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Família Sanchez transforma farmacêutica EMS em um case de sucesso

Letícia Moreira

Letícia Moreira

Em 1950, Emiliano Sanchez criou a farmácia Santa Catarina em Santo André (SP) que, 14 anos depois, evoluiu para um pequeno laboratório farmacêutico chamado EMS, conhecido por produzir e vender similares. Em 1999, seu caçula, Carlos Sanchez, um dos empresários mais ligeiros e visionários do setor, mergulhou no universo dos genéricos. Hoje, ninguém no país vende mais esse tipo de medicamento do que a EMS. Nenhuma outra farmacêutica tem uma linha de produtos tão vasta quanto à da família Sanchez — nascido em 2014, o Grupo NC (Nanci, nome de sua irmã, falecida em 2009 em decorrência da H1N1, e Carlos) diz-se um dos 250 maiores conglomerados econômicos do país e detém por volta de dez empresas, dentre elas a EMS.

Maior farmacêutica do Brasil, a EMS faturou R$ 3,4 bilhões em 2014, segundo dados da IMS Health. Sanchez é hoje o 26º homem mais rico do Brasil, com uma fortuna de R$ 6,89 bilhões, de acordo com a lista de FORBES Brasil. Um dos maiores empreendedores do país, Sanchez está trabalhando para diversificar os negócios do grupo hoje controlado por ele e seus sobrinhos Leonardo e Marcus Vinicius Sanchez Secundino.

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Aos 32 anos, o falante e simpático administrador de empresas Leonardo trabalha nos negócios da família desde os 16 anos. Ele começou lavando tubos de ensaio e passou por várias áreas de diversas empresas do grupo. Hoje, ele é, dentre outras funções, membro do conselho de administração do Grupo NC. Apesar de sua evolução nos negócios, o sobrinho de Sanchez sempre planejou colocar em prática um sonho antigo de sua mãe, uma apaixonada por dermocosméticos — daquelas que traziam os melhores e mais revolucionários produtos da Europa a cada viagem feita ao velho continente. Nos anos em que trabalhou ao lado do irmão, Nanci chegou a sugerir a Carlos que a companhia entrasse nesse setor, naquele tempo totalmente dependente das marcas internacionais. Sanchez respondeu que a ideia era boa, mas que o momento não era ideal. As prioridades da época eram outras.

Após a morte de Nanci, em 2009, Leonardo abraçou a ideia e foi até a França visitar o industrial Pierre Fabre, um dos papas no assunto e já falecido. Tentou fechar um acordo em torno de dermocosméticos, mas não deu certo. O assunto ficou adormecido até o momento em que Leonardo, já à frente da área de planejamento estratégico, foi incumbido da tarefa de trazer novos e rentáveis negócios ao Grupo NC.

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“Até 2018, meu tio definiu como meta que 50% da receita deverá vir de outras categorias, que não sejam medicamentos”, afirma o jovem herdeiro.

Ou seja, os novos negócios podem chegar à NC por meio de aquisições ou contratos de concessões. Foram mapeados projetos nas áreas de infraestrutura, como estradas, espaços de grandes eventos do tipo do Anhembi, em São Paulo, e no setor de saúde — como hospitais, planos de saúde, seguradoras e fabricantes de equipamentos médicos. A diversificação é tanta que, hoje, a família tem até participação minoritária, por meio de um fundo, nas lojas de roupas masculinas Aramis. “Temos caixa. Nada nos impede de comprar”, diz Leonardo.

Essa demanda casa com uma vontade antiga do herdeiro. “Sou a terceira geração da família. Meu avô criou o similar; meu tio, o genérico; e eu precisava criar alguma coisa de peso. Foi então que resolvi apostar no dermocosmético”, afirma.

Letícia Moreira

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Diante da oportunidade, Leonardo resgatou a ideia da mãe e estudou o mercado brasileiro crescente e dominado por grupos como a L’Oréal, dona de marcas como Vichy e La Roche-Posay. Com um business plan em mãos, voltou a conversar com o tio. Saiu da sala de Sanchez com R$ 35 milhões — parte deles provenientes da venda da fabricante de produtos de higiene pessoal Topz (que era do grupo) para a Cremer. A intenção era trocar um negócio de baixa rentabilidade por um negócio que sonha tornar-se uma marca global. “Quero criar a maior empresa de dermocosméticos do mundo e ser referência em inovação antienvelhecimento”, afirma. O projeto ganhou um nome: Under Skin, com sede em Campinas (SP) e centro de pesquisa conduzida pelo laboratório milanês Monteresearch, com experiência em pesquisas e patentes, que faz parte do Grupo NC. A produção, por sua vez, é na cidade de Jaguariúna (SP).

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Como CEO da Under Skin, Leonardo começa a distribuir seus produtos para higienização, hidratação, revitalização e proteção (caso do U.SK Desire Sculpt, sérum revitalizante que promete reforçar a pele facial por uma combinação exclusiva de ativos). Ele está à venda em farmácias como a Drogaria Iguatemi, Drogasil, Droga Raia, Venâncio e Derma Doctor (site especializado em dermatologia). Mas assim como o tio, Leonardo é ambicioso. Seu plano é levar a Under Skin para os Estados Unidos, mercado que ele considera o mais exigente e que o obriga, em suas palavras, a “subir a régua”. A expectativa é que o mercado americano represente 70% da receita da Under Skin, que deve estrear no país em março de 2016 pela Flórida e vê na Califórnia um dos estados mais promissores. Lá, a ideia é vender os produtos em consultórios de dermatologistas, enquanto essa prática é proibida no Brasil, o que levou a categoria a se desenvolver no canal farmacêutico.

Desde 2010, com a ajuda dos italianos da Monteresearch, o jovem criou uma metodologia de inovação, investiu em softwares, pesquisa de mercado e conversas com médicos. Foi assim que passou a criar dermocosméticos que, segundo ele, trazem o melhor da ciência para as embalagens de produtos faciais. “A Under Skin não é, apenas, linha de uma farmacêutica, mas uma empresa focada em dermocosmética.”

Com o apoio do tio, que é visto como um pai por Leonardo (ele perdeu a figura paterna com 13 anos e passou a ver em Sanchez um líder), o jovem herdeiro é um viciado em endorfina e em aceleração dos negócios. Enquanto pratica cerca de dez horas de atividade física por semana, entre corrida e muay thai, ele troca ideias com os italianos para desenvolver novas tecnologias e produtos. “O que me move é a inovação. Quero perenizar o grupo. Sonho que ele continue existindo daqui a 100 anos. Se a Hermès chegou à sétima geração, por que não podemos fazer o mesmo? Estou aqui para desmentir a crença brasileira segundo a qual a primeira geração cria, a segunda cresce e a terceira destrói. Quero aumentar os negócios do grupo no Brasil e no exterior.”

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