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Copiar Bill Gates é uma péssima ideia se você deseja ser rico

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Mesmo que imitasse tudo o que o bilionário fez, você não conseguiria ter a mesma sorte de principiante (iStock)

Bill Gates é muito mais sortudo do que você pensa. Ele pode ser um homem talentoso, que cresceu na carreira desde que largou a faculdade até atingir o topo da lista das pessoas mais ricas do mundo. Mas seu sucesso talvez fale mais sobre a importância das circunstâncias que vão além do nosso controle do que de como habilidade e perseverança são recompensadas.

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Todo mundo acredita que pessoas excepcionais são as mais habilidosas ou talentosas. Mas isso não é verdade. Performances excepcionais tendem a ocorrer em circunstâncias excepcionais. Os melhores são, frequentemente, os mais sortudos, que se beneficiaram de estar no lugar e na hora certos. Eles são o que chamamos de “outliers”, pessoas cujos desempenhos não estão enquadrados no sistema no qual todos os desempenhos das outras pessoas estão. Muitos tratam Gates e outras pessoas extremamente bem-sucedidas como se elas merecessem muita atenção, elogios e como seres humanos que podem ensinar muito sobre o sucesso. Mesmo que você imitasse tudo que Gates fez, não conseguiria replicar sua sorte inicial.

Obviamente, o talento e o esforço de Bill Gates têm um papel importante no grande sucesso da Microsoft. Mas só isso não é suficiente para fazer uma pessoa tão bem-sucedida assim

As condições do homem mais rico do mundo – filho de uma família de alta classe, com educação privada -, por exemplo, permitiu que ele adquirisse experiência com programação quando menos de 0,01% de sua geração, na época, tinha acesso a computadores. A ligação de sua mãe com o presidente da IBM resultou em um contrato com a empresa líder de computadores que foi essencial para estabelecer seu império de software.

Isso é importante porque a maioria dos consumidores que usavam computadores da IBM eram forçados a aprender como utilizar o software da Microsoft, que vinha embedado neles. Isso criou uma condição favorável para a empresa de Bill Gates, já que, quando esses mesmos clientes precisassem escolher seu próximo software, ele provavelmente seria da Microsoft, não necessariamente por ser o melhor, mas porque as pessoas já estavam muito ocupadas para aprender como usar qualquer outra coisa. O sucesso da Microsoft e sua participação no mercado pode ser diferente das demais empresas em muitas ordens de grandeza, mas o diferencial foi realmente possibilitado pela sorte de Gates, reforçada por uma forte dinâmica de que “sucesso gera mais sucesso”.

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Obviamente, o talento e o esforço de Bill Gates têm um papel importante no grande sucesso da companhia. Mas só isso não é suficiente para fazer uma pessoa tão bem-sucedida assim. Talento e esforço são, provavelmente, menos importantes do que as circunstâncias, de forma que ele poderia não ser tão bem-sucedido se não fosse por elas.

É possível argumentar que muitas pessoas excepcionais adquirem suas habilidades por meio de trabalho duro, uma motivação extraordinária ou coragem – e, por isso, eles não merecem receber menos elogios e recompensas. Alguns até sugerem a existência de um número mágico de grandeza, dez anos ou uma regra de 10.000 horas. Muitos profissionais e especialistas adquiriram suas excepcionais habilidades por meio de práticas persistentes e deliberadas. De fato, a regra das 10.000 horas adotadas na programação por Gates quando adolescente se destaca como um dos motivos para o seu sucesso.

Mas análises detalhadas de estudos de especialistas frequentemente sugerem que certos fatores, além do controle dessas pessoas excepcionais, também têm um papel importante. Três campeões nacionais de tênis de mesa, por exemplo, vieram da mesma rua em um pequeno subúrbio de uma cidade na Inglaterra. Isso não foi uma coincidência, nem pode ser explicado pelo fato de que não havia nada para fazer por lá além de praticar ping pong. Acontece que um famoso treinador do esporte, Peters Charters, decidiu se aposentar nesse subúrbio.

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Muitas crianças que viveram na mesma rua do treinador aposentado foram atraídas para o esporte por causa dele. Três delas, depois de seguirem a regra das 10.000 horas, tiveram ótimos desempenhos, incluindo o título do campeonato nacional. Seus talentos e esforços eram, obviamente, essenciais para perceber a performance excepcional. Mas sem a sorte inicial (ter um treinador confiável, competente e famílias que apoiavam), simplesmente praticar 10.000 horas sem o feedback adequado provavelmente não tornaria a criança uma campeão nacional.

Quando se trata de um desempenho moderado, parece muito aceitável que essa intuição sobre sucesso esteja correta. Máximas como “quanto mais trabalhar, mais sorte terá” ou “a chance favorece a mente preparada”, fazem sentido quando estamos nos referindo a alguém que se movimenta de uma performance básica para uma boa. Ir da boa para a ótima, no entanto, é outra história. Estar no lugar certo (bem-sucedido em um contexto no qual um resultado precoce tem um impacto duradouro) e na hora certa (tendo uma sorte inicial) pode ser tão importante a ponto de sobrepor os méritos.

Com isso em mente, as pessoas não deveriam apenas elogiar ou imitar a vida de vencedores e, assim, esperar sucessos semelhantes. Elas deveriam considerar imitar as preferências de Gates ou de Warren Buffett, que escolheram usar suas fortunas e sucessos para fazer coisas boas.

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