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Roubo de carga: é possível prevenir?

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No mês de abril, na capital de São Paulo, foram registrados 463 roubos de carga, contra 387 no ano passado, um aumento de 19,6% de acordo com dados mais atuais da Secretaria da Segurança Pública. O Brasil é o líder nesse quesito e os produtos mais visados são eletrônicos (57%), alimentos (12%), têxteis (8%), eletrodomésticos (5%) e materiais de construção (3%). A maioria das ocorrências é registrada no período diurno, durante o processo de entregas. Para Darcio Centoducato, diretor de gestão de riscos logísticos da Pamcary, os roubos de carga não só causam ruptura no abastecimento como também afetam diretamente a relação com os clientes.

“Mesmo que seja feita uma reposição da mercadoria, prazos serão descumpridos e as perdas do cliente extrapolam ao valor do embarque. Sabemos que não basta contratar um seguro para se garantir uma indenização; há o preço pela imagem da empresa quando ocorre um sinistro”, afirma. Desde a década de 1980, a Pamcary utiliza o Telerisco, um banco de dados de profissionais, proprietários e veículos, alimentado com 500.000 viagens mensais, que valida se o profissional ao volante possui perfil adequado e o treina para seguir um plano de viagem que diminua sua exposição aos perigos da estrada.

“Como na época não havia os rastreadores com GPS, fazíamos o monitoramento da viagem em pontos de parada seguros, formando comboios e os escoltando até seu destino nas áreas de maior risco. Em caso de sinistros, imediatamente realizávamos o atendimento e averiguação, visando recuperar cargas roubadas e produzir informações sobre seu destino”, conta o diretor. Com funcionários espalhados em 37 filiais posicionadas próximas dos locais de roubos e acidentes, a Pamcary não apenas apura os prejuízos, mas também levanta as causas dos eventos, alimentando sua base de dados em tempo real.

Outra grande empresa do ramo é a RSA Seguros, que vem implementando algumas novidades para evitar acidentes do tipo. “Uma nova tecnologia que estamos usando é a telemetria, que controla a velocidade, reduções bruscas e demais atitudes do condutor. O mapeamento de rotas e a inserção de aparelhos eletrônicos de tamanho bastante reduzido para o rastreamento de cargas também ajudam na prevenção”, explica Adailton Dias, diretor-geral da unidade de negócios de transportes da RSA. Para o diretor, o maior desafio do mercado é a conscientização de uma cultura de segurança em todas as partes envolvidas no processo de transporte. “Apesar de mais de 30 anos de existência, o gerenciamento de risco ainda é interpretado como despesa por algumas empresas. Na verdade, ele é um investimento e uma etapa essencial no seguro de transportes”, finaliza.

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