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O que Samsung, Boeing, Dell e Tesla têm em comum? Baterias explosivas

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O que a Samsung, a Dell, a Tesla e a Boeing têm em comum? Todas já produziram baterias de lítio que se desfizeram em chamas. A Samsung é o último exemplo de empresa com problemas relacionados com as baterias.

Depois de incidentes em que uma criança foi queimada pela bateria e um homem teve seu jipe supostamente incinerado quando seu celular entrou em combustão, a US Consumer Product Safety Commission, agência regulatória que monitora produtos e seus riscos de dano à saúde e à vida (que no Brasil se assemelha ao Inmetro) publicou uma declaração pedindo aos donos do Galaxy Note 7 que os desliguem e os desconectem de qualquer carregador. A companhia sul-coreana anunciou que fará um recall.

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De acordo com o jornal “The New York Times”, em janeiro de 2013, Boeings 787 Dreamliners tiveram problemas com suas baterias de lítio no Japão e em Boston, causando um incêndio em uma aeronave e um pouso forçado no outro caso. Como noticiado na “MIT Technology Review”, em 2013, três carros elétricos Model S pegaram fogo após suas baterias serem danificadas. E em 2006, a Dell fez o recall de 4.1 milhões de laptops quando defeitos de manufatura provocaram a autodestruição de um modelo em uma conferência no Japão, de acordo com o site “Gizmodo”.

Qichao Hu, fundador da SolidEnergy Systems, uma startup de tecnologia em Woburn, Massachussets, disse em entrevista ao jornal “Boston Globe”: “Essa bateria é realmente uma bomba.”

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A bateria de lítio pode causar curto-circuito se não for manufaturada ou desenvolvida corretamente. De acordo com a publicação de Boston, neste tipo de bateria “a eletricidade flui por um líquido inflamável. Além disso, os eletrodos da bateria podem liberar oxigênio quando aquecidos. Em uma explosão, esse curto-circuito libera calor intenso, que libera oxigênio, que se mistura com o líquido inflamável. Se a temperatura subir muito, eventualmente, haverá uma explosão”.

Este cenário é desesperador para a Samsung, que construiu uma reputação como uma marca premium de smartphones, rivalizando com a Apple. A companhia tem de descobrir o que fazer com 2.5 milhões de Galaxy Note7 no momento do lançamento do iPhone 7.

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Apesar da “crise” não ser nada benéfica para a Samsung, os 2.5 milhões de celulares representam apenas uma pequena fração dos negócios totais da empresa. Em 2015, a Samsung vendeu 324.8 milhões de smartphones ao redor do mundo e lucrou mais de US$ 22 bilhões – muito mais que o US$ 1 bilhão que terá de pagar para substituir os celulares defeituosos.

As ações da empresa de tecnologia sofreram um baque nos últimos dias. Países como Índia, Estados Unidos, Austrália e Cingapura já proibiram o uso do Galaxy Note7 em suas companhias aéreas. Alguns clientes pensam em processar a empresa.

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Não se pode dizer ao certo como essa situação se desenvolverá para a marca, mas é plausível esperar por baterias mais seguras, pelo menos.

Mas isso não significa que se deve evitar todo e qualquer tipo de bateria de lítio. De acordo com Donald Sadoway, professor do MIT, as baterias do Galaxy Note 7 vendidos na China não têm esse problema, o que pode significar que elas vêm de um fornecedor diferente – o que foi confirmado pelo site “ZDNet”. A Samsung contratou o mesmo fornecedor de baterias da Apple – a ATL.

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Apesar de ser assustador saber que as baterias de lítio podem explodir a qualquer momento, também é válido pontuar que bilhões exatamente idênticas a elas são utilizadas no dia a dia de milhões de pessoas, de laptops a carros híbridos. Falhas como essas são extremamente raras.

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