Conheça Andréa Natal, a mulher por trás do Belmond Copacabana Palace

Andréa Natal, há 20 anos no Copacabana Palace (Alle Vidal)
Andréa Natal, há 20 anos no Belmond Copacabana Palace (Alle Vidal)

A vida de Andréa Natal é uma correria. Na véspera da Olimpíada 2016, a diretora-geral do Belmond Copacabana Palace tem de prestar atenção em alguns cuidados a mais ao gerenciar o mais tradicional hotel do Rio de Janeiro. Por causa do rodízio do trânsito, com horas específicas para circular na Av. Atlântica, o estabelecimento teve de tomar algumas medidas, como alugar a décima quinta câmara frigorífica. “Para que a gente não passe por nenhum sufoco por causa do abastecimento”, explica a executiva. “Meio que rotina, né? Mas estamos com mais pressa do que teríamos normalmente.”

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É difícil pensar em Andréa Natal sem imaginá-la no hall do Belmond Copacabana Palace. Aos 54 anos, viveu os últimos 20 dedicada ao luxuoso hotel carioca. “Eu conheço muito bem hotel onde eu trabalho, tenho uma equipe experiente, que está comigo há bastante tempo.”

A ligação é tão forte que, hoje, o Copa, como Andréa chama, também serve como moradia para ela e seu filho. “Eu vejo mais vantagens do que desvantagens [em morar no trabalho], não tenho as mesmas responsabilidades que tinha quando morava fora, como sair correndo para fazer compras no supermercado, e a minha casa é a minha cara, posso andar de pijama”, argumenta. “Talvez eu tenha passado a trabalhar mais, mas amo o que eu faço, e a qualidade de vida e o tempo com meu filho aumentaram.” A executiva tem um dia de folga por semana e, sempre que pode, foge para “a roça”, como chama sua residência próxima a Petrópolis (RJ), cidade onde nasceu.

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Sua história no hotel começou em 1989, quando trocou o Le Méridien, em Salvador, onde trabalhava desde 1981, para trabalhar como gerente de recepção do Copacabana, por meio da indicação de um amigo. Andréa ficou dois anos no cargo até largar tudo para viajar com o ex-marido, Jean Merry Delarue. Depois de cerca de cinco anos fora, retornou, em 1996, ao tradicional estabelecimento, onde trabalhou como gerente de hospedagem, gerente operacional e, por fim, gerente-geral, quando Philip Carruthers era o diretor-superintendente.

No cargo de diretora-geral desde 2012, Andréa acumula as mais variadas funções no hotel, como traçar seu plano estratégico, cuidar da imagem, criar o posicionamento comercial da marca e até supervisionar detalhes operacionais, como ajudar a escolher o cardápio de um dia especial ou o uniforme dos funcionários. “Minha maior preocupação é o bem-estar dos hóspedes e dos colaboradores.”

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Além disso, ela gerencia o relacionamento com a rede Belmond, antiga Orient-Express, que comprou o hotel da família Guinle em 1989. “Como a gente faz parte de uma companhia aberta na Bolsa, eu tenho, de uma certa forma, de dar satisfações aos acionistas”, conta a executiva. Mas, segundo ela, a empresa, dona de 45 hotéis ao redor do mundo, dá liberdade na operação do Copacabana. “Hoje, os hotéis têm um link em comum, apesar de cada um poder guardar sua individualidade. A gente trabalha sempre reforçando nossa marca, nossos valores e alicerces.”

Andréa participa de uma reunião anual com todos os diretores-gerais da rede e de um grupo que “ajuda a construir a marca”, criada oficialmente em março de 2014, depois que a companhia constatou que o nome Orient-Express era muito ligada ao trem. “São 14 pessoas, tiradas desses hotéis, que se reúnem para debater os tipos de experiências que queremos criar para os nossos hóspedes, quais são factíveis, quais não”, explica.

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Com 670 funcionários, a maior despesa do fixa do hotel é sua folha de pagamentos. “Luxo pode significar coisas muito simples. A gente sabe que o cliente que a gente tem quer provar a caipirinha, comer feijão”, conta Andréa. “Então, nosso investimento tem de ser nas pessoas que tornam a experiência do nosso hóspede única, diferente.” Fora isso, parte do faturamento anual, que gira em torno de R$ 200 milhões, é gasto em manutenção, como troca de móveis e objetos, reformas e melhorias na parte tecnológica. “O Copa tem 93 anos, mas é um hotel com todas as modernidades necessárias, não ficou parado no tempo. Para continuar a ser líder no mercado, temos de estar muito atentos a todas as tendências.”

“Mas a gente também é uma empresa que tem de gerar lucro, então, qualquer centavo que a gente puder poupar é poupado”, diz. Para isso, ela criou o “comitê da criatividade”, um grupo de pessoas que busca soluções para reduzir custos sem diminuir a qualidade da experiência dos hóspedes. Entre elas, está a compra de energia limpa, mais sustentável e barata que a comum.

O perfil dos hóspedes é internacional. Os 239 quartos geralmente são ocupados com 70% de estrangeiros e 30% de brasileiros, número que tem sofrido um pequeno abalo nos últimos tempos dado o momento de instabilidade econômica no país. Com tantos mimos, o preço da estadia pode sair um pouco salgado. Em agosto, por exemplo, a diária não sai por menos de R$ 1.470. Se você procura a experiência mais exclusiva, pode ficar na suíte-cobertura, por cerca de R$ 14.000 por dia.

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É comum quem se hospeda lá ter entre seus colegas de estadia celebridades internacionais ou chefes de Estado. Como diretora-geral, Andréa já recepcionou Nelson Mandela (ex-presidente da África do Sul); Nicolas Sarkozy (ex-presidente francês) e a mulher, Carla Bruni; Paul McCartney; os Rolling Stones; Sting; entre outros.

Depois de conhecer tamanho currículo, dá para entender por que ela não se assusta com a correria às vésperas da Olimpíada: “Meio que rotina, né?”

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