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China pode superar Estados Unidos em inteligência artificial

Nos últimos tempos, a tecnologia vem sendo incorporada às principais plataformas de comércio eletrônico do país, incluindo Baidu, Alibaba e Tencent, assim como aos setores tradicionais baseados em dados. (Reprodução/FORBES)

A palavra da moda nas comunidades de negócios e tecnologia da China no último ano foi “AI” (inteligência artificial, da sigla em inglês), tecnologia que permite que um software “aprenda” a maneira de pensar dos seres humanos. Nos últimos tempos, a AI vem sendo incorporada às principais plataformas de comércio eletrônico do país, incluindo Baidu, Alibaba e Tencent, assim como aos setores tradicionais baseados em dados.

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Com forte apoio do governo e grande concentração de pesquisas na área, a inteligência artificial está se posicionando para impulsionar a economia chinesa em direção a níveis mais altos de crescimento.

O grupo informalmente apelidado de BAT - Baidu, Alibaba e Tencent - está liderando a implantação da AI na China

Grandes planos

A China está desenvolvendo inteligência artificial para melhorar a capacidade dos robôs, desenvolver carros autônomos, prever as preferências do consumidor e os inventários, vender produtos aprimorados e anunciar bens e serviços. De acordo com Liu Lihua, vice-ministro de Indústria e Tecnologia da Informação, até então a China deu entrada em 15.745 patentes relacionadas à tecnologia.

Wang Gang, ministro da Ciência e Tecnologia, declarou, no início do mês, que a China tem como objetivo lançar um plano nacional de inteligência artificial, que vai fortalecer o desenvolvimento e a aplicação da tecnologia, introduzir políticas para conter riscos associados a ela e trabalhar em busca de cooperação internacional. O plano também oferecerá fundos para apoiar estas iniciativas.

Além disso, alguns municípios colaboram com programas de pesquisa na área. Pequim, por exemplo, é o lar do CAS Institute of Automation, um consórcio de universidades e empresas que oferece investimentos de US$ 150 milhões para o desenvolvimento da tecnologia. A província de Zhejiang também abraçou programas do tipo. A montadora Geely Automobile, em Zhejiang, já usa produção inteligente e serviços de marketing de internet baseados em AI para impulsionar as vendas.

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BAT desbrava o caminho

O grupo informalmente apelidado de BAT – Baidu, Alibaba e Tencent – está liderando a implantação da AI na China. O Baidu foi a primeira empresa chinesa a embarcar em pesquisas na área, usando um sistema conhecido como Duer, que pode ser utilizado em dispositivos para casas e carros autônomos. O software será disponibilizado para as montadoras por meio do Apollo Project. O Alibaba, por sua vez, está usando a tecnologia para prever quantidades de pedidos regionais e aprimorar a eficiência da logística, enquanto a Tencent lançou uma plataforma para aprendizado profundo usando dados sociais.

As três empresas têm disputado os maiores talentos na tecnologia na tentativa de liderar a área. O Alibaba, por exemplo, contratou Ren Xiaofeng, da Amazon.com, para chefiar seu próprio laboratório, que pretende ser referência no que diz respeito à inteligência artificial. A Tencent levou para sua equipe, em março, Zhang Tong, um dos especialistas do Baidu, que, por sua vez, roubou Andrew Ng do projeto Google Brain, em 2014, para liderar o Baidu Research Institute (apesar de ele ter se demitido recentemente).

Empresas offline podem ganhar muito com a tecnologia

Algumas empresas utilizam dados online para conquistar ganhos offline. A fabricante de eletrônicos Xiaomi, por exemplo, incorporou novas ferramentas para smartphones sugeridas por seus clientes no website da empresa para conquistar participação de mercado.

Além disso, a inteligência artificial tem sido incorporada às indústrias médica, de educação e de transportes. Softwares inteligentes integrados a produtos manufaturados também estão virando realidade. A Huawei, maior fabricante de equipamentos para telecomunicação do mundo, apresentou seu sistema de auto aprendizado MoKA. Em seu laboratório de tecnologia, desenvolveu inteligência artificial para otimização de rede, reconhecimento de voz e reconhecimento de busca em dispositivos móveis. A Haier produziu um sistema residencial inteligente que incorpora um processo de aprendizagem, chamado de plataforma Haier U+. Os dados sobre como os produtos da empresa são utilizados nas casas podem ser transmitidos ao setor, permitindo que as indústrias melhorem seus produtos ao longo do tempo.

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O futuro da inteligência artificial

Não há escassez de interesse na tecnologia na China. No final de junho, o país estabeleceu sua primeira aliança do setor, a China Artificial Intelligence Industry Innovation Alliance. Ela é liderada pelo China Center for Information Industry Development e reúne as maiores empresas de tecnologia, como iFlytek e Intel China. O grupo pretende incubar 50 produtos equipados com inteligência artificial e 40 empresas, assim como embarcar em 20 projetos-piloto e criar uma plataforma geral da tecnologia em três anos.

Muito foi dito recentemente sobre o fato de a China parecer estar chegando perto do maior produtor mundial de inteligência artificial, os Estados Unidos. Apesar de terem começado sua pesquisa e seu desenvolvimento de um patamar muito mais baixo, os chineses contaram com o forte apoio do governo. Diante do baixo nível de incentivo nos EUA sob a administração de Trump, é bem provável que os chineses alcancem os norte-americanos ainda mais rapidamente. A estrutura hierárquica do governo chinês parece impulsionar também a promoção de um plano de desenvolvimento tecnológico pró-AI, especialmente com o crescente compartilhamento de informações por parte dos órgãos governamentais. Parece plausível que a “AI” permaneça uma palavra-chave na China pelos próximos anos.

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