ela é uma mulher muito bonita e ela sempre me passou uma imagem de que, apesar de ser uma pessoa ligada à Rede Globo, um lado mais comercial da atuação, ser muito instigada por projetos diferentes e não comerciais, como cinema, teatro. É uma pessoa que não está acomodada nessa posição de celebridade e comercio da imagem. Ela tem os requisitos, tem a beleza, mas é uma atriz, uma menina que se deixa levar pela arte, o que é cada vez mais raro.

FB: A Bruna Linzmeyer posou sem cachê. Como isso aconteceu?

JB: Bom, aí você precisa perguntar para ela. Eu fiz um convite e ela aceitou. Para mim é tão natural isso que eu tenho até dificuldade de pensar no porquê da pergunta, porque eu chamo as pessoas para fotografar e elas topam ou não. É tão fora… Não chegou a ela uma proposta para sair na Playboy, não é algo comercial, não é algo que vai gerar lucro, dinheiro a alguém, não vai vender anúncio, não tem empresa por trás, não vai estar em uma banca. É algo mais conceitual. Por que alguém topa fazer um filme por um cachê baixíssimo? Por que eu topo fotografar uma revista que vende muito, mas meu cachê editorial é superbaixo? Por que eu faço um projeto meu sem ganhar nem um tostão e lanço um livro? A gente é motivado pelo que a gente gosta, nossa motivação não é meramente financeira. Ela está fazendo porque ela quer fazer, porque ela gosta do projeto, porque ela gosta da ideia. É prazer, não tem nada a ver com comércio.

FB: Por que o namorado da atriz, Michel Melamed, foi o escolhido para fazer os textos da publicação?

JB: Um único texto foi escrito pelo Michel e ele foi escolhido por ela. Eu perguntei quem ela gostaria que escrevesse e ela falou que gostaria que fosse o Michel.

FB: A pessoa que participa do ensaio tem uma opinião, interfere na publicação?

JB: Total. Não só em quem escreve, mas até a concepção do ensaio. Fiz reunião com ela, discuti. Até a ideia final dessa edição partiu mais dela do que de mim, eu tinha outra ideia a princípio e a gente foi conversando, debatendo, levantando ideias, mostrando referencias visuais. Tanto que ela assina a cocriação estética.

FB: Você acha que o fato de as fotos não terem nenhum tipo de alteração, como uso do Photoshop, atrai o público?

JB: Não, não necessariamente. Acho que tem a ver um pouco com a minha estética, com o que ela queria fazer. Eu não sou contra o Photoshop. É que, por acaso, meu livro foi muito falado por não ter uso do Photoshop e também virou um programa de TV… Mas não é que eu seja contra o Photoshop. Eu faço publicidade e ai tem Photoshop pesado. Eu faço editorial e sempre tem um pouco de Photoshop. Eu acho feio esteticamente quando fica muito carregado. As pessoas acham que o Photoshop que inventou a manipulação de fotos, mas não. Ele é só uma ferramenta para a foto digital hoje.

FB: Como o projeto influencia na sua carreira?

JB: Para mim é realizar mais um produto meu, porque é o que eu gosto de fazer. Fotografo não fica pensando “vou entrar nessa profissão porque vou ganhar dinheiro”, isso é coisa para advogado. Fotografo gosta de fotografia. Dinheiro a gente precisa, mas não é o que move normalmente um fotógrafo. Eu vim de uma família totalmente ligada a arte, pai diretor de teatro, mãe atriz, eu fiz teatro na minha adolescência e infância inteira, então pra mim era natural que eu fosse trabalhar com alguma coisa que me desse prazer.

FB: Qual o futuro do projeto?

JB: A minha ideia é fazer quatro por ano, uma a cada três meses, então eu já tenho fechada a número dois, vou fotografar em julho e já tem apalavrada a número três também.

FB: Serão só mulheres ou homens também?

JB: Exite possibilidade sim, eu fotografo muito homem, porque faço muito trabalho para a revista TPM. Faço muitos ensaios masculinos. Comercialmente, inclusive, eu tenho fotografado mais homens do que mulheres. Já tem alguns anos que parei de fazer Playboy, ainda tem um pouco de VIP e de Trip, mas a TPM é um cliente constante, quase mensal, então fotografo muitos homens.

Reprodução

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