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Empreendedor lança app concorrente do WhatsApp de dentro da prisão

O presidiário Mayer Mizrachi Matalon, com dupla nacionalidade da Jamaica e do Panamá, até que não tem uma vista ruim de sua cela, dentro do presídio La Picota, em Bogotá, Colômbia. Dentro dela, a realidade é outra. Pequenos beliches, prateleiras com comidas e baldes com água compõem o cenário. Dois colegas dividem o espaço com ele, acusados por atos terroristas e tráfico de drogas, penas recorrentes no local. Assim como Matalon, eles dizem ser inocentes.

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Fora da cela, chuveiros frios e comidas que não são kosher, o que impossibilita ele de se alimentar. Condições precárias estão por toda parte. Ele está há 5 meses no presídio. Dentro da cabeça dele, uma questão sem resposta: “Como eu fui parar aqui?”

No final de 2015, ele estava bem. Sua companhia, a Criptext, tinha arrecado US$500 mil e já possuía cerca de 20 mil usuários.

Matalon já tinha um novo projeto, que poderia vir a ser um potencial rival para o WhatsApp. A sua ideia, uma ferramenta de tecnologia para ser instalada em dispositivos que as pessoas já tivessem com o intuito de melhorar a segurança nas interações online. A inspiração para isso veio de um contrato da Criptext com o governo do Panamá para promover comunicação segura. Infelizmente, o acordo com o país da América Central deu errado e ele viu uma viagem de férias virar uma prisão, local em que ele viu o lançamento do Criptext Messenger, bem longe de seu escritório em Nova York.

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Os problemas com a Justiça começaram durante uma viagem. Ao pousar em Cartagena, na Colômbia, Matalon foi parado e acusado de fraude pelo governo do Panamá, país em que ele já tinha um outro negócio, a empresa Innovative Ventures. A filmagem do momento dele sendo escoltado por oficiais colombianos da Interpol mostra um Matalon calmo, sem reação diante do que estava acontecendo. No ano passado, o governo do Panamá colocou um alerta vermelho sobre ele na Interpol, alegando que ele era procurado por fraude contra o governo. A investigação gira em torno de contratos.

Em conversa com a Forbes dos Estados Unidos, Matalon declarou que há muitas informações conflitantes no caso, ele próprio diz que foi acusado por desvio de dinheiro e descreve as acusações como sendo absurdas, pois ele nunca foi um funcionário do governo, apenas um prestador de serviço. Sua mãe complementa: “Estão acusando ele de um ato criminal, quando isso é basicamente uma questão administrativa. É uma disputa sobre um contrato, que era apenas uma licença de 9 meses”.

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A polícia colombiana, em resposta à Reuters, disse que o contrato valia US$ 13,3 milhões. O presidiário, por outro lado, diz que o negócio valia menos de US$ 200 mil. Matalon ainda afirma que o sistema foi entregue ao governo e foi utilizado só por quatro meses após a transferência de poder para Juan Carlos Varela, atual presidente do Panamá. Apesar de não existirem taxas e quase nenhuma informação à respeito da quebra de contrato, o que explica a permanência de Matalon na prisão de segurança máxima? A família dele deu uma pista. O pai dele está em um relacionamento com a irmã do ex-presidente do Panamá, Ricardo Martinelli.

O caso se complica mais, pois, a defesa de Matalon garante que vários direitos humanos foram quebrados no caso. Os advogados alegam que a Interpol não estava com todos os aspectos esclarecidos antes de impor um alerta vermelho, que ele não deveria estar preso pelo o que é uma disputa contratual e que a fiança de US$ 100 mil foi paga. Do outro lado, ninguém responde perguntas sobre o caso, inclusive a Interpol, que se eximiu totalmente da culpa perante a algo.

Apesar de todas as complicações, Matalon continua a trabalhar. A nova versão de seu Criptext Messenger foi lançada esse mês, assim como declarou: “Enquanto eu tiver um teclado, Skype e e-mail, eu posso me comunicar com o meu time. Isso é limitado, mas não me impede de fazer nada.”

É impossível no momento imaginar o que vai acontecer daqui para frente. Em algum momento dos próximos meses o Panamá vai entregar uma lista de acusações para os advogados de Matalon, que tem 10 dias para responder. Depois disso, haverá um período para o tribunal da Colômbia decidir se ele sairá livre ou será extraditado para o Panamá.

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