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Heloisa Simão, da Laboratório Zodiac, mostra como ser uma CEO de sucesso em um setor dominado por homens

Heloisa Simão (Letícia Moreira)

Heloisa Simão (Letícia Moreira)

A indústria farmacêutica é historicamente um ambiente comandado por homens. São pouquíssimas as mulheres em cargos de alta direção, especialmente no Brasil. Se a regra aponta para CEOs do sexo masculino, a paulistana Heloisa Simão, de 55 anos, é uma das exceções. Não só por ser do gênero oposto, mas também por ter conseguido conciliar uma trajetória profissional bem-sucedida com um casamento de 30 anos e filhas gêmeas, hoje com 21 anos. Apaixonada pelo setor em que atua desde que concluiu a faculdade de economia na USP (Universidade de São Paulo), Heloisa é presidente da Zodiac, laboratório latino-americano que produz medicamentos nas áreas de oncologia, ortopedia, reumatologia, endocrinologia, urologia e ginecologia. Hoje, ela vende 30 produtos no Brasil.

Em 2104, a farmacêutica gerou receita de R$ 300 mi­lhões no país, onde tem área de P&D (Pesquisa & Desenvolvimento), fábrica em Pindamonhangaba (SP) e mais de 500 funcionários. Na 36ª posição dentre todas as players do setor, a Zodiac tem crescido dois dígitos por ano e, em 2015, não será diferente. “O setor farmacêutico deve crescer entre 7% e 8% este ano. Nós iremos além, com 20%”, garante a executiva, que comanda a quarta maior operação do grupo em faturamento.

Há três anos na presidência da Zodiac, Heloisa tem um longo histórico no setor. Sua trajetória teve início na farmacêutica americana Bristol-Myers Squibb (BMS), como estagiária na área financeira. Posteriormente, ela passou pelos departamentos de marketing e comercial. Ao todo, foram 25 anos no laboratório, o que a permitiu conduzir importantes projetos como o lançamento da segunda droga para HIV do país. “Você contribui para o desenvolvimento da medicina, dando às pessoas acesso à saúde e à qualidade de vida”, conta a executiva, que, após mais de duas décadas na BMS, foi convidada a migrar da gigante americana para uma start-up europeia no Brasil.

Foi assim que ela aceitou o convite para presidir a Leo Pharma, companhia dinamarquesa que atua na área de dermatologia. “Foi um desafio profissional e pessoal, com a vontade de fazer algo acontecer”, recorda. Ela seguia bem na empresa que ajudou a se fixar no país até receber um novo convite. Dessa vez para comandar a Zodiac no Brasil. Em processo de globalização e crescimento no país por meio da diversificação de portfólio, aquisição (de medicamentos) e aumento do quadro de colaboradores, o projeto entusiasmou Heloisa, que aceitou o desafio e, desde então, imprimiu seu conhecimento do setor e dinamismo nos resultados da companhia.

Só neste ano, ela lançou cinco produtos — dois deles frutos de aquisição — caso do Luciara, antes da Bayer, para prevenir estrias durante a gravidez. Em 2015, ela também ampliou a força de vendas em 10%, totalizando uma equipe de 350 pessoas. Heloisa raramente trabalha menos de dez horas por dia. Isso, no entanto, não a impede de estar sempre próxima da família. “Dá para conciliar tudo, desde que você faça com paixão. Sempre dá para arranjar um tempo livre e se programar. Todo janeiro, por exemplo, vamos todos esquiar no Colorado”, diz ela, que também encontra uma brecha para cuidar do jardim de casa e de sua linda coleção de orquídeas.

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