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Maximilian Büsser, da MB&F, mostra que permanecer pequeno pode ser muito lucrativo

Max Busser (Divulgação)

Max Busser (Divulgação)

Em 1998, a respeitável joalheria Harry Winston contratou um gerente de produtos da Jaeger-LeCoultre, na época com 31 anos, para chefiar a divisão de relógios da empresa, que passava por dificul­dades. Em sete anos, Maxi­milian Büsser aumentou o faturamento de US$ 8 milhões para US$ 80 mi-lhões e ganhou o res­peito do setor ao fazer parcerias com os melhores relojoeiros independentes da Suíça para produzir a série de relógios ultrarrebuscados Opus. Como recompensa ao jovem CEO, a Winston ofereceu a Büsser um generoso novo contrato. A reação dele, porém, foi cair fora.

O problema da oferta foi uma cláusula de não concorrência, que entrava em conflito com o sonho de Büsser de lançar sua própria marca. Com 900 mil francos suíços (cerca de US$ 700 mil) na conta bancária, ele ainda não tinha dinheiro suficiente para a empreitada.

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Mas o novo contrato o obrigou a tomar uma decisão – e Büsser saiu da empresa. Em 25 de julho de 2005, ele constituiu a MB&F — Maximilian Büsser & Friends —, apostando suas economias na produção de seu primeiro relógio.

Desde o início, Büsser tinha metas criativas e financeiras explícitas, as quais ele atingiu a tempo do décimo aniversário de sua empresa. Do ponto de vista criativo, a ideia era “desconstruir a relojoaria tradicional e reconstruí-la na forma de uma arte cinética que, por acaso, diz o horário”. Do ponto de vista financeiro, ele pôs em prática o plano de fabricar 300 relógios de pulso por ano — peças em estilo steampunk que muitas vezes aludem às fantasias de ficção científica de sua infância —, gerando um faturamento de US$ 16,8 milhões com uma equipe de 15 pessoas.

A quantidade de funcionários, que ele recentemente limitou a 20, tem sido o fator mais importante para Büsser, o número que definiu suas metas de faturamento e produção. Em 2014, a MB&F vendeu 279 relógios, faturando US$ 16 milhões. A empresa, que, segundo ele, atingiu o equilíbrio financeiro no terceiro ano e reinveste os lucros, tem margens brutas próximas de 35%.

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“Com uma equipe assim pequena, você não precisa de gerência de nível médio”, ele observa. “Acho que a gerência de nível médio é um dos maiores inimigos da criatividade porque a função dela é tirar o risco da equação.”

Em vez de gerentes de nível médio, Büsser tem “amigos”, e esses amigos são responsáveis por absorver os relógios que ele concebe, concretizando seus sonhos de relojoaria. Dois amigos que ele conheceu na Harry Winston — o relojoeiro Laurent Besse e o designer Eric Giroud — toparam ajudá-lo a produzir seu primeiro “Horological Machine”, o HM1, sem receber pagamento adiantado. (Ele e Giroud investiram 300 horas apenas no design.)

Suas amizades com varejistas também se mostraram fundamentais. Cinco deles se comprometeram a comprar os 25 pri­meiros relógios com base somente em um modelo de plástico pintado à mão, sendo que cada varejista adiantou 35% do preço de revenda de US$ 150 mil. (Isso tudo apesar de eles acharem que esse relógio radical — que parecia o cruzamento de uma coruja com um par de binóculos — era “invendável”.) O adiantamento deu impulso a Büsser e, no terceiro ano, a MB&F faturava US$ 2 milhões.

Para seu décimo aniversário, a empresa criou o HM6 Space Pirate, relógio biomórfico que ostenta quatro mostradores com cúpula e um turbilhão voador no centro. Büsser diz que o relógio de US$ 230 mil é o mais extravagante de sua carreira, mas comportado em comparação com os conceitos que ele planeja até 2022. “Nossos clientes esperam ser surpreendidos”, diz ele. “Nosso maior risco agora é não chocar.”

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