País perdeu poder de geração de clientes de grandes fortunas, diz GPS Investimentos

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A economia do país cresceu 1% no primeiro trimestre deste ano ante os três meses anteriores, após dois anos seguidos de recessão, a mais longa da história. (iStock)

O atual cenário do país, com economia retraída e indefinição política, diminuiu a geração de clientes de serviços de gestão de grandes fortunas e afetou a capacidade de poupar de alguns dos investidores com esse perfil, afirmou George Wachsmann, sócio da gestora de patrimônio GPS.

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“Lá atrás teve um ciclo de IPO (oferta inicial de ações, da sigla em ingês), de entrada de [investidores estrangeiros]. Teve um processo de geração desse tipo de cliente que parou”, disse Wachsmann, cuja gestora administra R$ 25 bilhões de 600 famílias do país.

Neste sentido, Wachsmann vê que a recente retomada no processo de IPOs no país começa a abrir um caminho, ainda que tímido, para a volta da formação de clientes com o perfil da gestora, com investimento acima de R$ 10 milhões.

Embora alguns clientes tenham visto sua capacidade de poupar afetada, os retornos de seus investimentos vão no sentido contrário e registram números mais consistentes

Até o momento, o país teve cinco IPOs no ano, o maior número desde 2013, quando foram registradas nove operações. Apenas em julho a expectativa é que pelo menos outras duas empresas – IRB Brasil RE e Omega Energia – comecem a ter suas ações negociadas na B3, após a estreia do Carrefour Brasil na semana passada e da Biotoscana, na terça-feira (25).

“Do ponto de vista de negócios, está mais lenta a geração de cliente no mercado como um todo. E a capacidade deles de poupar diminuiu, provavelmente tendo até que despoupar”, disse, acrescentando que o poder de investimento desses clientes foi afetado pela crise econômica que levou empresários a encerrar atividades ou diminuir o tamanho de suas empresas.

Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que o total de clientes atendidos por gestoras de patrimônio encolheu entre 2012 e 2016, passando de 4.470 grupos para 4.193, sendo que essas contas podem representar investidores individuais ou mais de uma pessoa no mesmo grupo. Já o total de ativos sob gestão dessas empresas no país cresceu quase 70% no mesmo período, atingindo R$ 90,13 bilhões no final do ano passado.

Wachsmann destaca que embora alguns clientes tenham visto sua capacidade de poupar afetada, os retornos de seus investimentos vão no sentido contrário e registram números mais consistentes, apesar da retração econômica e da crise política. “Tem uma dissonância entre o que é resultado no portfólio financeiro e o que é a sensação térmica na vida real”, disse, acrescentando que nos anos de 2013 e 2014 o desempenho das carteiras foi mais fraco, enquanto desde 2015 os resultados dos investimentos estão mais fortes – “talvez os melhores anos da história da GPS”.

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A economia do país cresceu 1% no primeiro trimestre deste ano ante os três meses anteriores, após dois anos seguidos de recessão, a mais longa da história.

O retorno dos investimentos em 2017 permanece sólido apesar do episódio envolvendo a delação de executivos da J&F, controladora da JBS, que atingiu o presidente Michel Temer e desencadeou uma crise política que afetou os mercados como um todo. O episódio, segundo Wachsmann, afetou as carteiras de investimentos nos meses de maio e junho, mas com os ganhos registrados até abril, o portfólio do ano ainda segue positivo.

Com as incertezas no cenário político, Wachsmann afirmou que há ainda a percepção de uma diminuição momentânea na busca por ativos de maior risco, o que ainda não aconteceu em maior proporção devido à queda das taxas de juros. “É tão absurdo o excesso de juros que eles vão ser cortados se tiver reformas ou se não tiver reformas”, disse o gestor, acrescentando que a mais recente crise política promoveu “uma parada técnica”, mas que ela não foi suficiente para alterar completamente os planos de investimentos dos clientes.

A mais recente pesquisa Focus, feita pelo Banco Central, mostra que economistas de instituições financeiras esperam um corte de 1%na Selic na próxima semana, com a taxa de juros caindo a 8% até o final do ano.

“O cliente quer ir atrás do retorno absoluto… Ou você mantém o risco que tem e aceita um retorno menor ou você persegue o retorno que tinha anteriormente e aceita um risco maior”, disse.

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Pouco mais de dois meses após a eclosão da crise envolvendo as delações dos irmãos Batista, a perspectiva da equipe da GPS é de um cenário “moderadamente otimista” para o país, com a manutenção do ciclo de corte de juros e da agenda de reformas, independente da permanência ou não de Temer no cargo.

Wachsmann destaca que as reformas aprovadas ficarão aquém do que se esperava no começo do ano, mas o cenário ainda indica a possibilidade de algum avanço, com a discussão política em breve voltando para a eleição presidencial de 2018.

O foco para as próximas eleições, segundo o gestor, será a continuidade ou não da agenda de reformas do país, o que deve trazer volatilidade aos mercados conforme as pesquisas de intenção de votos surgirem. “Pode não estar polarizada em relação a PT/PSDB, mas certamente estará polarizada em dar continuidade a essa agenda ou não”, disse Wachsmann.

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