Negócios

Brasil vende concessão de usinas por R$ 12,13 bi

Reuters

Representantes da francesa Engie comemoram durante leilão de hidrelétricas promovido pelo governo federal, em São Paulo (Reuters)

A chinesa State Power Investment Corp. (SPIC), a francesa Engie e a italiana Enel venceram o leilão da concessão de quatro hidrelétricas promovido pelo governo federal nesta quarta-feira (27), com pagamento de bônus de outorga à União em troca dos ativos no valor total de R$ 12,13 bilhões, o que representou um ágio de 9,73% ante o valor inicial.

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O resultado foi considerado um grande sucesso por representantes do governo e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), assim como pelas empresas, que se disseram empolgadas com os negócios fechados no certame.

Em sua conta no Twitter, o presidente Michel Temer afirmou que o resultado do leilão ficou acima da expectativa do mercado e mostrou que o país recuperou a confiança. O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, seguiu na mesma linha, afirmando que o leilão foi satisfatório e que é uma demonstração de confiança na economia brasileira. “Resultado do leilão reforça que o governo tem adotado projeções seguras a respeito das receitas”, afirmou Oliveira na rede social.

A chinesa SPIC ficou com a maior usina do leilão, de São Simão, com uma oferta de R$ 7,18 bilhões, ou 6,5% acima do preço mínimo definido para o empreendimento, que não atraiu outros lances.

A presidente da Pacific Hydro, controlada da SPIC no Brasil, Adriana Waltrick, disse que a participação no leilão mostra o comprometimento da empresa em investir no Brasil e a confiança nas instituições brasileiras, que a levou a entrar na concorrência mesmo em meio aos questionamentos judiciais da Cemig, que tentava manter as usinas depois do vencimento dos contratos.

A Engie ficou com as hidrelétricas de Jaguara e Miranda, depois de lances de R$ 2,17 bilhões e R$ 1,36 bilhão, nos maiores ágios do leilão – 13,59% e 22,43%, respectivamente.

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O diretor de Desenvolvimento de Negócios da Engie, Gustavo Labanca, também disse que a companhia tem forte interesse em seguir investindo em ativos de energia no país. Segundo ele, a geradora esteve em contato com bancos e avalia ainda emitir debêntures ou notas promissórias para financiar as compras. “A gente tem uma capacidade grande de tomar novas dívidas, a empresa está com alavancagem muito baixa”, disse ele a jornalistas na coletiva de imprensa.

A italiana Enel, que chegou a apresentar ofertas, mas foi derrotada pela Engie em Jaguara e Miranda, ficou com o último empreendimento licitado, a usina de Volta Grande. A empresa ofereceu R$ 1,419 bilhão pelo ativo, ágio de 9,85%.

Antes do leilão, a Cemig tentou sem sucesso fechar um acordo com o governo para manter ao menos uma das usinas, além de ter buscado decisões judiciais para suspender a licitação e promovido campanhas publicitárias.

Nesta quarta-feira, representantes de sindicatos de trabalhadores do setor elétrico e alguns funcionários da Cemig protestavam contra o leilão. Alguns deles chegaram a entrar na sala onde era realizada uma coletiva de imprensa com autoridades, pegando o microfone para reclamar da venda das usinas que pertenciam à empresa.

As usinas oferecidas no leilão desta quarta-feira somam 2,9 gigawatts em capacidade instalada. Os contratos com os novos operadores serão válidos por 30 anos, e o pagamento dos bônus de outorga está previsto para até 30 de novembro.

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