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Mercado Livre estrutura novos serviços no comércio eletrônico

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Mercado Livre fornece infraestrutura de tecnologia para que pequenos e grandes comerciantes possam vender online de balas a imóveis (iStock)

O Mercado Livre está se preparando para ampliar sua fatia no comércio eletrônico brasileiro neste ano, avançando sobre áreas que antes eram exclusividades de grandes grupos financeiros e do varejo e que incluem concessão de crédito e gestão de logística.

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Há 10 anos listado na bolsa de tecnologia Nasdaq, a empresa se transformou no período em referência latino-americana no conceito de marketplace, fornecendo infraestrutura de tecnologia para que pequenos e grandes comerciantes possam vender online de balas a imóveis.

Mercado Livre teve, no ano passado, faturamento de US$ 256,3 milhões nos 18 países em que opera na América Latina mais Portugal, um crescimento de quase 30%

Agora, a companhia começa a se preparar para voos mais altos, buscando evitar que o dinheiro que entra em seu conjunto de sites e serviços saia de seu sistema, assim como fazem os gigantes asiáticos Tencent, com o aplicativo WeChat, e o Alibaba, disse o vice-presidente de operações, Stelleo Tolda, à Reuters. “Enxergamos que estamos apenas no início, o comércio eletrônico hoje no Brasil equivale a apenas 4% das vendas do varejo como um todo”, disse Tolda na sede da empresa no Brasil, que ocupa o terreno de uma antiga metalúrgica na região metropolitana de São Paulo, assemelhando-se a um campus universitário.

Para a empresa de pesquisa de mercado Ebit, o comércio eletrônico brasileiro deve faturar cerca de R$ 50 bilhões este ano, um crescimento de 12% sobre 2016, apesar do cenário de crise econômica atravessada pelo país. O dado não inclui os números do Mercado Livre, que no ano passado teve faturamento de US$ 844,4 milhões nos 18 países em que opera na América Latina mais Portugal, um crescimento de quase 30%.

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Tolda, que está no Mercado Livre desde 1999, tendo passado antes pelos bancos de investimento BTG Pactual e Merrill Lynch, não deu dados específicos sobre o Brasil, mas afirmou que a operação brasileira representa cerca de metade dos negócios do Mercado Livre no mundo. E é com base nesse desempenho que ele previu que a companhia deverá, em 2017, superar pela primeira vez a B2W – dona de marcas que incluem Submarino, Americanas.com e Shoptime – como maior empresa de comércio eletrônico do Brasil.

No primeiro trimestre, a B2W teve um GMV, indicador que mede vendas próprias de mercadorias e vendas de terceiros, de R$ 2,67 bilhões, crescimento de 8,4% sobre o mesmo período do ano passado.

Já as operações brasileiras do Mercado Livre, considerando que o Brasil representa cerca de 50% da companhia, teriam tido um GMV de cerca de US$ 1,17 bilhão (ou R$ 3,7 bilhões), crescimento anual de 31%, segundo cálculos da Reuters.

“Tem muito espaço ainda para todos crescerem no Brasil. O mercado nacional está mais em uma fase marcada pelo crescimento do bolo do que de roubo de fatias dos outros”, disse Tolda.

LOGÍSTICA

Ao comentar que “há ainda muito o que fazer no Brasil e na América Latina” antes de o Mercado Livre se lançar em outras regiões do mundo, Tolda afirmou que a empresa está iniciando testes sobre oferta de serviço de coleta para grandes clientes que usam o site para vender seus produtos.

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Com o serviço, o próprio Mercado Livre se encarregaria da negociação de preços com transportadores, que disputariam uma espécie de leilão organizado pelo site para terem direito ao frete. A empresa também está discutindo parcerias com empresas gestoras de centros de distribuição para viabilizar a entrega do produto do grande fornecedor até os clientes finais dele, disse o executivo. “Estamos desenvolvendo tecnologia de operação de centros de distribuição. Em parte é por isso que compramos a Axado”, afirmou Tolda sobre a aquisição de R$ 26 milhões realizada no ano passado.

Segundo o executivo, o custo de frete é um dos principais entraves ao crescimento do comércio online no país, representando cerca de 15% a 20% do valor de cada produto ante níveis de 10 % ou abaixo disso em países como México e Colômbia.

A expectativa é que a ferramenta de leilão de transportadoras reduza os custos de frete, incentivando os consumidores a comprar mais no Mercado Livre. A empresa está investindo R$ 1 bilhão este ano no Brasil, boa parte disso em oferta de frete gratuito para encomendas a partir de R$ 120, iniciada em maio. “Em 2016 foi bem menos do que isso”, disse Tolda.

PAGAMENTOS

A principal fonte de receita do Mercado Livre é a cobrança de comissões sobre as vendas realizadas no site, mas a área de sistemas de pagamento eletrônico tem passado por forte crescimento, o que tem colocado a empresa como rival também da líder do segmento no Brasil, a Cielo. O MercadoPago, a unidade de pagamentos do Mercado Livre, processou no primeiro trimestre 44 milhões de transações em toda a América Latina, um crescimento de 60% sobre um ano antes, enquanto na Cielo a expansão foi de 6%, a 1,72 bilhão de operações.

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Tolda não precisou o volume de máquinas de captura de transações em atividade do MercadoPago no Brasil, mas comentou que o número está na casa de “centenas de milhares”. Ele afirmou que a companhia, que já oferece serviços de antecipação de recebíveis, envio de recursos entre pessoas físicas e pagamento de contas, avalia possibilidade de oferta de financiamento a empresas usuárias do site.

O executivo não deu detalhes, mas no final de junho, Ignacio Caride, diretor-geral do Mercado Livre no México, afirmou que a empresa planeja conceder crédito para capital de giro a pequenas empresas e empreendedores do Brasil e México ainda neste ano. “A gente quer gerar mais volumes e a escassez de oferta de crédito no Brasil tem inibido a capacidade dos consumidores”, disse Tolda, citando que em 2016 o Mercado Livre tinha cerca de 35 milhões de usuários ativos no Brasil.

Para além do crédito, a companhia está buscando ampliar os usos de valores armazenados nas contas dos usuários do MercadoPago para que possam realizar pagamentos em estabelecimentos como postos de gasolina e até de transporte público, explicou Tolda. “Queremos que isso seja uma rede… Queremos mais usos para estes recursos, para que os usuários não tenham motivos para saírem do nosso ecossistema”, disse o vice-presidente de operações do Mercado Livre.

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