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Google sofre boicote de agências de publicidade

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empresas e agências de publicidade se manifestaram dizendo que planejam retirar completamente seus investimentos em anúncios do YouTube (iStock)

A Google decidiu retirar do ar vários comerciais veiculados no YouTube em decorrência de preocupações com os conteúdos extremistas. Até o momento, a empresa parecia não ter se dado conta de que os anúncios comercializados por seu intermédio estavam aparecendo ao lado de vídeo de discursos homofóbicos e de ódio. Mas, agora, empresas e agências de publicidade se manifestaram dizendo que planejam retirar completamente seus investimentos em anúncios da plataforma.

O próprio governo do Reino Unido já retirou toda a publicidade feita na plataforma, incluindo as propagandas de esclarecimentos sobre o recrutamento militar e as campanhas de doação de sangue

Um dos mais recentes integrantes desta lista é o braço britânico da agência de publicidade francesa Havas, uma das maiores do mundo, que tem como clientes Domino’s, Emirates e BBC. Ela retirou todos os anúncios do YouTube no Reino Unido – um investimento de cerca de US$ 217 milhões por ano. “A Havas decidiu proteger as marcas que representa devido à falta de uma política mais efetiva do YouTube”, disse o CEO Paul Frampton Calero.
Empresas de comunicação como a “BBC” e o “The Guardian” também retiraram seus anúncios, assim como L’Oreal, Honda e a rede de supermercados Sainsbury’s. O GroupM, parte da multinacional de publicidade e relações públicas WPP, também já deu indícios de que pode seguir o mesmo caminho.

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O imbróglio começou com uma reportagem do “The Times” que revelou que vídeos extremistas publicados no YouTube, como os do nacionalista norte-americano David Duke e do fundamentalista religioso Steven Anderson, pastor que nega o holocausto, possuíam anúncios. Essas inserções são feitas pelo serviço DoubleClick Ad Exchange Service do Google, o AdX, que opera por meio de mídia programática e publica os anúncios automaticamente. Estes anúncios têm sido uma porta de entrada de receita para os extremistas – cerca de US$ 7,50 a cada mil visualizações – e também para o próprio Google.

Com a repercussão, o Google foi convocado para uma conversa no departamento do governo do Reino Unido com a presidente do comitê Home Affairs Select Committee, Yvette Cooper, que classificou as atividades como “extremamente preocupantes”. “É inexplicável que o Google consiga se mover tão rapidamente para retirar do ar materiais que envolvam direitos autorais e o mesmo não aconteça quando o tema está relacionado a organizações ilegais e conteúdos de ódio”, escreveu ela em uma mensagem enviada à companhia. “O Comitê aguarda um esclarecimento sobre como parte dos significativos lucros obtidos pelo YouTube serão empregados para resolver este problema e garantir que todo conteúdo vil e imoral seja removido proativamente de suas plataformas, de forma que nem os autores dos vídeos, nem a empresa, possam lucrar com o ódio.”

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O próprio governo já retirou toda a publicidade feita na plataforma, incluindo as propagandas de esclarecimentos sobre o recrutamento militar e as campanhas de doação de sangue, e aguardam um posicionamento do Google sobre o reembolso dos valores investidos.

“É totalmente inaceitável que anúncios bancados com o dinheiro de impostos, ou seja, pelos contribuintes, apareçam perto de conteúdo inapropriado na internet, e essa mensagem foi passada muito claramente para o Google”, revelou um porta-voz do governo a FORBES. “Dissemos ao Google que estamos esperando um plano e um cronograma de trabalho para melhorar a proteção aos anúncios governamentais e garantir que essa situação não se repita. Enquanto isso, os anúncios continuam em regime de espera.”

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O porta-voz ainda afirmou que o Google será chamado novamente em uma espécie de reunião de acompanhamento, para revelar seus próximos passos.

“Ouvimos dos nossos anunciantes e das agências, de forma muito clara, que podemos fornecer maneiras mais simples e eficientes para impedir que suas peças publicitárias sejam exibidas ao lado de conteúdos controversos” disse o diretor-executivo do Google no Reino Unido, Ronan Harris, em um comunicado. “Embora tenhamos uma grande variedade de ferramentas para dar controle às agências de onde os anúncios serão exibidos, como a exclusão de determinados tópicos e sites, podemos incrementar o trabalho de identificar e abordar o pequeno número de vídeos e conteúdos inapropriadamente monetizados.”

O executivo acrescenta que o Google está, neste momento, revendo suas políticas e planos para efetuar as mudanças.

Essas mudanças, em outras palavras, colocará a responsabilidade sobre os publicitários. E, na próxima vez que este tipo de coisa acontecer – e vai acontecer – o Google estará pronto para não assumir toda a culpa sozinho.

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