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Flávia Bittencourt, o nome por trás da Sephora Brasil

Letícia Moreira

Letícia Moreira

A primeira medida que a carioca Flávia Maria Bittencourt tomou, dois anos atrás, ao assumir o comando da Sephora Brasil foi derrubar as paredes do escritório ocupado pela subsidiária da empresa francesa, conhecida em todo o mundo pela alcunha de “Disney das mulheres”, dada a quantidade e variedade de cosméticos disponíveis para experimentação e venda. Seu objetivo era integrar a equipe, alinhar a estratégia e ampliar os negócios no Brasil, hoje o terceiro maior mercado mundial de beleza, atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

De lá para cá, ela mudou processos, controles e sistemas, trocou diretores e imprimiu mais agilidade e flexibilidade ao negócio. Uma de suas inovações mais significativas foi a introdução de quiosques com a marca francesa, algo inédito na história da companhia. Batizado de Sephora Collection, o espaço de 13 metros quadrados foi inaugurado em abril, no Shopping Center Norte (SP), e vende apenas produtos de marca própria como maquiagens, itens para banho e cuidados faciais. O que era para ser um ponto de venda temporário surpreendeu pelo desempenho e não só funcionará permanentemente como também será expandido. Quem sabe até para aeroportos.

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Meses antes, esta executiva de 45 anos reviu os preços dos produtos da linha própria, reduzindo-os de forma a equipará-los aos concorrentes nacionais. “Um batom importado da Sephora, que tem qualidade fantástica, custa o mesmo que o de um fabricante brasileiro. O resultado foi um aumento de 50% nas vendas dos nossos batons”, conta.

Egressa de setores como o de finanças e de telecomunicações, com passagens pelo Banco Nacional, Unibanco e Oi, Flávia deixa claro que não desembarcou no universo da beleza para perder. “A Sephora não veio ao Brasil para fazer corrida de 100 metros. Viemos aqui para correr uma maratona. Ainda não estamos entre as dez maiores operações da companhia, mas temos metas ambiciosas”, afirma Flávia, que trabalha por volta de 12 horas por dia e nem por isso deixa de dar atenção aos quatro filhos (de 7 a 21 anos).

Apesar da vida atribulada, a simpática e falante loira da foto ao lado não descuida do visual e nem dos planos ambiciosos de transformar a Sephora Brasil em uma das cinco maiores do mundo. Com uma maquiagem discreta — ela não sai de casa sem hidratante facial, base e máscara para os cílios —, Flávia estuda o mercado nacional e o hábito das brasileiras com uma lupa. Graças a isso, conseguiu adotar no país formatos variados de lojas, inspirando-se no que ocorre não só nos Estados Unidos, mas também na Europa.

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O Brasil é o único país do grupo que iniciou sua operação por meio de e-commerce — em 2010, o grupo LVMH, controlador da rede de beleza, adquiriu a Sack’s, loja virtual brasileira de cosméticos, que depois mudou de nome. O passo seguinte foi abrir, em 2012, a primeira unidade física, em uma concorrida estreia no Shopping JK Iguatemi (SP). A marca pretende encerrar 2015 com 17 lojas no país, além de cinco quiosques. O novo formato chega para derrubar a imagem de que a Sephora só vende luxo. “A ideia é mostrar que somos um ambiente democrático, com produtos para qualquer bolso”, acredita. Entende-se a natureza desse comentário. Afinal, pouco tempo atrás, uma pesquisa mostrou que havia muito consumidor temeroso em entrar numa loja da Sephora por achar que seus produtos não cabiam no bolso.

Para Flávia, o sucesso do negócio está baseado na oferta enorme de produtos (7.000 itens de 100 marcas só nas lojas físicas), no time de vendedores que orientam quais cosméticos escolher e como usá-los, no multiformato com unidades de diferentes tamanhos, e também no fator exclusividade. No Brasil, há 20 marcas encontradas apenas dentro da rede, como é o caso da Guerlain, Marc Jacobs e Make Up Forever.

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Flávia garante que a rede vai bem, apesar de o setor de higiene e beleza ter sofrido, depois de 23 anos consecutivos de crescimento, sua primeira queda (de 2,5%) nas vendas de janeiro a abril de 2015. “Para a gente, a crise não bateu. Continuamos crescendo bem, na faixa dos dois dígitos, e olha que comparo o avanço apenas com as lojas já abertas antes, sem contar as novas.”

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