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O empreendedor que largou tudo para criar duas startups e app de namoro

Reprodução/FORBES

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Como muitos fundadores em estágio inicial, para Ales Zivkovic, empresário esloveno, a vida como empreendedor começou com uma decisão difícil: abandonar uma carreira promissora, tanto na área de finanças quanto de saúde. Ele era Secretário de Estado no Ministério de Finanças de Eslovênia e assessor do conselho de um dos maiores bancos da Eslovênia, mas diz ter começado a sentir tédio. “Eu queria voltar para os negócios – o conforto de uma carreira corporativa (ele também trabalhou para a farmacêutica GSK como analista de finanças e representante de relações com o governo) não levava a minha imaginação a lugar algum.” Após sair da GSK para trabalhar junto ao Ministro da Saúde da Eslovênia para reformar as políticas de saúde e farmacêuticas, “o empreendedorismo pareceu ser o caminho óbvio e razoável.”

Zivkovic queria experimentar como seria viver fora de sua zona de conforto, e ele não se desapontou. As coisas tiveram um ótimo começo: em uma visita a Londres, lidando com toda a papelada para seu novo projeto de startup, ele encontrou um velho amigo de Liubliana que agora trabalhava em Londres.

O projeto? Um inovador canal de TV a cabo, o The Medical Channel, veículo de alta qualidade e baseado em evidências dedicado à pesquisa médica e destinado ao público geral. Como cofundador da Limeclip, operadora por trás do The Medical Channel, Zivkovic tinha a responsabilidade de manter a ética e os padrões regulatórios da empresa mas, também, aumentar a audiência com lançamentos na Europa Central e Oriental.

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Ele não estava pensando em buscar investimentos quando ele fundou seu novo negócio em Londres, mas seu velho amigo sugeriu que ele se encontrasse com um investidor: “então eu fui, divulguei o canal, uma coisa levou a outra e, antes que eu percebesse, havia completado uma rodada de investimentos multimilionária!” Ele ri com a lembrança agora, porque diz que “de todas as carreiras que eu tive, ser um empreendedor e fundador é a coisa mais difícil que eu já fiz, sem dúvidas. Literalmente, todo dia é ‘pegar ou largar’.”

Empreendedores pensam de maneira diferente – de que outra maneira você poderia explicar a decisão de Zivkovic, após ter fundado e administrado a expansão do Medical Channel pela Sérvia, Bósnia, Croácia, Eslovênia, Bulgária, Romênia e Polônia, indicar um novo vice-presidente para a empresa, a ex-chefe de Channels da Discovery Networks International Marjory van Macklenbergh, tendo como alvo novas audiências na Alemanha, Áustria e Suíça, e anunciar uma segunda rodada de investimentos para lançar uma nova startup?

Zivkovic tem um ódio: apps de relacionamento. Ele já escreveu sobre isso. Em seu ensaio “Why Dating Apps Are Not Finding You Proper Dates” (“por que apps de relacionamento não o proporcionam encontros adequados”, em tradução livre), Zivkovic diz que “namoro on-line e apps de namoro falham em conexão da vida real. E o que as pessoas precisam é uma situação da vida real quando conhecem alguém pela primeira vez. Até agora nenhum app faz isso.”

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O problema, para Zivkovic, é de percepção: “se alguém procura um parceiro para a vida inteira e seus critérios transbordam adrenalina e empolgação, a pessoa ficará, com certeza, desapontada após as borboletas terem desaparecido.”

Como um empreendedor, após ter identificado o problema, Zivkovic está trabalhando para resolve-lo. Quando nos encontramos esta semana, ele me mostrou um infográfico das redes de metrô mais ocupadas do mundo, liderado por Tóquio, com 3,6 bilhões de jornadas por ano, seguida por Pequim (3,4 bilhões), Nova York em oitavo lugar (1,8 bilhão) e Paris em décimo (surpreendentemente, Londres não está no top 10).

