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“Vejo 2016 melhor do que 2015”, diz CEO da maior rede hoteleira do país

Patrick Mendes, CEO da AccorHotels América do Sul (Divulgação)

Patrick Mendes, CEO da AccorHotels América do Sul (Divulgação)

A Accor Hotels, maior rede de hotelaria do país, apresentou retração de 5,8% no seu volume de negócios no Brasil em 2015. Mas o clima durante a divulgação dos resultados na manhã de hoje (24) em São Paulo foi exatamente o oposto. “Excepcional”, definiram alguns dos executivos. “A crise no Brasil impactou os resultados no continente, mas menos do que esperávamos no meio do ano passado”, explica Patrick Mendes, CEO da empresa na América do Sul.

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A empresa divulgou que o volume de negócios caiu 2,9% no continente, se comparado a 2014. A queda na América do Sul foi impulsionada especialmente pelo Brasil, responsável por 80% dos 266 hotéis da rede. “A inflação e o aumento de outros custos, como energia, mata qualquer margem”, afirma Xavier Perret, COO da empresa na região. A taxa de ocupação de todos os 232 hotéis administrados pela Accor no país ficou em 61,7% no ano.

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As projeções, no entanto, explicam o otimismo da empresa. Em 2015, foram 40 novos contratos, em um investimento de cerca de R$ 800 milhões, e 27 hotéis inaugurados na região. “Aproveitamos a crise para reavaliar nossos distribuidores. Por exemplo: importar uma cadeira hoje me custa 40% a mais do que um ano atrás. Por outro lado, descobrimos que há uma produção excelente aqui”, explica Mendes. O objetivo da empresa é abaixar entre 10% e 15% os custos de operação no continente.

Para isso, a rede tem algumas apostas. A primeira é no segmento de luxo. Ao contrário de todo o setor, os hotéis premium mostraram crescimento, com uma taxa de ocupação de 70%. “O Sofitel Guarujá teve seu melhor mês da história, agora, em janeiro”, conta Mendes. A segunda é o programa de pontos de fidelidade Le Club. No ano passado, 40% dos hóspedes eram fidelizados, um número muito superior à média global de 27%.

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A alta do dólar, que dificulta em certos aspectos, facilita em outros, como no aumento do número de estrangeiros no país e no crescimento da procura por viajantes que, em uma época mais favorável, iriam para o exterior.

As projeções para os próximos anos são otimistas. “Vejo um ano melhor em 2016 do que em 2015”, afirma Mendes. O plano é que, até agosto, a rede inaugure seis hotéis só no Rio de Janeiro, principal foco da Accor globalmente. O executivo francês jura que o motivo não é apenas os Jogos Olímpicos. “Ninguém investe em um hotel só para um evento, é um investimento de 25, 30 anos”, argumenta. A empresa já espera uma queda alta após os Jogos, embora acredite que o governo devesse “seguir o exemplo da Colômbia” e promover melhor o destino internacionalmente.

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Ao todo, a Accor pretende inaugurar 30 hotéis na América do Sul em 2016. Para 2020, as projeções são ainda maiores: dobrar o número de unidades para 500, das quais 400 ficarão no Brasil.

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