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Por que a saída do Reino Unido da UE só tem lado ruim

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O voto pela saído do Reino Unido da União Europeia (UE), o “Brexit”, é um desastre político e econômico. Depois dessa queda inicial de ações, haverá uma melhora e surgirá uma conversa de que a separação não foi tão ruim assim. Não acredite nisso.

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Esse voto irá intensificar as forças centrifugas que estão dividindo da União Europeia. Toda a confiança da diplomacia pós-Segunda Guerra tem sido em trazer a união entre as nações europeias para evitar os desastres que assolaram o continente e o mundo na primeira metade do Século 20. A UE cometeu uma série de grandes erros, em especial ao criar uma grande e corrupta burocracia que se tornou uma avalanche de regulamentações triviais.

Mesmo com todas as suas falhas, o bloco teve um papel crucial na transformação da Espanha e de Portugal de ditaduras a democracias liberais, como são hoje. Ela também fez isso com países comunistas da Europa Central e Oriental. Eles fizeram grandes reformas, que iam contra interesses domésticos, para entrar na UE.

Não é à toa que Vladimir Putin odeie a UE e ficou horrorizado que a Ucrânia queria entrar. Ele quer que a Rússia domine a Europa – e o bloco atrapalha seus planos.

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Dois erros existenciais trouxeram a Europa para esta crise:

O primeiro foi econômico. Os políticos europeus se recusaram a fazer necessárias mudanças estruturais para fazer suas economias voltarem a crescer: cortar impostos; flexibilizar regulações sufocantes, especialmente das leis trabalhistas; e reduzir o tamanho dos setores públicos.

Quando a crise econômica atingiu Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda, a resposta da Alemanha e da UE foi demandar austeridade, mas foi na linha pro-governo-forte e contra-setor-privado. Os impostos subiram e alguns serviços públicos foram cortados, mas o governo economizou! Não poderia haver fórmula melhor para estagnação e recuperação amênica. A Irlanda, ainda bem, recusou-se a aumentar seus baixos impostos corporativos de 12,5% e se recuperou muito mais rápido do que os outros.

O segundo erro, claro, foi a imigração. A decisão impetuosa de Angela Merkel de deixar centenas de milhares de refugiados do Oriente Médio entrarem em um continente que mal havia lidado com a integração de antigos imigrantes (criando claramente áreas autogovernáveis que se tornaram o paraíso para os terroristas) foi a gota d’água.

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Estes dois erros escandalosos já trouxeram o surgimento de partidos antiliberais. Até os políticos alemães estão preocupados. A figura política mais popular por lá pertence do Partido Verde. A segunda é o Ministro do Exterior, um socialista, que diz que a Alemanha deve se aproximar da Rússia.

A desordem da Europa pode até levar a Rússia a fazer movimentos para subjugar os Países Bálticos, como Lituânia, Letônia e Estônia, sob a desculpa de proteger as minorias de população russa (só para registrar, a maioria dessas pessoas não quer fazer parte da Rússia de Putin). Moscou está engajado em uma série de exercícios militares ameaçadores nessa área.

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Infelizmente, no caso de uma eventualidade como esta, a resposta do presidente Obama seria ineficiente. Esses países são parte da OTAN, a aliança mais bem-sucedida do mundo livre na história, e um movimento bem-sucedido de Putin poderia marcar a morte dela.

O “Brexit” também pode derrubar o próprio Reino unido. A Escócia votou em peso para permanecer. Agora, os nacionalistas escoceses já estão lutando para outro referendo de independência.

A incerteza criada pelo “Brexit” irá machucar economicamente. Novos tratados irão demorar para funcionar e as negociação deste divórcio serão extremamente controversas.

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Outro resultado maligno da saída da Grã-Bretanha cairá sobre Gibraltar. Seu status como território britânico estava fora do papo porque tanto o Reino Unido quanto a Espanha eram parte da UE. Agora, o governo espanhol pode decidir dar uma de nacionalista e conseguir o controle de volta à Espanha.

Qual deveria ser a resposta dos Estados Unidos?

Nós devemos deixar claro para Moscou que deve esquecer qualquer movimento sobre os Países Bálticos ao enviar brigadas militares para a região. Enquanto estivermos lá, deveríamos mandar outra para a Polônia.

Também deveríamos nos oferecer para negociar a entrada da Grã-Bretanha no NAFTA, uma zone de comércio verdadeiramente livre, sem a burocracia da UE.

Nosso próximo presidente deveria incitar Londres a ser mais pró-crescimento na parte de impostos. O Reino Unido vai precisar.

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