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Cobasi e Petz disputam o bilionário mercado de bichinhos no Brasil

Sérgio Zimerman,  da Petz: mudança  de nome alinhada à fase de expansão (Divulgação)

Sérgio Zimerman,
da Petz: mudança
de nome alinhada à fase de expansão (Divulgação)

Nos anos 1980, o mercado destinado aos pets era tão inexpressivo no Brasil que a Cobasi, pioneira no conceito de megaloja voltada aos animais de estimação, iniciou a venda de sua primeira ração para cães somente em 1988. De lá para cá, muita coisa mudou, a começar pelo interesse crescente do brasileiro pela compra — e adoção — de um bichinho. Levantamento do IBGE estima que existam 52 milhões de cães e 22 milhões de gatos nos lares brasileiros, mais que os 44,9 milhões de crianças de até 14 anos, o que significa que 44,3% dos domicílios do país possuem pelo menos um cachorro e que o Brasil já é o segundo maior mercado do mundo em valor e volume, atrás apenas dos Estados Unidos.

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Essa maior e melhor convivência entre o homem e seus pets — considerados filhos por muitos donos — resultou numa explosão no número de fornecedores de rações, petiscos, produtos de higienização e acessórios. Com isso, o varejo especializado expandiu e passou a chamar a atenção não só dos empresários locais, mas também de fundos de investimentos e redes internacionais.

Um termômetro da evolução desse mercado é a Cobasi, que em 1992 estreou seu formato de loja gigante e, hoje, tem 34 unidades em operação nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Soma-se aí o lançamento da nova marca e formato chamada Pet&Fácil, com um mix de 10.000 itens à venda (ante os 20.000 da Cobasi). Inaugurada no ano passado, ela opera em formato expresso, para compras mais rápidas, e já tem cinco unidades em operação. “Essa estratégia nos permite atender regiões nas quais não existe espaço físico para instalar megalojas”, diz Daniela Bochi, gerente de marketing da Cobasi.

Daniela Bochi, da Cobasi, aposta na nova marca Pet&Fácil (Divulgação)

Daniela Bochi, da Cobasi, aposta na nova marca Pet&Fácil (Divulgação)

De olho no avanço desse mercado e na existência, no início do ano 2000, de apenas três megalojas da Cobasi na zonas Sul e Oeste de São Paulo, Sergio Zimerman, então distribuidor de alimentos e cosméticos, criou em 2002 o Pet Center Marginal (na Marginal Tietê). “Pensei: se uma grande loja cabe em duas regiões da cidade, por que não caberia nas zonas Norte e Leste? Os primeiros nove meses foram de prejuízo, mas passado esse período a empresa entrou em break-even e, na sequência, passou a gerar lucro.”

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Uma segunda unidade foi aberta em Campinas e, na sequência, outra em Alphaville. Foi assim que, ao final de 2013, o Pet Center Marginal contabilizava 27 unidades em operação. Naquele momento, seu controle (50% mais uma ação) foi vendido para o fundo americano Warner Pincus, o mesmo que comprou a Dudalina.

“O objetivo é chegar a 100 unidades entre 2020 e 2021 e fazer o IPO (oferta inicial pública de ações)”, conta Zimerman, que continua como presidente. Por conta das mudanças, o ano de 2014 foi dedicado exclusivamente à reestruturação de processos e profissionais, deixando a abertura de novas lojas para este ano, que deve ganhar de oito a dez unidades. “Devemos encerrar 2015 com 35 a 37 unidades, com tamanho médio de mil metros quadrados, sendo que a maior tem 3 mil metros quadrados.”

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O cenário desafiante não tem afugentado os donos de animais do varejo especializado, embora em tempos de crise as rações e os medicamentos tenham prioridade em relação aos brinquedos e roupas para os pets. “O segmento pet é resiliente à crise, mas não é imune”, explica Zimerman. Isso significa que a renda disponível do consumidor caiu, mas que pontos como humanização e posse responsável colaboram para manter esse mercado equilibrado.

Mesmo assim, o Petcenter Marginal, este ano rebatizado de Petz (o nome original não faz sentido em outras cidades), fecha o ano com faturamento R$ 400 milhões — foram R$ 350 milhões no ano passado.

Já a Cobasi conta que se preparou para o segundo semestre a partir da redução dos custos da operação e da busca por aumento de produtividade. “Não houve demissão no nosso quadro de colaboradores. No relacionamento com a indústria, buscamos preços promocionais para nos mantermos competitivos diante do cliente”, conta Daniela.

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