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Airbnb surfa na crise para crescer no Brasil

Leonardo Tristão, diretor-geral do Airbnb (Divulgação)

Leonardo Tristão, diretor-geral do Airbnb (Divulgação)

A recessão econômica tem impactado diretamente o mercado hoteleiro no Brasil. A Accor Hotels, maior rede em operação no país, por exemplo, registrou retração no volume de negócios no ano passado. Mas sempre há quem ganhe com este cenário. O Aibnb, startup norte-americana de hospedagem, registrou um aumento de 28% no número de espaços anunciados.

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“A crise está ajudando, faz aumentar o número de anúncios, o que tem aumentado a demanda”, afirma Leonardo Tristão, diretor-geral do Airbnb no Brasil. Hoje a plataforma oferece 60.000 anúncios ao redor do país, com presença em todos os estados e diversas opções de orçamento.

De acordo com Tristão, o crescimento orgânico, promovido pelo famoso boca a boca, é um dos principais fatores para o aumento da procura no país. “A nossa taxa de rejeição é quase inexistente”, conta. Mas a recessão econômica, claro, tem dado uma forcinha. Especialmente por dois fatores: a possíbilidade de gerar renda extra ao alugar, de forma prática, um quarto ou um imóvel inutilziado e, com o dólar forte, há cada vez mais viajantes dispostos a ficar no país.

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“A crise econômica ajuda a expansão [do Airbnb] não apenas por as pessoas acharem esta uma boa maneira de fazer receita, mas também pelos brasileiros que não iriam viajar, mas mudaram de ideia ao verem opções que cabem no orçamento”, afirma Tristão. Só no feriado do ano novo a empresa registrou um crescimento de 200% na procura pos hospedagens nacionais.

A startup chegou ao Brasil em 2012 com apenas 3.500 anúncios, de olho na Copa do Mundo, um dos maiores eventos do planeta. Dois anos depois, a empresa, que já era conhecida no exterior, ajudou a hospedar 120.000 pessoas de mais de 150 países aqui durante os jogos. De acordo com o Ministério do Turismo, isso representou 20% do total de estrangeiros que vieram no período. O número de brasileiros, no entanto, não era nada expressivo: apenas 6% dos viajantes nacionais.

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Hoje, a realidade é outra. O Airbnb fechou 2015 com 53% de reservas no Brasil feitas por brasileiros. “O brasilerio é hospitaleiro e muito interessado em novas tecnologias. Quando junta as duas coisas, dá uma perspectiva muito grande para [a empresa] crescer no país”, avalia Tristão.

Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro também ajudam a explicar o otimismo da startup. Até o início deste mês, a empresa já registrou 7.500 reservas para o período. Ao todo, são viajantes de 54 países, de Estados Unidos a Omã, com média de reserva de 8 noites.

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Mas há muito para crescer. “O mercado ainda é insipiente para a companhia, porque é um mercado de nicho. A massa ainda não conhece o Airbnb”, afirma Tristão. O plano, então, é divulgar a companhia. Como parte da estratégia, a startup tem se associado a grandes eventos no país: no ano passado, fez uma parceria com o Ministério do Turismo para ajudar na hospedagem durante os Jogos Mundiais dos Povos Indígena, em Palmas, onde era muito pouco conhecida, e, neste ano, tornou-se parceira oficial das Olimpíadas no Rio de Janeiro.

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