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McDonald’s vai repaginar McCafé em 2017

Café

Empresa pretende renovar imagem do McCafé (iStock)

O McDonald’s está perdendo reconhecimento na batalha pelos amantes de café. Por isso, a empresa planeja modificar a marca do McCafé e entrar na competição com cafeterias como a Starbucks e o Dunkin’ Donuts.

A companhia vai reintroduzir o novo conceito do McCafé em 2017, cerca de oito anos depois da sua estreia nacional, de acordo com a “Bloomberg”. Os próximos esforços da empresa vão ser direcionados para atualizar suas bebidas e obter fontes de renda mais sustentáveis para poder competir com grandes concorrentes.

“Nós estamos muito animados como a marca do McCafé e o que isso pode fazer para complementar o oferecimento de comida”, afirmou Kristy Cunningham, vice-presidente sênior de estratégia e planejamento dos Estados Unidos, em entrevista à “Bloomberg”. A nova campanha do McCafé vai incluir promoções especiais, mais bebidas sazonais e maior comercialização do programa de recompensas , segundo revelou Cunningham.

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O café ainda é um mercado muito lucrativo nos Estados Unidos, mas as companhias de fast-food não conseguiram se beneficiar muito neste ramo. Segundo a “Bloomberg”, as vendas das redes de hambúrgueres cresceram apenas 3,3% no último ano, comparado com o aumento de quase 10% das vendas de café, de acordo com a empresa de pesquisas Technomic. O McCafé gera US$ 4 bilhões em vendas anualmente nos Estados Unidos, mas segundo Cunningham, eles poderiam atender melhor seus clientes.

A Starbucks e a Dunkin Donuts atraíram seus consumidores com bebidas como espresso, lattes e mochas, mas mesmo que o McDonald’s ofereça um amplo cardápio de opções, ele não se tornou o ponto de compra dos amantes do produto.

Dar ênfase no ramo do café é algo crítico em um período em que as vendas de alimentos estão sob pressão. Os supermercados têm preços mais baixos, e isso faz com que as pessoas prefiram comer em casa em vez de comer em restaurantes. Postos de gasolina e outros comércios também estão vendendo cada vez mais refeições pré-prontas, fato que também aumenta a competitividade.

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O McDonald’s procura construir seu sucesso neste ramo investindo no seu cardápio de café da manhã que dura o dia inteiro, lançado no ano passado nos Estados Unidos. Eles também estão atualizando as lojas com serviços de mesa e mais quiosques com pedidos feitos em telas touch-screen. Essas inovações ajudaram a recuperar um pouco seu crescimento, mas eles não podem ficar tranquilos: as vendas nacionais cresceram apenas 1,3% no último trimestre, e o McDonald’s está enfrentando um declínio do número de consumidores nas lojas.

O McDonald’s não é o único lutando para ganhar espaço nesse mercado. O Burger King também introduziu 10 novas bebidas no Seattle Best drinks em 2013, incluindo lattes saborizados, mas o lançamento fracassou. Mais tarde a companhia se fundiu com a Tim Hortons, uma marca canadense de café concorrente, mas as duas empresas permanecem distintas.

A companhia ainda planeja dar ênfase na sua vantagem de preço em relação à Starbucks para ajudar a marca do McCafé. A companhia planeja vender cafés por US$ 1 e fazer pequenas promoções de bebidas especiais por US$ 2 no primeiro trimestre de 2017, afirmou Cunningham.

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A rede, que possui aproximadamente 14.000 restaurantes só nos Estados Unidos, afirmou que comprará todo o seu café de fontes sustentáveis até 2020. Assim como a Starbucks, a empresa também vendeu lattes de abóbora no outono norte-americano.

A companhia abriu seu primeiro McCafé independente em Toronto no ano passado, uma estratégia que, segundo eles, “mostra a paixão da companhia por elevar a experiência com café”. Agora, o McDonald’s vende bebidas como o café Americano e pequenos copos de expresso nos seus restaurantes canadenses. Agora, as instalações do McCafé até assam seus próprios salgados e outros alimentos fornecidos no próprio local.

Nos Estados Unidos, o McDonald’s está atualizando suas máquinas de café com equipamentos que criam bebidas mais consistentes, de acordo com Cunningham. Segundo a “Bloomberg”, essas novas ferramentas, que têm uma tecnologia de produção de leite e que permite o consumidor escolher uma maior variedade de bebidas, custam aproximadamente US$ 12 mil cada.

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Entretanto, o consumidor padrão de refeições como almoço e jantar do McDonald’s é de baixa renda, e geralmente eles não são tão aventureiros quando se trata de café, afirma Will Slabaugh, analista no banco de investimentos “Stephens”. Os consumidores estão esperando algo que tenha um bom preço e que seja mais familiar, segundo ele.

“Isso vai continuar a ser uma construção demorada para eles, especialmente neste tipo de ambiente onde os consumidores esperam bons preços”, afirmou Slabaugh à “Bloomberg”. “Eu não espero que isso seja uma estratégia grande e realmente necessária para eles”.

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