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O dia em que Bill Gates salvou a Apple

Montagem com fotos da GettyImages

O acordo de 1997 não acabou com a concorrência entre as duas empresas de tecnologia. Na verdade, os dois empreendedores continuaram, em sintonia, a moldar a indústria da computação juntos. (Montagem com fotos da GettyImages)

A rivalidade amigável entre Steve Jobs e Bill Gates é muito conhecida na área da tecnologia. O momento mais comovente desse tenso relacionamento, relembrou uma recente reportagem do canal “CNBC”, ocorreu há 20 anos. Em agosto de 1997, Gates salvou a Apple, que, na época, estava à beira da falência.

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“Bill, obrigado. O mundo é um lugar melhor”, disse Jobs a Gates depois que o executivo da Microsoft concordou em fazer um investimento de US$ 150 milhões na Apple. Na época, o agradecimento foi eternizado na capa da revista “Time” e, há pouco tempo, foi rememorado pela Code Academy, uma escola de códigos, em seu perfil no Twitter.

Em 1997, quando a Apple estava à beira da falência, o CEO da Microsoft investiu US$ 150 milhões na concorrente

O sinal de paz corporativa chocou as comunidades de tecnologia e negócios. “Mesmo no ciberespaço, o momento só pode ser descrito como surreal”, escreveu a então coluna de opinião do jornal “The New York Times”.

Dez anos mais tarde, quando os icônicos líderes das gigantes de tecnologia se encontraram no palco da conferência D5, entrevistados por Kara Swisher e Walt Mossberg, eles refletiram sobre o acontecimento. “A Apple estava enfrentando sérios problemas”, disse Jobs. “E o que estava muito claro era que, se o jogo pudesse ter apenas um vencedor, de modo que, para a Apple vencer, a Microsoft teria de perder, então a Apple perderia. Havia pessoas demais na Apple e no ecossistema da empresa jogando [aquele] jogo”, explicou. “E era óbvio que você não precisava jogar aquele jogo, porque a Apple não derrotaria a Microsoft.” Para permanecer vivo, Jobs teve de abandonar a mentalidade competitiva.

“Para mim, era essencial quebrar esse paradigma”, disse o executivo. “A Microsoft era a maior desenvolvedora de software fora da Apple trabalhando para Mac. Então era louco o que estava acontecendo naquele momento. E a Apple estava muito fraca, então eu chamei o Bill e nós tentamos alinhar as coisas.”

A parceria enfrentou certa resistência. Quando Jobs anunciou o investimento de US$ 150 milhões, durante a conferência Macworld Boston, em 1997, a plateia vaiou a aparição de Gates via satélite.

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Para a Microsoft, o investimento significou apoiar um de seus maiores concorrentes, mas também uma nova oportunidade de negócios. “Isso funcionou muito bem”, disse Gates na conferência de 2007. “Na verdade, a cada dois ou três anos houve algo novo que nós fomos capazes de fazer no Mac e tem sido um ótimo negócio para nós.” Também como parte do acordo, a Apple concordou em desistir de um processo que acusava a Microsoft de copiar seu sistema operacional.

Na época em que a Microsoft salvou a Apple, a empresa de Bill Gates era, de longe, a maior das duas companhias. Essa posição mudou desde então: o valor de mercado da Apple é US$ 839 milhões, enquanto o da Microsoft gira ao redor de US$ 560 bilhões.

O acordo de 1997 não acabou com a concorrência entre as duas empresas de tecnologia. Na verdade, os dois empreendedores continuaram, em sintonia, a moldar a indústria da computação juntos.

Quando Jobs faleceu, em 2011, Gates honrou o ícone da Apple tanto como concorrente quanto como amigo. “Steve e eu nos conhecemos há quase 30 anos, e fomos colegas, concorrentes e amigos ao longo de mais da metade de nossas vidas”, escreveu. “O mundo raramente vê alguém que teve o impacto profundo que Steve teve, e os efeitos disso serão vistos por muitas gerações. Foi uma honra ter trabalhado com ele. Sentirei sua falta imensamente.”

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