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Morre o bilionário norte-americano Richard Rainwater, aos 71 anos

Richard Rainwater

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O bilionário norte-americano Richard Rainwater faleceu no último domingo (7), na cidade de Fort Worth, no Texas, Estados Unidos. Integrante do “Forbes 400”, ranking das pessoas mais ricas dos EUA, há muitos anos e, atualmente, com uma fortuna estimada em US$ 3 bilhões, ele havia sido diagnosticado com paralisia supranuclear progressiva (PSP), raro distúrbio neurológico. Rainwater tinha 71 anos.

Em meados de agosto, Todd, filho do bilionário, declarou que seu pai continuava a ir ao escritório algumas vezes por semana e seguia acompanhando o mercado financeiro. No entanto, a comunicação se tornou cada vez mais difícil. Segundo ele, a maior parte dela consistia “em sinais de positivo e negativo”.

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Em busca da cura para sua enfermidade, a fundação que leva seu nome, a Rainwater Charitable Foundation, gastou mais de US$ 50 milhões para reunir os melhores pesquisadores em um grupo chamado Tau Consortium (Tau é o nome da proteína que, acredita-se, seja a causadora da paralisia supranuclear progressiva e do Alzheimer). Os médicos que compõem a equipe darão continuidade às pesquisas.

Todd Rainwater informou que o objetivo dos pesquisadores é desenvolver um coquetel de remédios que possa ajudar nos tratamentos de PSP e Alzheimer a partir da redução da presença da proteína tau no cérebro. Para formar o Tau Consortium, Rainwater e sua família usaram a mesma fórmula que foi usada em muitos outros de seus negócios multibilionários: encontrar as melhores pessoas e fornecer dinheiro suficiente para que elas façam o que sabem fazer de melhor. Como Rainwater disse à revista Texas Monthly em 1996: “Minha genialidade, se é que eu tenho uma, é escolher bons negócios e, depois, escolher boas pessoas para dirigir esses negócios”. Se a sorte de Rainwater continuar, há uma grande chance de, mesmo depois de sua morte, esse grande investimento resultar em um gol de placa para ajudar a curar esses distúrbios.

Nascido em Forth Worth, Richard Rainwater cresceu em uma família de classe média: seu pai era um atacadista e sua mãe trabalhava na loja de departamento J.C. Penny. Na adolescência, Rainwater se apaixonou por corrida de arrancada e ganhou 26 provas consecutivas com um Buick modificado para melhorar a performance. Rainwater estudou matemática na Universidade do Texas e fez um MBA em Stanford.

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O texano iniciou sua carreira trabalhando para o conterrâneo bilionário Sid Bass, que, com seus três irmãos, herdou uma fortuna do petróleo de seu tio Sid Richardson. Bass estudou em Stanford e, em 1969, começou a investir em outras áreas. Rainwater tinha 25 anos e trabalhava como corretor de ações na corretora Goldman Sachs, em Dallas, quando Bass o contratou. De acordo com “The Big Rich”, livro de Bryan Burrough (ainda sem versão em português), Bass e Rainwater formavam um time incompatível. “Sid, atraente e erudito, vestia ternos Saville Row; Rainwater, alto, moreno e rude, usava camisas velhas e colecionava bonés de baseball com frases engraçadas. Sid estava desconfortavelmente consciente das responsabilidades e da inexperiência dos dois. Eles não sabiam como fazer um acordo. Eles não sabiam como negociar.”

De acordo com um perfil na Texas Monthly, eles perderam dinheiro em todos os acordos que fizeram. Mas aprendiam rápido e sabiam o que queriam: investir em empresas com administração sólida, por um longo período de tempo. Eles estudaram Warren Buffett, investidor e filantropo norte-americano, e memorizaram Benjamin Graham, economista. Entraram nas áreas de private equity e capital de risco, tiveram alguns altos e baixos mas, em meados da década de 1980, já haviam construído uma incrível trajetória.

