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Cabify aposta no mercado corporativo com investimento de US$ 200 milhões

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Aporte tem como destino entrar nas cidades onde o serviço ainda não está e fortalecer a plataforma tecnológica (iStock)

Prestes a completar um ano de operação no Brasil, a empresa espanhola de transporte privado de passageiros Cabify anunciou recentemente um investimento de US$ 200 milhões no país. O aporte será usado para iniciar a operação em cidades onde ainda não atua, especialmente no Nordeste, e para fortalecer tecnologicamente os serviços nos locais onde a empresa já opera – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Campinas, Santos e, recentemente, Brasília e Curitiba.

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Com o investimento, um dos objetivos da companhia é consolidar o Cabify Corporate, serviço destinado às empresas. Conhecida por ser uma das concorrentes do Uber, sua atuação inicial foi exatamente como provedor de serviço de transporte corporativo, facilitando a mobilidade de executivos de grandes empresas em Madri. Atualmente, 40% da operação brasileira já atende empresas por meio do Corporate. “A regra é o serviço chegar a uma cidade a cada 30 dias, um mês depois do lançamento do Cabify Lite”, explica Luísa Aguiar, chefe de vendas da Cabify Brasil. A executiva afirma que o início da operação da modalidade Lite (destinada ao público em geral) é uma oportunidade para entender a dinâmica do trânsito local, os horários de pico e quando as pessoas utilizam o aplicativo para se deslocar ao trabalho, abrindo caminho para o início das operações do modo Corporate no novo local.

Executiva garante que a modalidade corporativa possibilita uma economia para a empresa de até 45% no custo de deslocamento de seus funcionários

Luísa diz que o serviço possibilita uma economia para a empresa de até 45% no custo de deslocamento de seus funcionários. Essa redução é possível graças ao modelo de precificação do aplicativo (tanto no Lite quanto no Corporate), que é diferente do praticado por táxis e pelo Uber. “Distância é o fator de cálculo”, afirma o CEO da companhia no Brasil, Daniel Velazco-Bedoya. O executivo argumenta que, em cidades com o trânsito lento, o custo da corrida pode ficar imprevisível, por isso a empresa optou por essa forma de cobrança.

Velazco ressalta, entretanto, que o preço do aplicativo espanhol é um pouco acima do de seus concorrentes devido à qualidade e segurança proporcionada pela frota, cuja seleção de motoristas (para os dois segmentos) segue regras rígidas. “Analisamos os documentos do carro e a sua situação, oferecemos treinamento, que inclui até recomendação de traje, e realizamos exames médicos e toxicológicos nos candidatos”, explica. De acordo com o executivo, existem atualmente 140 mil brasileiros disputando um lugar de motorista para oferecer seus serviços ao Cabify. Mas, para manter a qualidade e uma remuneração maior aos colaboradores, não há como absorver tal demanda. No Corporate, Luísa alerta que os requisitos vão além, como a fluência em um segundo idioma.

Regulamentação

Velazco defendeu a criação de uma regulamentação para o serviço de transporte privado de passageiros no Brasil. “Ela é necessária para desenvolver a operação”, explica. O executivo demonstrou ser favorável a uma legislação semelhante à adotada pela Prefeitura de São Paulo, pois seu foco está nos usuários – e não nos aplicativos. Diz, ainda, que o melhor modelo seria uma legislação federal, que apresente diretrizes para que cada município estabeleça a regulamentação de acordo com as suas especificidades.

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No início do mês, a Câmara dos Deputados votou um projeto de lei de regulamentação do serviço, que estabeleceu as prefeituras como responsáveis pelo estabelecimento de regras a aplicativos como o Cabify e Uber, desde que os carros sejam autorizados e utilizem placas vermelhas, seguindo as regras estabelecidas para os táxis.

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