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Akon quer trazer projeto de energia sustentável, bem-sucedido na África, ao Brasil

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Há mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo sem acesso à energia elétrica. Este número foi divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao lançar 2015 como o Ano Internacional da Luz. Onde muitos veem a necessidade de criação de projetos sociais, outros enxergam possibilidades de empreendedorismo. O rapper Akon viu os dois.

Em 2013, o músico senegalês juntou-se ao amigo de infância Thione Niang para fundar o projeto Akon Lighting Africa (AFA), uma parceria público-privada (PPP) que tem como objetivo levar luz elétrica a lugares carentes do continente por meio de energia solar. Agora, eles querem trazer a iniciativa para a América Latina, a começar pelo Brasil. “Os países são diferentes, mas os problemas são os mesmos”, argumenta Niang.

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Chamado Akon Lighting Latin America (ALLA), o projeto tem três pilares: acesso à energia elétrica por meio de instalações de postes públicos com tecnologia solar ou de microgeradores e kits domésticos; pré-financiamento de iniciativas voltadas ao tema; e capacitação de profissionais para a criação de empregos locais.

Em visita a São Paulo, onde se reuniu na tarde desta segunda-feira (7) com o prefeito Fernando Haddad e o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, Akon explica que o principal desafio para o projeto é o financiamento. Embora tenha um forte cunho social, “é uma empresa que visa o lucro, não a caridade”. Por isso, as parcerias são tão cruciais. “Era um sonho meu há anos, mas não tinha recursos”, explica o rapper. “Thiane me apresentou alguns contatos.” Um dos interessados foi a multinacional de energia Solektra, de Samba Bathily, que acabou tornando-se uma das principais parceiras do AFA.

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Para convencer autoridades e investidores locais a acreditarem na iniciativa, eles usam pequenas cidades como piloto. “Assim que o presidente, ou seja lá quem esteja no comando, escolhe um local, nós vamos até lá e criamos acesso à energia para toda a vila com o nosso dinheiro”, explica Akon. “Desta forma, eles podem ver como funciona, ver a qualidade [do serviço], como trabalhamos com as pessoas e como ensinamos os cidadãos a fazer a manutenção dos produtos. Eles podem ter uma ideia geral.” A partir daí, cria-se um projeto concreto para todo o país.

O ALLA chega ao Brasil em uma hora propícia. Recentemente, o governo federal assinou o compromisso de expandir o uso de fontes renováveis em sua matriz energética de 28% para 33% até 2030. Na África, o projeto já opera em 15 países, com previsão para 25 até 2016. São mais de 1 milhão de casas em 480 cidades e vilarejos, além de 100.000 postes públicos e 200.000 kits domésticos.

Implementação de tecnologia de energia solar em um poste de luz em Guiné (Divulgação)

Implementação de tecnologia de energia solar em um poste de luz em Guiné (Divulgação)

De acordo com Hasani Damazio, sócio da iniciativa na América Latina, o grupo deve voltar ao Brasil em março, ocasião em que também visitará a Venezuela, Colômbia, Bolívia e Peru, e, caso as negociações avancem, será só uma questão de logística para dar início aos projetos. “A partir do momento em que fecharmos o acordo, conseguimos implementá-lo em cerca de quatro meses.”

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Recém-chegados de Paris, onde participaram da Conferência do Clima da ONU (COP21), Akon e seus sócios embarcam na manhã desta terça-feira (8) para o Rio de Janeiro para conversar com o governador Luiz Fernando Pezão. Na viagem de quatro dias ao Brasil, eles devem passar ainda por Salvador, onde conversarão com o também governador Rui Costa, e pelo Distrito Federal, para apresentar seus planos ao Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético, Altino Ventura.

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