“Em Nova York, por exemplo, é comum conversar com pessoas no metrô. Mas em Londres é diferente. As pessoas não interagem. Agora, se eu vejo alguém e quero aborda-lo enquanto estou no metrô, seria útil se houvesse alguma maneira de saber mais sobre a pessoa – interesses, status de relacionamento, livro favorito. Tudo isso está disponível apenas no mundo virtual, mas não na realidade, e assim as chances na vida real se acabam. Você pode tentar começar uma conversa, mas a janela de oportunidades é tão pequena – especialmente em cidades agitadas – que as chances são de que você nunca mais verá a pessoa. Nunca mais na vida.”

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Talvez não por muito tempo. O novo app de Zivkovic, o YAC, que ele está desenvolvendo junto de seu irmão e um de seus amigos experientes em tecnologia – ambos empreendedores de sucesso – é um aplicativo de namoro e de networking que usa tecnologia de redes MESH especialmente adaptada – o que significa que não precisa de conexão de internet para permitir comunicação.

“Agora as coisas estão finalmente começando a ganhar formato”, diz ele. “Os celulares de todos podem estar nesta rede, mas você também tem a opção de ativar o modo de discrição e escapar do radar, e não é apenas para namoro, é ótimo para networking de negócios também.”

Zivkovic chama o YAC de “o app para pessoas reais” e acredita que poderia ser uma ferramenta para quebrar gelo da vida real, mas com o modo de discrição há também a oportunidade de “manter-se privado” e comunicar-se off-line. “Comunicação off-line é uma realidade e é algo que nós temos de encarar e aprender a nos adaptar da maneira mais positiva que pudermos – este é um passo nessa direção. Imagine o que nós poderíamos fazer se permitíssemos que pessoas que vivem em áreas menos desenvolvidas e não têm acesso à internet se comunicassem umas com as outras”, diz ele.

Segundo Zivkovic, o YAC será lançado formalmente em fevereiro. Ele descreve o mercado alvo como “pessoas de 25 a 45 anos, talvez bem-sucedidas, mas neutras, formais e urbanas – todos podem usar, desde que não procurem por aplicativos de namoro rápidos e baratos!”

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E investimentos? “Agora é tudo sobre usuário, usuário, usuário – nós não temos tempo para pensar sobre como iremos impressionar os investidores, porque se tornarmos a experiência do consumidor boa, nós acreditamos que os investidores irão querer fazer parte da nossa jornada. Mesmo os que estão aqui em Londres, que são menos focados em expansão rápida do que os dos Estados Unidos”, diz.

“Quer saber”, ele reflete “talvez eu não seja um ótimo CEO de startups porque estou sempre trabalhando – não irei me sentar com um investidor e falar sobre monetização quando eu tenho tanta coisa para fazer para adquirir usuários adicionais. Esta é a prioridade agora. Eu estou lidando com tanta coisa todos os dias: promoção, experiência do usuário, desenvolvimento, mídias sociais, falhas, aspectos legais, privacidade, compatibilidade. Monetização vem depois disso.”

“Na minha empresa todo mundo faz tudo. É assim que nós funcionamos. Eu me sinto mais próximo a uma abordagem norte-americana de negócios, pois gosto de estar envolvido em tudo, mas quero que meu time tome decisões para mim – é por isso que tenho essa equipe toda. Eu não quero que nada os distraia do objetivo da empresa, que é o consumidor e nada mais.”

Um dia, obviamente, Zivkovic terá de sentar-se com alguns investidores e falar sobre isso tudo, mas, para esse empreendedor determinado, há uma enorme quantidade de trabalho a fazer primeiro, ainda que, talvez, esse dia chegue antes do que ele pensa. “Esse trabalho está me dando cabelos brancos”, diz ele. Qual?

Dizem que se você quer que algo seja feito, você deve pedir a uma pessoa ocupada. Zivkovic pode ser essa pessoa, talvez muito mais do que ele mesmo reconhece, mesmo nos tempos difíceis, como quando precisa desenvolver o negócio e levantar investimentos ao mesmo tempo.

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