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Mercado negro chinês descobre – e vende – informações pessoais por US$ 30

Basta ter o número do telefone para rastrear até depósitos em banco

Basta ter o número do telefone para rastrear até depósitos em banco

Existe um mercado negro na China que oferece informações sobre qualquer pessoa no país. E tudo o que você precisa para contratar o serviço são US$ 30 e o número de telefone da pessoa, denunciou uma reportagem feita pelo “Mashable”.

De acordo com o site, a emissora chinesa CCTV descobriu que é possível obter dados como número da identidade, endereço e até a localização atual com base nos aparelhos celulares. O acesso aos dados pessoais de um indivíduo custa cerca de 20 iuanes (US$ 2.90), enquanto informações mais detalhadas podem chegar a até 220 iuanes (US$ 32). Registros de viagem e de transporte – incluindo os da Didi Chuxing, o concorrente chinês do Uber – podem sair por 55 iuanes cada (US$ 8).Já os registros telefônicos são os mais caros, com preços que variam de 1.500 a 2.000 iuanes (US$ 218 a US$ 291).

A CCTV localizou vendedores que faziam propaganda do serviço no QQ, o maior aplicativo de mensagens instantâneas da China. Alguns dos grupos de conversa possuem mais de 1.900 integrantes. Um repórter da emissora conseguiu comprar, anonimamente, as informações pessoais de um colega – que teria confirmado todos os dados.

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Ainda não se sabe como as informações são obtidas pelos vendedores. Eles apenas garantiram que conseguem rastrear a localização de alguém (até 50 metros) apenas com o número do celular. A CCTV informou que eles foram capazes de rastrear a localização de um funcionário com precisão, assim como anunciado, duas vezes em uma mesma noite.

Uma matéria do “Southern Metropolis Daily” publicada em janeiro informou que o mercado negro de informações estava vendendo dados pessoais por cerca de 700 iuanes (ou US$ 101) por pessoa, incluindo número do RG, registros em hotéis, vôos, entradas em países, aluguel de apartamento, movimentações imobiliárias e até mesmo depósitos em grandes bancos chineses.

Quando questionada pelo “Mashable”, a Didi Chuxing disse, por meio de um representante, que contactou a polícia imediatamente após a veiculação da reportagem e que abriu uma sindicância interna para apurar os fatos, além de ter suspendido um funcionário da área do suporte técnico acusado de acessar dados ilegalmente para obter vantagens pessoais. “Estamos alertas de que precisamos de vigilância perpétua contra qualquer tentativa de quebra da nossa barreira de informação”, disse o porta-voz. “Continuaremos a investir em tecnologia de segurança para fortalecer nossa aliança com outros negócios e agências protegidas pela lei.”

A legislação considera a troca de dados pessoais uma “grande indústria underground” desde 2013, mas uma pesquisa online da Internet Society of China divulgada pelo “Wall Street Journal” descobriu que cerca de um terço dos chineses já perdeu dinheiro com fraudes na internet.

A China possui mais de 40 leis sobre retenção de informações pessoais, mas nenhuma nacional unificada de privacidade.

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