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Zuckerberg prevê que em breve smartphones e tablets vão desaparecer

Mark Zuckerberg

Planos do Facebook podem mudar o rumo da tecnologia (Getty Images)

Na conferência F8, realizada pelo Facebook na semana passada em San Jose, na Califórnia, o CEO Mark Zuckerberg cortou pela metade seu ambicioso plano de 10 anos para a empresa, revelado em abril de 2016.

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Na versão atual do planejamento, o bilionário estabeleceu três estágios de ação para o Facebook. No primeiro deles, Zuckerberg pretende desenvolver uma tecnologia limpa e de ponta. O segundo passo é construir um produto baseado nela. Depois, será necessário transformá-lo em um ecossistema onde os desenvolvedores e outras companhias possam usar essa tecnologia para construir o seu próprio negócio.

O mundo que o Facebook está começando a construir é muito descolado e insanamente ambicioso

No ano passado, o plano apresentado por Zuckerberg foi classificado como de grande visão, mas com poucas especificações. No imaginário ano de 2026 do Facebook, todas as pessoas teriam acesso à internet, mas muitas delas provavelmente seriam abastecidas pelo Internet.org, braço de conectividade da rede social. Zuckerberg reiterou, na semana passada, que a empresa está trabalhando em óculos inteligentes que se pareceriam com óculos casuais do dia a dia.

E, sustentando tudo isso, está a inteligência artificial, que o Facebook garante que será boa o suficiente para que possamos conversar com computadores do mesmo jeito que conversamos com pessoas.

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Um mundo sem telas

Para os amantes da ficção científica, o mundo que o Facebook está começando a construir é muito descolado e insanamente ambicioso. Em vez de transformarmos os nossos smartphones, tablets, televisores ou qualquer outra coisa com uma tela em um computador, as coisas seriam projetadas nos nossos olhos, enquanto escrevemos com o nosso cérebro. Ou seja: aparelhos extremamente presentes na vida das pessoas, como os celulares, podem sucumbir com o avanço dessa tecnologia.

Um mundo com uma “mistura” de realidade virtual e real é muito excitante para a sociedade e para os acionistas do Facebook. Mas também abre as portas para um cenário futurista insano, onde a companhia – ou alguma outra empresa de tecnologia – torna-se o intermediário de tudo o que as pessoas vêem, escutam e, talvez, até pensam.

Agora estamos um ano mais próximos da visão de 2026 do Facebook, e as coisas estão um pouco devagar. Apesar disso, não há dúvida de que esses desenvolvimentos estão sendo feitos, enquanto os planos da rede social para realidade virtual e aumentada, conectividade universal na internet e inteligência artificial começam a sair da fantasia para se tornar realidade.

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Na realidade, Michael Abrash, cientista chefe da Oculus, empresa comprada pelo Facebook, afirmou na semana passada que poderíamos estar a apenas cinco anos de distância de um óculos de realidade aumentada bom o suficiente para se tornar popular. E, agora, o Facebook está desenvolvendo uma tecnologia que poderia fazer com que você “escrevesse” com o seu cérebro, o que significa que você poderia digitar, selecionar e clicar quando pensasse enquanto estivesse usando os óculos inteligentes. Essa é uma pista da plataforma Camera Effects, do Facebook, que faz do telefone um dispositivo de realidade aumentada.

O potencial é enorme. Lembre-se que missão da companhia está relacionada a compartilhamento, e este tipo de teletransporte virtual, onipresente e interativo é um meio imensamente poderoso para tal fim.

Nesta semana, a Oculus revelou o Facebook Spaces, um aplicativo “RV social” que permite que as pessoas imersas na realidade virtual se reúnam umas com as outras, mesmo que algumas delas estejam no mundo real e outras estejam conectadas a um fone de ouvido. É um pouco assustador, mas esta é a forma como o Facebook vê você e seus amigos passando um tempo juntos no futuro.

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Caso você esteja usando os óculos, não há garantia que de a pessoa que está pegando o seu pedido no McDonald’s, por exemplo, seja um humano. Imagine um avatar virtual sentado no caixa, projetado na frente dos seus olhos e pegando o seu pedido.

Com o anúncio do Facebook sobre os planos de renovar sua plataforma Messenger com ferramentas de inteligência artificial, para torná-la mais amigável para os negócios, pensar no caixa virtual de fast-food não é algo tão exagerado.

Os chatbots do Facebook Messenger têm se esforçado para ganhar aceitação do público desde que foram introduzidos há um ano, mas como demonstrado pelo Xiaoice (a linguagem chatbot desenvolvida pela Microsoft) e pelo desastre da Tay (ferramenta de inteligência artificial criada para conversar com as pessoas no Twitter, mas que acabou se tornando um símbolo de preconceito), estamos avançando em direção a sistemas mais humanos do que simplesmente falar. E se o plano do Facebook para fazer você “ouvir” com a pele for adiante, as pessoas poderão falar com você (usando o óculos) e você poderá responder apenas com um pensamento.

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Se todos nós estamos vivemos neste tipo de mundo semi-virtual, o Facebook é a chave para todas as interações e, inevitavelmente, para cada transação financeira que realizarmos nessa esfera. Isso poderia render um monte de dinheiro para a empresa.

Então é bem provável que ainda estejamos a pelo menos uma década de distância deste mundo tecnológico projetado pelo Facebook. Mas, com a gigante da tecnologia enfrentando novas questões sobre o seu papel em nossas vidas pessoais e até nas eleições, é importante lembrar que muito disso dá à rede social – assim como a empresas como Apple, Google e Microsoft – um controle sem precedentes sobre as nossas concepções da realidade.

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