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Como Marcos Amaro deixou os negócios de lado pelo amor à arte

Marcos Amaro (Divulgação)

Marcos Amaro (Divulgação)

Em 2008, quando comprou as Óticas Carol por R$ 40 milhões, Marcos Amaro, com apenas 23 anos, era conhecido como o “herdeiro da TAM”, por ser o filho caçula do saudoso Comandante Rolim, ex-dono da companhia aérea. Quatro anos depois, em 2012, ele já se posicionava como um dos principais players jovens do mercado. Quando vendeu a companhia por US$ 108 milhões, quase o triplo do valor pago, Amaro a havia transformado na maior rede do ramo em operação no país, com o faturamento em R$ 260 milhões e quase 500 lojas.

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Aos 28 anos, no topo do buzz empreendedor no Brasil, Amaro decidiu não investir seu tempo em nenhum novo negócio deste porte, mas em arte. “Sempre gostei de desenhar, desde pequeno. Depois que vendi as Óticas Carol, tive mais tempo de desenvolver esse lado artístico”, conta o paulista. Hoje, 90% do seu cotidiano é reservado a suas obras e só 10% aos negócios. Tudo como o planejado há muito tempo. “Eu me desenvolvi empresarialmente, inclusive, para ter tempo de me dedicar ao trabalho plástico.”

Embora a arte seja seu principal foco atualmente, o empreendedor, hoje com 31 anos, está longe de largar o mundo dos negócios. Estes 10% significam participações em algumas companhias: a V2 Investimentos, empresa de gerenciamento de riquezas e investimentos (“wealth manegement”, se preferir), em que é sócio minoritário; a Logbras, empresa de logística, que tem outros parceiros, como o bilionário Carlos Wizard; e a Humaitá, fundada em março do ano passado, sua própria empresa de logística, que tem como principal negócio alugar galpões industriais de primeira linha. “Diferentemente do varejo, onde você tem de gastar muita energia, empreendimentos como esse, uma vez estruturados, são mais fáceis de monitorar. Negócios imobiliários também são uma aposta grande que eu estou fazendo no futuro do Brasil.”

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A decisão de investir em um negócio mais “conservador” vem da solidez oferecida. “Não é um empreendimento especulativo, a gente faz exatamente ao contrário: fechamos o contrato antes e desenvolvemos um empreendimento para a empresa”, explica. “Isso nos garante produção maior e menor vulnerabilidade em um momento econômico como este que o país atravessa.”

“O mar não está para peixe, né? Juros altos, inflação, moeda depreciada… Há uma série de coisas que precisam ser revisitadas.” Mas ele se diz realista, não pessimista. Bem-humorado, explica que negócios sempre envolvem timing. “Agora, no Brasil, não está muito bom, mas eu começaria a olhar de forma gradativa. Oportunidades vão aparecer.”

Exposição

Quando o assunto é arte, no entanto, o tom é outro. “O mercado brasileiro tem muito potencial, a SP-Arte é uma grande feira.” Atualmente, seu trabalho está em exposição no Octavio Café, na Av. Faria Lima, em São Paulo. A mostra “Santos Dumont visita São Paulo” é composta majoritariamente por desenhos de carvão em papel vegetal ou canvas, além de duas esculturas feitas de partes de aeronaves.

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O objetivo de Amaro, no entanto, é participar cada vez mais de exposições internacionais. Seu novo ateliê em Miami é uma prova disso. “É uma cidade que está crescendo muito em arte e cultura, tem muito potencial”, explica. Depois de já ter participado da Feira de Arte de Zurique, na Suíça, no ano passado, o caminho parece estar traçado. Suas obras já têm um próximo destino: a feira Wynwood Art Fair, na Flórida, dos mesmos donos da reconhecida Art Basel, de 11 a 15 de fevereiro.

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