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Pequena empresa brasileira fatura R$ 100 mi com produção de fios de seda natural

Bratac, de Londrina, trabalha com 2.500 famílias sericultoras (Gabriel Teixeira)

Bratac, de Londrina, trabalha com 2.500 famílias sericultoras (Gabriel Teixeira)

A primeira tentativa de produzir seda no Brasil remonta ao tempo do imperador Dom Pedro II, que chegou a ser acionista de uma empresa no Rio de Janeiro, nos anos 1850. Mas a empreitada não vingou. A atividade só prosperou no início do século 20, quando uma colônia de japoneses se instalou em Bastos (SP) e iniciou a criação do bicho-da-seda.

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Foi para escoar a bem-sucedida produção de casulos que, em 1940, nasceu a Fiação de Seda Bratac, que manufaturava e vendia fios de seda natural. Operava com equipamentos manuais importados do Japão e, desde os primórdios, já exportava.
Hoje, com duas unidades e sede em Londrina (PR), a Bratac é uma sobrevivente: só restou ela entre mais de uma dezena de indústrias do segmento que havia no Brasil no auge da seda no país. “Somos os únicos, e isso é ruim para nós”, diz Renata Amano, neta de um dos fundadores e membro do Conselho de Administração. “Tivemos que nos tornar autossuficientes em toda a cadeia, da matéria-prima às peças das máquinas”, afirma.

Aliás, a empresa não está sozinha apenas no Brasil: é a única produtora de fios de seda em escala comercial do Ocidente. Mas seu título mais luxuoso é qualitativo: seus fios são considerados os melhores do mundo, tanto que abastecem as principais grifes de luxo da Europa. Desde 2006, a francesa Hermès só usa fios de seda da Bratac nos seus clássicos lenços de seda.

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A empresa exporta mais de 90% de sua produção, inclusive para o Japão, onde os fios são usados para a confecção dos tradicionais kimonos e até para aplicações em medicina, como sutura. Para a Itália, vão fios para vestidos de noiva de alta costura.

Renata atribui a mundialmente reconhecida qualidade dos fios da Bratac à dedicação de quem trabalha em cada etapa da cadeia altamente verticalizada da empresa. No campo, cerca de 2.500 famílias sericicultoras, em três Estados do país, são responsáveis por criar os exigentes bichos-da-seda, que só comem tenras folhas de amoreira para produzir a única matéria-prima da companhia: os casulos que fornecem fios inteiros de até 1,2 km de extensão. Nas duas fábricas da empresa, mil funcionários (80% deles, mulheres) tocam o trabalho artesanal de desenrolar e processar os fios, que são produzidos com variações customizadas para cada cliente.

Estes números aumentam a responsabilidade do atual comando da empresa, que está na terceira geração com Shigueru Taniguti Júnior, presidente, e Renata Amano. “Temos o desafio de manter a tradição desde o campo até as fábricas, sem sucumbir às facilidades da tecnologia”, diz Renata.

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O empenho está sendo recompensado: a safra passada foi a primeira em muitos anos a ter aumento, de 12%, na produção de casulos no país. A deste ano deve fechar com novo crescimento, de 4,5%, alcançando 2.990 toneladas de casulo. Com tal volume de matéria-prima, a Bratac prevê atingir em 2016 uma produção de 594,3 toneladas de fios de seda, entre grégia (cru) e torcido. Isso significa que muito mais gravatas, camisas e lenços de seda de luxo virão por aí.

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