A estratégia vencedora parece simples: comprar barato, vender caro e inserir lucros no portfólio. De acordo com The Big Rich, eles tiveram US$ 160 milhões de lucro comprando ações da Marathon Oil, empresa de energia, em 1981. Ganharam US$ 50 milhões ao adquirir ações da Amfac, empresa do Havaí, e revendê-las aos executivos da companhia. Em 1984, detinham 10% da petrolífera Texaco e, depois, tiveram um lucro de US$ 400 milhões ao vender suas ações de volta para a empresa. Ainda naquele ano, compraram a Arvida, companhia imobiliária da Flórida, que foi vendida um ano depois para Walt Disney por 7% das ações da Disney, o que valia cerca de US$ 200 milhões na época.

A dupla achava que a Disney estava tão desvalorizada que eles injetaram os US$ 400 milhões da Texaco em mais ações e, depois, continuaram construindo. No início da década de 1990, detinham cerca de 25% da Disney, algo avaliado em US$ 2,8 bilhões. Segundo a The Big Rich, ao longo dos 16 anos que trabalharam juntos, Bass e Rainwater aumentaram a fortuna da família Bass de US$ 50 milhões para cerca US$ 5 bilhões.

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Em 1986, Rainwater começou a trabalhar sozinho, levou seus US$ 75 milhões em ações dos ganhos de Bass e abriu os escritórios da Rainwater, Inc. alguns andares abaixo dos escritórios do ex-sócio. Ele criou seu próprio time de jovens investidores e negociadores, que comparavam o dia-a-dia na Rainwater, Inc. a um jogo de basquete interminável.

De acordo com uma matéria de 2001 na Revista Fortune, “ele começava cada dia com uma mesa perfeitamente organizada, nada além de um bloco amarelo, uma caneta e um par de telefones com viva-voz. Perseguindo uma ideia – provavelmente algo que surgiu enquanto lia o jornal – ele começava a fazer ligações para pessoas como o CEO da General Motors ou para David Geffen, enquanto outros entravam e saíam de seu escritório. Frequentemente, tinha três ou quatro conversas ao mesmo tempo, cada uma tratando de um assunto diferente.”

Em 1986, mergulhou em um acordo por meio do qual adquiriu a empresa Penrod Drilling, à beira da falência, dos irmãos Hunt e a transformou no que se tornou a gigante Ensco (valor de mercado de US$ 3,4 bilhões). Então, começou a transformar hospitais em crise em o que é hoje a HCA Holdings, a maior cadeia de hospitais do mundo (valor de mercado de US$ 33 bilhões).

Em um lendário acordo em 1996, ele destituiu T. Boone Pickens de sua empresa Mesa Petroleum. Pickens havia adquirido a Mesa com dívidas, certo de que o preço do gás natural iria crescer. Quando não cresceu, a Mesa parecia fadada à falência. Rainwater resgatou a empresa ao injetar US$ 133 milhões em troca de quatro cargos na diretoria e da saída de Pickens. Um ano depois, Rainwater comandou a fusão da Mesa com a Parker & Parsley Petroleum para criar a Pioneer Natural Resources (valor de mercado de US$ 18 bilhões). Ele era excelente em julgar jovens talentos do investimento. As apostas de Rainwater incluem Kenneth Hersh, CEO da NPG Energy Capital Management; Edward Lampert, investidor bilionário; John Goff, CEO da Crescent Real Estate Holdings; e David Bonderman, bilionário e fundador da TPG Founder. Outro protegido, Daniel H. Stern, agora administra grande parte da fortuna de Rainwater em seu fundo de cobertura Reservoir.

Em 1991, Rainwater se casou com sua segunda esposa, a banqueira Darla Moore. Ele deixa três filhos do primeiro casamento, Todd, Courtney e Matthew, e um irmão, Walter Rainwater Jr.

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