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Como o Nubank virou o queridinho dos jovens brasileiros

Reprodução/Facebook

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Há, hoje no Brasil, um produto cuja fila de espera ultrapassa 450 mil pessoas. Se o seu chute foi um artigo de luxo ou o mais novo iPhone, errou. É um cartão de crédito. Com menos de dois anos de operação, o Nubank, criado pelo colombiano David Vélez, 34 anos, já se tornou um dos principais focos de cobiça entre os jovens brasileiros.

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“A gente não investe em marketing. É tudo no boca a boca”, explica Vélez, cofundador e CEO da empresa. Com um usuário médio na faixa dos 31 anos, o sucesso do cartão se explica, basicamente, por duas diretrizes: ausência de tarifas, incluindo anuidade, e estrutura totalmente digital. Todo o processo é conduzido pelo smartphone do cliente. Até para requerer o cartao de credito, é preciso, antes, baixar o aplicativo. Por isso, a primeira exigência para entrar no Nubank é ter um smartphone compatível.

O cliente consegue fazer quase tudo pelo app: bloquear o cartão, aumentar ou diminuir o limite disponibilizado em tempo real e ver os gastos do mês, com gráficos que apontam onde se gasta mais. Há até o cálculo do IOF pago em compras internacionais. Caso haja algum problema, como clonagem de cartão, há ainda opções de SAC via chat ou telefone, modalidade escolhida por apenas 10% dos usuários.

Mas como a empresa, que tem MasterCard como bandeira desde o início das operações, fecha a conta sem cobranças como anuidade? A principal fonte de renda é a receita transacional. A cada compra feita com o Nubank, 3% são divididos entre a operadora do pagamento e o cartão. Há ainda a receita vinda dos clientes que entram no crédito rotativo.

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“Os grandes bancos têm estruturas operacionais muito caras. Só a Avenida Faria Lima [em São Paulo] tem 92 agências, imagina o custo de manter isso. Quem paga são os clientes”, explica o CEO. “A gente é 100% digital. Não tem agência bancária, não tem caixa eletrônico, não tem um monte de papeis. É uma estrutura de custo muito mais baixa.”

Divulgação

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A ideia para a companhia surgiu no final de 2012, pouco depois que Vélez chegou ao Brasil. O colombiano trabalhava na Sequoia Capital, uma das maiores empresas de investimento do Vale do Silício, quando decidiu “mudar o lado da mesa” e, em vez de procurar por startups para investir, ser o foco do investimento.

O setor bancário chamou sua atenção, logo de cara. “O Brasil tem um dos maiores mercados do mundo, onde o oligopólio dono dos bancos tem também uma das maiores rentabilidades. Ao mesmo tempo, o consumidor recebe um dos piores serviços.”

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Vélez decidiu, então, buscar uma solução prática que não esbarrasse nos vícios do setor e que fosse viável financeiramente. A empresa começou a operar em maio de 2013 em uma pequena casa no Brooklin, em São Paulo. Em abril de 2014, o cartão foi enviado aos então 12 funcionários e a amigos e familiares, como versão beta.

Para a operação inicial, a companhia contou com um investimento-semente de US$ 2 milhões. Nesse momento, o bom relacionamento de Vélez com a antiga empresa foi fundamental para o crescimento do negócio. A Sequoia não só participou desta rodada, como de todas as três seguintes, que, juntas, somam US$ 100 milhões. Além disso, a empresa acaba de captar US$ 50 milhões de dívidas do banco Goldman Sachs.

O mercado recebeu a novidade cinco meses depois, em setembro de 2014. De acordo com o CEO, o crescimento em 2015 foi maior do que o esperado. Já em um andar de um prédio empresarial, eles tiveram de se mudar pela segunda vez no final do ano passado, pois o número de funcionários tinha subido quase dez vezes nestes 12 meses: de 40 para 340.

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Hoje, o Nubank opera em um prédio alugado de oito andares com cara de startup de tecnologia, na Av. Rebouças,em São Paulo. Sem abrir faturamento ou número exato de clientes, Vélez afirma que já são “centenas de milhares”, distribuídos em todos os Estados do Brasil, com maior concentração no Sudeste (25%).

A longo prazo, há dois caminhos naturais de expansão: abertura de capital e internacionalização. Vélez não estipula o tempo para um possível IPO, mas reconhece que isso “faz sentido” no futuro. Quanto a migrar para os vizinhos latino-americanos, o colombiano vê boas oportunidades para o Nubank, mas não agora.

“[No continente] há a combinação bancos tradicionais de um lado e millennials querendo usufruir de serviços financeiros de uma forma diferente do outro”, afirma Vélez. “A metade do Brasil tem menos de 29 anos, a do México tem menos de 24 anos. São países com uma demografia muito positiva para o nosso produto. Mas, para a gente, é uma questão de foco: no Brasil dá para crescer muito mais, seria perigoso desviar daqui agora.”

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