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Como três jovens criaram uma plataforma de mensagens para ajudar refugiados

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O objetivo da empresa é se tornar o novo padrão para serviços de tradução, com o maior número de idiomas possível. (iStock)

Em meio à crescente crise de refugiados, cidadãos a oceanos de distância do conflito frequentemente se sentem impotentes, sem saber como ajudar. Ainda que existam muitas organizações de caridade com as quais vale a pena contribuir, para as pessoas bilíngues de todo o mundo há uma nova maneira de oferecer ajuda: serviços de tradução para refugiados e voluntários que estão no meio dos conflitos.

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Lançado no fim de janeiro deste ano, o Tarjimly é uma plataforma integrada ao Facebook Messenger que conecta em tempo real tradutores ao redor do mundo a refugiados, organizações sem fins lucrativos e imigrantes que necessitem de suporte de comunicação. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, há mais de 22,5 milhões de pessoas nessa situação no mundo todo.

“A comunicação é um dos maiores problemas enfrentados, independentemente de as pessoas estarem presas em campos de refugiados, em busca segurança ou na tentativa de se reestabelecer em um novo local”, diz o cofundador Atif Javed. “Eles sofrem para conseguir se comunicar em questões do dia-a-dia e, às vezes, precisam de ajuda em cenários de vida ou morte. É inaceitável que essas pessoas sofram, ou até morram, por falta de comunicação. As ferramentas de tradução existentes são robóticas e imprecisas.”

Javed diz que sua experiência e paixão para resolver esse problema vêm do período em que trabalhou em empresas de tecnologia como Tesla, Apple e NASA e de quando foi o mais jovem gerente de produtos na história da Oracle. Atualmente, ele é gerente de produto da AJ+. “Percebi que posso fornecer dados para as pessoas com o clique de um botão, mas não posso oferecer nada para quem corre o risco de morrer em campos de refugiados.” Foi essa percepção, junto da proibição da entrada de muçulmanos nos EUA, que estimulou a criação do Tarjimly.

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Atif Javed, Aziz Alghunaim e Abubakar Abib, cofundadores do Tarjimly. (Reprodução/FORBES)

O Tarjimly foi elaborado por três jovens da geração millenial, graduados pelo MIT: Atif Javed; Aziz Alghunaim, engenheiro de software; e Abubakar Abib, atualmente candidato a PhD em Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquinas na Universidade de Stanford. Javed conta que, depois da graduação, os três amigos, todos norte-americanos muçulmanos, perceberam que alguma coisa precisava ser feita. “Vivemos em um mundo com um ódio crescente em relação à nossa fé, uma interminável crise de refugiados e uma onda de xenofobia em nosso país”, diz Javed.

A tecnologia do Tarjinly utiliza sofisticados algoritmos de roteamento por meio de feedback implícito e explícito, um nível de sofisticação que Javed diz que custaria a empresas tradicionais milhões de dólares para ser criado. Ainda assim, por meio de um time experiente e com empatia pela questão, o Tarjimly se prepara para ter parcerias com mais de 15 organizações ao redor do mundo. A ferramenta oferece serviços de tradução por meio de voluntários e já recrutou mais de 2.200 interessados, que passaram por um teste de fluência, para oferecer suporte aos refugiados, ao staff médico e a outros voluntários em ambientes de crise.

“O Tarjimly ajuda quem deseja fazer mais do que apenas postar no Facebook ou doar dinheiro. A plataforma nos permite estabelecer conexão e auxiliar as pessoas a traduzir textos, imagens, documentos e notas em áudio via Messenger, um aplicativo que os refugiados já utilizam”, diz Javed.

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A decisão de lançar o Tarjimly no Facebook Messenger foi estratégica para encontrar refugiados e voluntários familiarizados com a plataforma. É essa estratégia que mantém o time focado em atingir o maior número possível de pessoas. No último mês de abril, o staff do Facebook percebeu os esforços dos três fundadores. David Marcus, vice-presidente do Messenger, elogiou a iniciativa na F8, conferência do Facebook. Como exemplo, falou sobre os serviços de tradução oferecidos por Murad, um voluntário do Marrocos que ajudou uma família refugiada a se reestabelecer em San Diego, nos EUA.

“Nossa visão é um mundo onde refugiados não sejam mais estatísticas em nossa mente, mas pessoas reais com que falamos e a quem ajudamos todos os dias”, diz Javed.

O jovem empreendedor afirma que esse é apenas o começo para o Tarjimly. Como uma empresa de tecnologia, o objetivo é se tornar o novo padrão para serviços de tradução, com o maior número de idiomas possível. A startup foca atualmente no Árabe, no Farsi e no Pashto, pois lançou o serviço para refugiados. No futuro, o time espera incluir ajuda para viajantes e professores de inglês.

“É muito fácil que histórias reais se tornem estatísticas rapidamente. A melhor coisa que você pode fazer é se engajar ativamente com refugiados em sua comunidade e na sua área. O impacto real se dá ao ajudar pessoas reais”, diz Javed.

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