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Em 5 anos, espero não responder mais sobre gênero, afirma Chieko Aoki

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Chieko Aoki (Divulgação)

Chieko Aoki fundou a Blue Tree Hotels em 1997. Na época, uma mulher era uma raridade na área de turismo, especialmente entre as altas posições. “Só tinha homem no meio. Você estava sempre sozinha, comia com a cabeça abaixada”, conta a empresária, 68 anos, eleita por FORBES Brasil uma das 15 mulheres mais poderosas do país em 2015. “Quando começou essa coisa de Dia das Mulheres, eu tinha até vergonha porque achava forçado. Hoje, eu entendo: se tem tanta mulher boa por aí, por que não em altos cargos?”

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Com um currículo que inclui a presidência de duas das maiores redes hoteleiras do mundo, Caesar Park e Westin, a nipo-brasileira diz nunca ter enfrentado dificuldades na carreira por ser mulher e que as coisas mudaram muito desde que ela começou. “Hoje, você vê mulheres diretoras, vice-presidentes, presidentes… Quando comecei, era algo especial. Em cinco anos, espero que a gente nem esteja mais falando sobre essas coisas, com essas perguntas [sobre igualdade de gêneros]”, afirma a presidente.

Cheiko anunciou hoje (12) uma parceria de cinco anos de sua rede com a norte-americana Best Western, desenvolvida no Brasil pela Incortel, para a construção de 15 hotéis no Brasil. Esta é a primeira incursão da rede brasileira no mercado de multimarcas. Até então, a Blue Tree só operava hotéis próprios.

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A Incortel, incoporadora cabixaba, vai investir R$ 1 bilhão no desenvolvimento das 15 unidades. A meta é entregar três por ano, mas tudo depende do desenvolvimento econômico dos negócios e do país. “Meu objetivo é que entreguemos 30 até 2020, mas, se for o caso, faremos 14 ou menos”, explica Maria Cecília Zon Rody, fundadora e presidente da companhia. “Estou há 33 anos neste mercado, não vou me meter em aventuras.” Espera-se que o projeto movimente 700 empregos formais e crie 2.000 novos quartos.

O anúncio chega em um momento difícil para o mercado hoteleiro no Brasil. Em 2015, a Blue Tree Hotels presenciou quedas de 6% na receita, com faturamento de R$ 356 milhões, e de 3 pontos percentuais na ocupação, atualmente em 60%. “É claro que [a crise] atrapalha. Eu dependo de hóspedes, e as empresas recuaram. Não sabem se investem, se não investem, quanto tempo vai durar… Isso afeta”, afirma Chieko. “Por outro lado, eu penso que o pior que você pode fazer é parar, o melhor é andar. Você consegue até andar no escuro, pois seus olhos se acostumam.” Fora o acordo, sua rede abriu dois hotéis neste ano e tem mais dois para ser entregues.

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De acordo com a presidente, o cenário econômico deve se manter instável. Como quase todos os hotéis da sua rede são voltados ao meio corporativo e eventos (apenas dois são resorts), as Olimpíadas e a alta do dólar em relação ao real não faz muita diferença. Sem opinar sobre o cenário político atual, ela insiste que a solução é procurar por oportunidades e trabalhar mais. “É momento de depurar. A gente fica mais esperta: quando está tudo bom, você não olha os detalhes. O importante não é contar centavos, é contar o custo-benefício.”

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