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Conheça a varejista de moda australiana de US$ 1 bilhão

Reprodução/Forbes

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Pippa Grange é a administradora geral de cultura, liderança e ética do Cotton On Group, a maior varejista de moda australiana ­— com US$ 1 bilhão em vendas no ano passado e mais de 1.400 lojas ao redor do mundo. O que torna essa companhia interessante não é apenas seu sucesso óbvio, mas o fato que o grupo conquistou um crescimento de 20% por ano nos últimos 6 anos.

FORBES entrou em contato com Pippa para uma entrevista que você confere a seguir:

FORBES: Várias companhias norte-americanas ainda acreditam que crescimento e ética de trabalho são coisas que dependem apenas da sorte. Como você conquistou US$ 1 bilhão em vendas enquanto se mantinha fiel aos seus ideais e garantia um emprego salubre para seus empregados?

Pippa Grange: Como um negócio privado e de família, nós nos orgulhamos de ter laços fortes e duradouros com nossas 346 fornecedoras parceiras. Nós as consideramos uma parte integral de nossa companhia e uma extensão de nossa frota global de lojas. À medida que nossos negócios crescem, tocamos clientes e comunidades ao redor do mundo – estamos comprometidos em nos certificar de que nossos produtos vêm e são feitos em ambientes seguros e sustentáveis. Fazemos o que fazemos porque não é a coisa certa a se fazer, mas sim o jeito certo de se fazer negócios.

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FORBES: O Cotton On Group foi inovador de várias maneiras. Como a ideia dessa ética diferente de trabalho surgiu?

Grange: Com laços muito fortes com a indústria têxtil, nosso fundador, Nigel Austin, passou grande parte de sua vida viajando para lugares como a China e Bangladesh. Enquanto estava lá, desenvolveu boas relações com um grande número de parceiros, alguns desses ainda permanecem conosco até hoje – depois de 25 anos.

Nigel era apaixonado pela ideia de desenvolver e implementar um programa que iria guiar e governar o abastecimento ético, a fabricação e o fornecimento dos produtos da Cotton On. Ele focou em garantir que os trabalhadores tivessem locais de trabalho seguros e priorizou a proteção dos direitos dos trabalhadores. Em 2009, nosso Ethical Sourcing Program (Programa de Fornecimento Ético) nasceu.

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FORBES: Quais foram os obstáculos ao longo do caminho?

Grange: Alguns desafios surgiram junto com as operações ao redor do mundo, como se certificar de que todos os envolvidos se sintam conectados à visão e ao legado de Nigel. Isso pode ser desafiador para ser implementado quando se leva em conta a barreira da linguagem, muito comum no comércio internacional, os fusos horários e normas culturais que vêm como resultado de trabalhar com parceiros em diferentes países.

Enquanto trabalhamos duro para educar nossos fornecedores sobre as razões por trás do nossa abordagem ética e como ele pode impactar positivamente seus negócios. Também é muito importante que ouçamos de verdade nossos clientes e prestemos atenção no que é importante.

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Por termos laços fortes com eles, conseguimos nos comunicar abertamente e honestamente um com o outro, entendendo as dificuldades do trabalho e trabalhando juntos para criar soluções positivas e sustentáveis a longo prazo. Sete anos depois, estamos orgulhosos do processo que estamos fazendo.

FORBES: Sua ética de trabalho se reflete nas suas vendas?

Grange: Nosso programa Ethical Sourcing Program nunca foi um movimento estratégico para gerar mais vendas. Nossos fornecedores parceiros são uma extensão da nossa família global e nós genuinamente nos preocupamos com melhorar a saúde e a segurança de nossos trabalhadores.

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Nossas “14 Rules to Trade (14 regras para o comércio)”, que cobrem assuntos como trabalho infantil, salário mínimo e horários justos de trabalho, guia e educa fornecedores para garantir que eles claramente entendam nossas expectativas em relação a ética e estejam cumprindo com suas responsabilidades.

Para nos assegurar de que as 14 regras estão sendo seguidas, conduzimos centenas de auditorias com nossos fornecedores por ano, onde qualquer problema que surja é exposto e resolvido com atenção para que continuemos fazendo progresso.

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FORBES: O que veio primeiro, o crescimento ou essa nova ética de trabalho?

Grange: Nosso Ethical Sourcing Program foi formalmente introduzido em 2009, quando tínhamos por volta de 500 lojas. Nos últimos sete anos, nossas 500 lojas se tornaram mais de 1.400 em 18 países, e nossas iniciativas tiveram de evoluir de acordo.

Desde o começo nossas operações éticas têm sido um foco importante para nós e trabalhamos duro para melhorar esse aspecto de nosso negócio por múltiplas iniciativas que ultrapassam o nosso Ethical Sourcing Program.

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FORBES: Quais passos você tomará para expandir seus objetivos?

Grange: Um dos nossos focos atualmente é o mapeamento total de todos os fornecedores e materiais usados em nossos produtos. Em julho de 2016, começamos a publicar os detalhes de nossos fornecedores com o objetivo de tornar todos os dados de nossa linha de produção públicos até o final de 2018.

Ter roupas feitas com algodão cultivado de um modo sustentável é incrivelmente importante para nós, tanto que nos tornamos membros da Better Cotton Initiative (organização sem fins lucrativos que visa reduzir os danos da produção de algodão), além de fundar um projeto de algodão sustentável no Quênia.

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Em 2014, estabelecemos a Bangladesh Mobile Health Clinic – um serviço de saúde disponível que tem como alvo algumas das áreas mais pobres do país e visa quebrar as barreiras tradicionalmente encaradas por comunidades na busca por tratamentos de saúde bons e acessíveis. Nos últimos dois anos, mais de 25.000 trabalhadores de fábricas de Bangladesh conseguiram ter acesso a planos de saúde de graça e informações sobre higiene e saneamento básicos

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