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Investidores donos de um patrimônio de US$ 170 bi criam fundo para combater mudanças climáticas

Bill Gates

Além deste projeto, Bill Gates já investiu em startups de energia nuclear e em outros empreendimentos relacionados à sustentabilidade (Getty Images)

Bill Gates está direcionando mais de US$ 1 bilhão para combater as mudanças climáticas ao investir em inovação de energia limpa. O cofundador da Microsoft e sua equipe de investidores planejam anunciar hoje (12) o fundo “Breakthrough Energy Ventures” (BEV), que terá início no ano que vem.

O BEV, que terá uma duração de 20 anos, pretende investir em novas tecnologias de redução da emissão de gases que promovem o efeito estufa em áreas como geração e armazenamento de energia, transporte, processos industriais, agricultura e eficiência de sistemas de energia. “Nós temos a mente aberta para tudo que leve à energia barata, limpa e renovável”, afirma Gates, presidente do BEV.

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Os diretores do BEV incluem o Jack Ma, fundador do e-commerce Alibaba, Mukesh Ambani, presidente da Reliance Industries, os capitalistas de risco John Doerr e Vinod Khosla, o ex-gestor de fundos de hedge de energia John Arnold e o cofundador da SAP Hasso Plattner. De acordo com o dados estimados de FORBES e Bloomberg, juntas, as fortunas dos diretores é de aproximadamente US$ 170 bilhões.

No ano passado, Gates anunciou sua intenção de investir pessoalmente uma quantia de US$ 1 bilhão em tecnologia de energia limpa. Ele também estava entre os 28 indivíduos e famílias que assinaram para a “Breakthrough Energy Coalition”, um grupo empenhado em investir nessa área. O novo fundo, que inclui muitos deles, é o próximo passo concreto para a implantação desse capital.

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Gates afirma estar surpreso que a inovação tecnológica não seja discutida como uma das soluções para as mudanças climáticas, pois os avanços da energia limpa podem limitar compensações econômicas ao barra os combustíveis fósseis, que emitem carbono. “Tudo isso substitui um mecanismo normal de mercado em que você substitui fones de energia”, afirma o bilionário.

No entanto, uma onda recente de investimentos em tecnologia para energia teve um resultado muito negativo para muitos investidores de capital de risco. Um estudo estima que essas empresas investiram aproximadamente US$ 25 bilhões entre 2006 e 2011 e perderam mais da metade desse dinheiro. Os investimentos institucionais nessa área são limitados, o que Gates e seus colegas descrevem como uma falha de mercado em que os investimento privados em larga escala e longo prazo podem enfrentar.

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Gates sabe que o investimento em energia é mais difícil do que o investimento em tecnologia da informação: “as pessoas acham que você pode apenas colocar US$ 50 milhões e esperar dois anos e depois saber o que você tem. No espaço da energia, isso não é verdade”.

Ele adiciona também que este é um campo de investimento sem aglomeração. O BEV estima que o mercado de energia global vale US$ 6 trilhões, com a demanda de energia crescendo aproximadamente um terço até 2040.

Gates também fez grandes investimentos pessoais em várias companhias de tecnologia de energia através do anos, incluindo a startup de energia nuclear “TerraPower”, a qual ele ajudou a lançar e onde ele atua como presidente.

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Tecnologia de armazenamento de energia provavelmente é uma das áreas onde o BEV pretende investir, uma vez que o armazenamento barato e eficiente permite maior dependência de fontes de energia limpa e intermitente, como a solar e a eólica.

“Você precisa de investimento para tirar proveito das pesquisas feitas em laboratórios de universidades como Stanford, MIT, Berkeley, entre muitos outros locais, ou laboratório nacionais, e eles estão fazendo muitas pesquisas”, afirma Arun Majumdar, professor da Universidade de Stanford, que atuou como subsecretário de Energia dos Estado Unidos e está assessorando o BEV.

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No ano passado, Gates estava envolvido com o anúncio da iniciativa chamada “Mission Innovation”, onde 22 países e a União Europeia planejam dobrar os investimentos em pesquisas de energia limpa nos próximos cinco anos. Os Estados Unidos estão entre os países investidores, mas o presidente eleito Donald Trump e seus colaboradores negam os mudanças climáticas e há grandes chances do próximo governo norte-americano ser cético e relutante em relação aos investimentos.

“O diálogo com a nova administração em relação à sua visão sobre as pesquisas sobre energia será importante”, afirma Gates. “A ideia sobre essas pesquisas é um bom negócio, não é algo partidário.”

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