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Como quatro irmãs conseguiram pagar uma dívida de US$ 182 mil em dois anos

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Quatro irmãs na casa dos 20 anos, de Plainview, no Texas, perceberam que tinha uma característica muito marcante em comum: nenhuma delas sabe lidar bem com as contas. Elas viram que estavam se afundando em dívidas e decidiram se unir para superar os problemas financeiros como uma família.

“Nós havíamos acumulado, juntas, US$ 182.000 em financiamentos estudantis, cartões de crédito e empréstimos para a compra de carros”, conta Rufina Barrientos, uma cientista de clínica laboratorial. “Nossa renda anual era de US$ 106.000, então parecia plausível que a gente conseguisse pagar tudo em três anos. Como sou a mais nova, pensei que estava fazendo um ótimo negócio, já que havia me formado há apenas dois anos e a maioria dos estudantes leva dez anos para pagar seus financiamentos.”

O que inicialmente parecia uma daquelas ideias que surgem no meio da noite com a ajuda de algumas bebidas para, de manhã, serem esquecidas, tornou-se um plano sólido. Era 2010: Rufina e suas irmãs Dee, Ana e Amy estavam prontas para começar. “Nós brigamos no passado, mas crescemos e passamos a respeitar umas as outras como mulheres no mundo real”, conta Rufina. “Nós não apenas decidimos morar juntas, como nos ajudar mutuamente a pagar nossas dívidas e empréstimos, independentemente do quanto cada uma devia sozinha.”

As irmãs passaram a se encontrar todos os domingos não só para debater as compras do supermercado como para conversar sobre a situação financeira individual e coletiva. “Essas sessões eram como terapia, porque apenas outras três pessoas no mundo entendiam pelo que eu estava passando e foi bom ter companhia durante essa crise”, conta Rufina.

Como elas economizaram dinheiro

O primeiro passo foi morarem todas juntas. Elas alugaram um duplex de três quartos por US$ 1.000 mensais, o que permitiu que elas economizassem US$ 400 todo mês.

Elas criaram uma conta conjunta onde eram depositados os quatro salários. O dinheiro era usado para cobrir contas fixas da casa, compras de supermercado, gastos médicos e com a manutenção dos carros. Tudo que sobrava era usado para o pagamento das dívidas. As primeiras a serem quitadas eram as menores, ou seja, as dos cartões de crédito. Por último, elas pagariam as mais altas: os temidos financiamentos estudantis.

Uma regra das meninas era que cada uma só receberia US$ 75 para gastar a cada duas semanas e todas as despesas eram documentadas. “Nós tiramos vantagem da tendência que uma de nossas irmãs tinha de TOC (transtorno obsessivo compulsivo) e ela se dispôs a fazer planilhas para tudo: dívidas, salários, contas e compras”, conta Rufina.

Com a restrição quinzenal de verba, as irmãs pararam de comprar tudo que fosse desnecessário e se tornaram mestres em achar barganhas. Na hora de fazer compras, elas pesquisavam o preço de todos os produtos nos supermercados e usavam o serviço do Wal-Mart de cobrir a oferta da concorrência. O site de descontos Groupon foi útil para achar ingressos de cinema e livros mais baratos, por exemplo. Elas também se tornaram frequentadoras assíduas de brechós. As refeições feitas em restaurantes eram limitadas: sem entradas e acompanhadas apenas de água.

Uma lição importante foi aprender a negociar. Amy, por exemplo, conseguiu anular as taxas de seus empréstimos em troca de um débito automático das parcelas durante nove meses. Ela também aceitou a condição de liberdade em troca do não pagamento de suas multas de trânsito.

Como elas ganharam dinheiro extra

Rufina conseguiu um segundo emprego em um hospital, em uma cidade próxima, aos finais de semana. Ana trabalhava como garçonete à noite e Dee, empregada em uma empresa de seguros farmacêuticos, passou a fazer hora extra.

Com o que aprenderam negociando, todas foram promovidas no período em que moraram juntas. “Estávamos mais dispostas a dizer para nossos superiores o que queríamos e o que achávamos que merecíamos”, afirma Rufina. “Quando consegui meu segundo emprego, negociei meu salário e ganhava US$ 400 a mais por mês por causa disso.”

Em janeiro de 2012, as meninas aumentaram sua renda conjunta em 50% e levavam para casa mais de US$ 15.000 todo mês.

Os resultados vieram rápido

No primeiro mês, as irmãs quitaram todas as dívidas de cartão de crédito. Em seis meses, pagaram seus carros. Depois de 18 meses, liquidaram todos os financiamentos estudantis.

“Nós convidamos todos os nossos amigos para celebrar com a gente em uma balada e dançamos a noite toda”, relembra Rufina. “Em junho, levamos nossos pais para Cancún, para curtir férias sem dívidas.”

Assim que ficaram livres, elas sentiram que poderiam tomar decisões mais importantes. Rufina se mudou para Los Angeles, Dee aceitou um emprego no Havaí, Amy foi morar em Austin e Ana se casou.

Um tempo depois, as quatro mulheres repetiram a experiência com o objetivo de ajudar familiares. Compraram um caminhão de US$ 12.000 para o pai e deram US$ 18.000 para a avó, para que ela renovasse a casa. Também presentearam o irmão com US$ 5.000 para que ele pudesse pagar as próprias dívidas.

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