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Como Alex Clark transformou US$ 32 mil em um fenômeno do chocolate

Reprodução/FORBES

Alex tem o diferencial de importar chocolate do Peru, do Equador e de outras capitais do cacau e, então, mistura-lo a ingredientes locais de fazendeiros vizinhos em Michigan (Reprodução/FORBES)

Quando Alex Clark abriu sua primeira loja de chocolates, a Bon Bon Bon, em Detroit, durante o verão de 2014, não foi porque era uma paixão ou um sonho da vida toda – apesar de realmente ser. Ou porque várias pessoas lhe disseram que o negócio nunca iria dar certo e ela queria provar que elas estavam erradas – apesar de elas terem dito, e de ela querer. Para Alex, abrir a primeira loja de chocolate artesanal da cidade em 40 anos acendeu um desejo de quebrar dogmas das antigas confeitarias que já não faziam sentido. “Por que usar sempre a mesma receita para recheios de creme se ninguém come?”, pergunta.

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A empreendedora de 29 anos apareceu na versão norte-americana da lista 30 abaixo de 30 de FORBES em 2016, menos de dois anos após ter aberto sua primeira loja. Desde então, adquiriu uma fábrica de 465 m², expandiu a Bon Bon Bon para um segundo local de venda, lançou um serviço nacional de entregas e fez até uma parceria com a famosa rede de lanchonetes Shake Shack, que criou um milkshake de chocolate especial para a inauguração da primeira unidade em Detroit.

Um fator que ajuda é que, mais do que servir como um obstáculo, os princípios que fundaram seu negócio – de que não deveria existir chocolate “desagradável”, que a embalagem deveria custar menos do que o chocolate em si, que bombons deveriam vir com etiquetas e que os consumidores deveriam ter o direito de comprar quantos bombons quisessem, mesmo que fosse apenas um – serviram para diferenciar Alex de negócios como os de Jacques Torres e Max Brenner.

Isso não quer dizer que a Bon Bon Bon não tenha a qualidade destes outros famosos chocolatiers. Tem. Talvez até mais. Alex importa chocolate do Peru, do Equador e de outras capitais do cacau. Então, mistura-o a outros ingredientes locais de fazendeiros vizinhos em Michigan, e o resultado é um conjunto de doces que vai dos convencionais aos divertidos (como o Birthday Cake, que tem ganache com gosto de bolo de aniversário, cobertura de baunilha e confeitos) e exóticos (como o Bacon & Eggs, que contém suspiros italianos, ganache de ovos e raspas de coppa).

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Os bombons tiveram seus diferenciais reconhecidos: foram aplaudidos no prêmio Martha Stewart’s American Made, apareceram na lista FORBES 30 Abaixo de 30 e foram nomeados pela Bloomberg Pursuits um dos melhores chocolates do mundo.

É um nível de sucesso que a confunde, diz a empreendedora. E se não fosse por alguns eventos do destino – incluindo um que terminou em um acidente de táxi -, a Bon Bon Bon e seus doces exóticos poderiam sequer existir. “Nós começamos a empreitada com os US$ 32 mil de indenização que eu recebi depois do acidente que sofri na volta de uma feira de chocolate. Para mim foi dinheiro sujo, eu preferia que este acidente nunca tivesse acontecido”, diz ela. Por isso, Alex decidiu dar um destino muito arriscado a ele. “Quando você escuta vários caras inteligentes, ricos, velhos e brancos dizendo que sua ideia não é boa, você sente algo que te estimula a tentar”, conta.

Depois que um investidor de fora relutou em concordar com o plano da jovem de abrir a loja em Detroit – ele queria um mercado maior, enquanto ela, após viajar para 16 países em oito anos para estudar sobre o chocolate, só queria ficar em casa, perto da família -, Alex decidiu criar o negócio e planejou um modelo de vendas por atacado para hotéis e outros estabelecimentos em Michigan.

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Mas, depois da abertura, vizinhos começaram a comprar o chocolate para consumo próprio. Alex, obviamente, não negava. Então, eles traziam os amigos. Até que um dia, naquele mesmo verão, ela abriu as portas da loja para uma fila de pessoas que dobrava a esquina. “Nós acabamos vendendo tudo o que esperávamos vender para o atacado naquele dia. As pessoas continuavam a aparecer e nós não queríamos dizer não. Tem sido assim desde então”, conta.

Este também é parte do motivo que faz com que Alex não queira sair de sua base de operações em Hamtramck, uma pequena cidade ao lado de Detroit. “Hamtramck é como uma comunidade de iniciação. Quando as pessoas atingem o sucesso, vão embora para subúrbios mais ao norte ou para algum outro lugar onde haja muito dinheiro”, explica. “Nós não faremos isso. Esta é a comunidade que nos criou. Dizemos, internamente, que é necessário um vilarejo para criar uma loja de chocolates… Nossos vizinhos vêm e nos trazem macarrão nas temporadas de maior movimento.”

Alex se refere, modestamente, a Bon Bon Bon como uma “pequena” loja em uma “pequena” cidade. E, de certa forma, de fato é. Mas, por outro lado, é muito mais do que isso. “Ser alguém que trabalha com chocolate é algo meio engraçado. No espectro que vai de bartenders a joalheiros, você está em algum lugar no meio. Você tem laços pessoais com seus consumidores, pois está presente em momentos de suas vidas que são muito importantes”, diz ela. “Você está lá do primeiro encontro à festa de casamento, além de ajudar nos pedidos de desculpas. É um papel muito legal para se começar em uma comunidade pequena, e é ainda mais interessante quando você consegue estendê-lo para uma comunidade maior, como o resto do país.”

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