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De Rei da Soja a ministro: conheça a trajetória de Blairo Maggi

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Blairo Maggi carimbou sua administração com a marca do desenvolvimento econômico do Mato Grosso e da agenda ambiental (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Blairo Maggi tem a agricultura no DNA. O ministro é filho do gaúcho André Antônio Maggi, um dos pioneiros no cultivo de soja no Mato Grosso e fundador da Sementes Maggi, que se tornou depois o grupo Amaggi, hoje um dos maiores produtores do grão no mundo.

Graduado em agronomia pela Universidade Federal do Paraná, onde a família começou os negócios, Blairo ajudou o pai (falecido em 2001) a criar o grupo Amaggi, depois que o clã se mudou para o Centro-Oeste, para iniciar o cultivo em áreas inexploradas. Hoje, o ministro é um dos principais acionistas do conglomerado junto com a mãe, Lúcia, os cunhados Itamar Locks e Hugo de Carvalho Ribeiro e a irmã Marli Maggi Pissollo.

Os Maggi chegaram a ser líderes mundiais na produção de soja no início dos anos 1990 e 2000, o que rendeu a Blairo o epíteto de “rei da soja”. Embora o grão dourado tenha dado fama à família e seja sua principal commodity, o gigante do agronegócio também produz milho e algodão.

"Um administrador público não pode fazer nada que não seja previsto em lei; no setor privado nós podemos fazer tudo que não seja proibido por lei", Blairo Maggi

O ministro gosta de lembrar que tem o “pé na roça”. A expertise como produtor e administrador de um grupo de agronegócio costuma nortear suas pautas desde que estendeu o braço à política, em 1994. Naquele ano, Blairo tornou-se suplente do senador Jonas Pinheiro, que foi do PDS e PFL (depois DEM) do MT.

Em 2002, entrou como azarão na disputa pelo governo do Mato Grosso pelo PPS e venceu no primeiro turno, com 51% dos votos – um fenômeno semelhante ao que João Doria experimentou na corrida à prefeitura paulistana. Em 2006, reelegeu-se com 63,59% dos votos e trocou de legenda, entrando no PR.

Como governador, o hoje ministro carimbou sua administração com a marca do desenvolvimento econômico do Mato Grosso e da agenda ambiental. Atacado pelos ambientalistas e acusado de desmatamento para o plantio de soja, conseguiu reverter sua imagem ao adotar (no governo e na própria empresa) uma série de medidas para conter a devastação no estado.

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Em 2007, costurou a Moratória da Soja e da Carne, acordos espontâneos com os produtores que tinham como meta garantir que até 2010 não houvesse nenhum hectare plantado ou ocupado em Área de Preservação Permanente (APP) no Mato Grosso. O primeiro passo foi suspender o plantio nessas áreas e depois recuperar a área degradada.

E a mudança de comportamento foi aplicada pelo próprio grupo empresarial do então governador. “Sem a participação ativa do Grupo Amaggi, a moratória da soja não teria saído”, admitiu o pesquisador Daniel Nepstad, ex-presidente do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), uma referência em preservação na Região Norte.

Para resguardar as fronteiras da floresta, o governador Maggi também aprimorou a fiscalização e expandiu as áreas protegidas em territórios indígenas. “Estamos trabalhando para produzir de forma correta, fazer as coisas como a lei determina, sem prejudicar o desenvolvimento da economia”, definiu na ocasião, em um evento na Holanda.

Depois de ameaçar largar a política, foi eleito senador em 2010, com 1 milhão de votos válidos. Como senador, assumiu em 2013 a presidência da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle da casa.

Em maio deste ano, Blairo foi convidado a assumir a cadeira de ministro da Agricultura do governo de Michel Temer. “O Brasil moderno precisa socorrer, olhar e cuidar em determinados momentos, mas ser permanentemente protecionista acho que não é o caminho correto”, defendeu.

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Recentemente, Maggi teve lançada sua candidatura à Presidência da República nas eleições de 2018, pelo PP.

FORBES Brasil: A longa experiência na condução de um negócio do setor primário faz diferença à frente de um Ministério que representa este mesmo setor?

Ministro Blairo Maggi: Com certeza. Quando atuava apenas como empresário, fazia críticas ao setor público, principalmente por causa da lentidão nos processos. Quando entrei para a vida pública, procurei fazer com que aqueles pontos que mais criticava fossem modificados. Lógico que existem muitas diferenças e temos que ter um cuidado maior porque um dos princípios da administração pública é o da legalidade. Por isso, um administrador público não pode fazer nada que não seja previsto em lei, enquanto que no setor privado nós podemos fazer tudo que não seja proibido por lei. Mas, dentro da legalidade, temos procurado mudar isso. Não por acaso, lançamos em agosto o Agro+, um programa que visa a simplificar os processos internos do Ministério e atender melhor nossos clientes, que são os produtores rurais. Antes de lançarmos esse programa, ouvimos o setor. Chegamos a receber mais de 315 demandas. Dessas, até agora, cerca de 100 já foram atendidas.

E a expertise como administrador pode ser aproveitada na condução de um cargo público?

Sim. Apesar das diferenças entre a administração pública e privada, temos que modernizar o setor público criando mecanismos que possibilitem ao governo cumprir seu papel, que é de fiscalizador, sem prejudicar o setor privado, incentivando a produção e a geração de emprego e renda. Afinal, quem gera riqueza é o setor privado, não o público.

Quais conceitos de gestão procura aplicar no governo?

Um dos principais é a redução da burocracia. Sempre digo que, se o governo não atrapalhar, o setor produtivo já faz muito. Aqui, nas reuniões que faço com o meu pessoal, afirmo que o servidor público é importante por dizer sim, e não por dizer não. Com isso, quero dizer que necessitamos ter processos menos complexos, mais fáceis, e daí conseguir reduzir o custo Brasil, que é o custo da burocracia excessiva.

É possível aproximar o setor público da eficiência do setor privado?

Acredito que sim, mas para isso é preciso que se modifique toda essa nossa cultura de burocracia, de excesso de papéis e de processos.

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