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E-commerce brasileiro dedicado aos cuidados masculinos deve faturar R$ 25 mi em 2015

Letícia Moreira

Letícia Moreira

Quando uma mulher vê a outra usando um batom muito bonito ou admira uma coloração utilizada no cabelo, ela não se intimida em perguntar a marca, a tonalidade e o preço. Já o homem, nem mesmo diante do melhor amigo, questiona. Ele geralmente vai para a internet fazer uma pesquisa. Pelo menos, é isso que garantem Lucas Amoroso Lima e Pedro Prellwit, colegas dos tempos de graduação na FGV e fundadores do Men’s Market, o primeiro comércio eletrônico brasileiro dedicado aos cuidados pessoais masculinos.

No ar desde outubro de 2012, o site tem por volta de 3.000 produtos à venda de cerca de 100 marcas. Os best-sellers são os itens voltados para os cabelos: cera, pomada, gel, modelador, xampu (de antiqueda a grisalhos) e condicionador de marcas importadas como Keune, Paul Mitchell, L’anza e John Frieda.

Mas a loja virtual não se resume a isso. Em suas vitrines, há também produtos para barbear, perfume, desodorante, hidratante, creme redutor para a região da barriga, acessórios (como carteiras, pulseiras, gorros e cachecóis), roupas e tênis. Até hoje, o e-commerce já recebeu R$ 14 milhões em aportes de investidores-anjos e fundos internacionais. Em fase de expansão, a empresa deve encerrar o ano com faturamento de R$ 25 milhões, três vezes mais que os R$ 8 milhões atingidos em 2014.

Seu tíquete médio gira em torno de R$ 160 e o público tem por volta de 30 anos. Os usuários, claro, têm idades variadas. Há desde meninos de 13 anos que usam o cartão de crédito da mãe para comprar pulseiras até o cliente mais velho, seu Joaquim, de 95 anos, que, ao invés de fazer o pedido pela internet, prefere telefonar todo mês do Acre para São Paulo só para encomendar uma lâmina de Gillette Mach 3. Ele faz isso religiosamente há um ano e meio.

Esses compradores fazem parte do universo de 600 mil visitantes únicos que geram 1,5 milhão de acessos ao Men’s Mar­ket por mês, um número ainda baixo se comparado ao tráfego registrado mensalmente pelo Netshoes e pela Dafiti, que recebem pelo menos seis vezes mais acesso. “Estamos em fase de expansão. Nosso objetivo é de longo prazo e, por isso, nosso foco agora não é lucro, mas crescimento. Nos próximos três anos, devemos partir para mais duas ou três rodadas de investimento e receber novos sócios. Queremos atender todos os homens brasileiros (ou metade da população, o equivalente a 100 milhões de pessoas)”, promete Lima.

O crescimento do negócio está diretamente conectado ao aumento do interesse dos homens com a aparência. “Na Europa e, em especial, na França, o mercado de cosméticos para o público masculino é enorme. Na Coreia do Sul, os homens usam maquiagem (caso de base e pó transparente) há pelo menos dez anos. Aqui no Brasil, ainda há muito por fazer”, observa Prellwit.

Para aumentar sua base de usuários, o Men’s Market está investindo na ampliação do portfólio de produtos. “Estamos capitalizados e mantendo o pé no acelerador para crescer”, diz Lima. O interior do Brasil, conta, cresce mais que as capitais.

A expansão do negócio digital só esbarra em dois mitos: a percepção de que o Men’s Market é um ambiente de compras voltado para os mais abastados ou exclusivamente ao público gay. Esses dois perfis fazem parte dos compradores do site, mas os fundadores lembram que o intuito é ser inclusivo e não restritivo. Daí a oferta de frete grátis para todo o país a partir de compras de R$ 99, do parcelamento em seis vezes sem juros e do atendimento telefônico. “No final do dia, acabamos fazendo o papel da amiga que dá conselhos sobre qual produto comprar e usar”, garante Lima, cujo site oferece serviço de consultoria.

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