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Filantropos e ativistas participam de fórum sobre a crise de refugiados

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Do bilionário fundador do iogurte Chobani a algumas organizações sem fins lucrativos em São Francisco, filantropos e ativistas estão tentando tornar a vida de refugiados ao redor do mundo um pouco melhor.

Alguns dos envolvidos passaram dias discutindo essas e outras questões no Fórum Global de Filantropia, que aconteceu na última semana na cidade de Redwood, na Califórnia.

O tema da conferência deste ano foi “Pessoas em Movimento” e o objetivo ficou em torno da discussão de como lidar com as quase 60 milhões de pessoas refugiadas ao redor do mundo. A CEO do Fórum, Jane Wales, disse que esse não é um tema exclusivo de hoje: “As pessoas saem de suas casas e isso é normal. O problema é como fazê-las se sentirem em casa e empregá-las em trabalhos dignos.”

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O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, compareceu ao Fórum na última quarta-feira (6) e colocou a crise de refugiados em um contexto: se todos eles morassem em um mesmo lugar, seria o 24º maior país do mundo, maior que a Espanha. O resultado disso, segundo Blinken, é que a ajuda humanitária no mundo “enfrenta seu maior desafio na história”.

Os refugiados não vêm só da Síria, mas também da América Central, como crianças que imigraram sozinhas para os Estados Unidos, minorias étnicas escapando de Burma e da Somália.

Um dos maiores desafios dessas pessoas é conseguir trabalhar legalmente no país no qual chegaram. Em 2008, a Asylum Access, uma organização sem fins lucrativos baseada em sete países que faz consultoria para refugiados, conseguiu fazer com que uma lei na Colômbia empregasse legalmente 250 mil trabalhadores imigrantes. A diretora-executiva da ONG, Emily Arnold Fernandez, explicou que a lei possibilitou que alguns desses refugiados abrissem o próprio negócio algum tempo mais tarde, e que essas novas empresas contratassem outros refugiados do país. Um impacto positivo e com grandes efeitos.

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O time da organização na Tanzânia luta para conseguir que 150 mil refugiados do Congo e do Burundi trabalhem legalmente no país.

Em janeiro, a organização do fundador do iogurte Chobabi, Hamdi Ulukaya, anunciou uma campanha para emplacar companhias globais na ajuda aos refugiados. Os parceiros inaugurais incluem AirBNB, Ikea Foundation, LinkedIn, MasterCard e Western Union. Maryam Ghofraniha, a chefe das parcerias globais do LinkedIn, disse no evento que a companhia irá ajudar refugiados na Suécia a encontrarem empregos. Mais de dois terços dos refugiados do país têm habilidades que combinam com as vagas oferecidas por lá.

Em fevereiro, o LinkedIn lançou o WelcomeTalent.se, um site que conecta os refugiados às companhias suecas que estão contratando. O site tem interfaces em inglês e árabe e uma das primeiras empresas a anunciar vagas foi a gigante Spotify.

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Dois advogados que trabalhavam em Washington D.C., Mary Louise Cohen e seu marido Bruce Cohen, lançaram uma organização sem fins lucrativos chamada Talent Beyond Boundaries, com o objetivo global de permitir a migração de trabalhadores para países que estejam necessitados de determinados tipos de mão-de-obra. Começando no Líbano e na Jordânia, a ONG quer chegar a países como Canadá e África do Sul. Alguns refugiados sírios encontrados pela organização tem uma formação especializada: são engenheiros elétricos, estudantes de arquitetura, professores de literatura inglesa. “Estamos procurando pelo mundo inteiro para encontrar lugares com vagas para essas pessoas”, contou Mary Louise Cohen.

Donna Shalala, antiga Secretária de Saúde e Direitos Humanos dos Estados Unidos e atual presidente da Clinton Foundation, explicou que os esforços da organização estão em implementar projetos e encontrar parceiros para ajudar a melhorar a vida de refugiados. Alguns dos parceiros trabalham na educação e saúde dos refugiados sírios na Jordânia.

No final do evento, o Secretário de Estado dos EUA, Blinken, compartilhou uma anedota de sua recente visita a alguns refugiados adolescentes na Jordânia. Ele perguntou se ele sabiam o que era um iPhone, qual companhia o produzia e se eles sabiam que o pai do fundador era sírio. Eles sabiam todas as respostas. “Cada uma daquelas crianças poderia ser o próximo Steve Jobs. Nosso trabalho é dar a oportunidade de isso acontecer”, contou.

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