Negócios

Walmart compra Jet.com por US$ 3,3 bilhões

Walmart iStock

Walmart anunciou acordo para comprar a Jet.com por US$ 3,3 bilhões, fechando o que se tornou a aquisição mais cara do e-commerce norte-americano.

Nessa segunda-feira (8), a maior varejista do mundo revelou que fechou um acordo com a startup com a intenção de aumentar sua presença online e multiplicar suas vendas. Aproximadamente US$ 3 bilhões serão pagos em dinheiro vivo, junto com US$ 300 milhões adicionais em ações do Walmart, que serão racionadas com o tempo.
Espera-se que Marc Lore, 45 anos, fundador e CEO da Jet.com, lidere os esforços de e-commerce do Walmart. De acordo com vários relatórios, Neil Ashe, chefe global de e-commerce da Walmart, não permanecerá por muito mais tempo na empresa.

“O Walmart.com crescerá mais rápido, a experiência de compra sem interrupções que procuramos virá mais rápido e permitiremos que a marca Jet se torne mais bem-sucedida em um período mais curto de tempo”, disse o CEO do Walmart Doug McMillon em um comunicado. “Nossos clientes vencerão. Essa é apenas mais uma dose de espírito empreendedor sendo injetada nas veias da empresa.”

LEIA MAIS: Moeda física tem data para acabar, diz diretor-geral do PayPal na AL

A unificação das duas companhias vem quase como uma necessidade, uma vez que ambas não conseguiram derrubar a gigante do ramo: a Amazon.com. A Jet.com foi fundada com a visão de que podia desafiar a empresa por meio de estratégias sofisticadas de preço, mas teve que levantar centenas de milhões de dólares em menos de três anos para executar essa visão. A Walmart, apesar da liderança na venda no varejo de tijolos e argamassas, teve uma queda em relação a Amazon nos últimos anos.

As vendas online da companhia de Bentonville, Arkansas, somaram apenas 3% dos US$ 482 bilhões de dólares de receita total no ano passado. A Amazon, em comparação, teve quase US$ 100 bilhões em vendas de e-commerce, sem contar a receita gerada pela sua divisão especializada em computação na nuvem.
Por US$ 3,3 bilhões, o negócio supera os US$ 2,4 bilhões da QVC pela Zulily.com no ano passado. É também o segundo bilhão de dólares em aquisição de e-commerce no verão no Hemisfério Norte após a Unilever acertar a compra da Dollar Shave Club no mês passado por US$ 1 bilhão.

LEIA MAIS: Como Mark Zuckerberg foi o bilionário que mais faturou no último ano

Para Lore, o acordo é agridoce. Ao fundar a Jet, o empresário tinha o objetivo de democratizar o e-commerce com uma marca própria que poderia concorrer com os preços da Amazon em compras online. Em sua vida curta como uma empresa independente, a Jet mudou seu modelo de negócios e acumulou mais de US$ 550 milhões em capital de risco e financiamento da dívida. Na última rodada de financiamento, a Jet foi avaliada em cerca de US$ 1,5 bilhão.

A Amazon comprou a antiga startup de Lore, Quidsi, em 2010 por US$ 550 milhões. O acordo veio depois que a empresa, que operava sites como Diapers.com, entrou em uma briga com a Amazon sobre o preço dos produtos para bebês. Seguindo essa aquisição, Lore passou alguns anos com a gigante da tecnologia, até que percebeu que certas operações internas eram, para sua ideia de negócios, antiética.

LEIA MAIS: Eduardo Gouveia: “O Brasil sairá desta crise antes do que se imagina”

Em uma entrevista em a “Bloomberg Businessweek” antes do lançamento do Jet, ele explicou como estava desenvolvendo a companhia (aberta e comunicativa) enquanto evitando a aproximação agressiva da Amazon. “Se alguém está infeliz aqui e não vê uma oportunidade de crescimento, OK, boa sorte, pode ir para o Walmart”, ele disse. “Quero provar para mim mesmo que uma cultura diferente pode, sim, funcionar e que você não precisa ter certas atitudes para ser bem-sucedido.”

Atualmente, Lore trabalha com o Walmart.

Comentários
Topo