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Profetas do capitalismo: as ideias, erros e inspirações de 20 mentes empreendedoras

Neste mês, FORBES celebra seu centenário e, para comemorar, elaborou uma espécie de enciclopédia com 100 ideias, erros e inspirações das principais mentes empreendedoras, visionárias e de profetas do capitalismo que fizeram, de alguma forma, parte da história da publicação.

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Veja, na galeria de fotos a seguir, 20 destas ideias:

  • Empatia
    Sheryl Sandberg, COO do Facebook

    “Ao dirigir para o trabalho em meu primeiro dia depois da licença-maternidade, eu chorei durante todo o caminho. Eu queria trabalhar, mas deixar meu filho em casa era difícil.

    Anos mais tarde, eu mencionei em uma entrevista que saía do trabalho às 17h30. A resposta foi esmagadoramente positiva. Foi aí que eu percebi que somos funcionários melhores quando paramos de tentar ser duas pessoas diferentes e trazemos todo o nosso ser para o trabalho. Isso não significa trabalhar 24 horas por dia. Significa compartilhar o que você está passando para que outras pessoas possam ter empatia e ajudá-lo.

    Quando eu perdi meu marido Dave há dois anos, aprendi essa lição de maneira ainda mais profunda. Dave era um verdadeiro parceiro em casa e no trabalho, que me ensinou o valor da orientação de pares. Quando eu estava conversando com Mark [Zuckerberg] sobre minha ida ao Facebook, Dave me disse que, mais importante do que o conteúdo e os processos, era o nosso relacionamento de trabalho. Nós concordamos em nos encontrar toda semana e darmos feedbacks um ao outro. Nove anos mais tarde, eu frequentemente sorrio quando me lembro de como o conselho de Dave nos direcionou ao sucesso.

    Então, trazer todo o meu ser para o trabalho significou, em alguns momentos, parecer claramente triste. A forma como os colegas me apoiaram mostrou a necessidade de melhores políticas para licenças de luto e doença. Cuidar das pessoas quando elas mais precisam não é apenas a coisa certa a fazer, é a coisa mais inteligente a fazer.”

  • Flexibilidade
    Bernard Arnault, fundador do conglomerado de bens de luxo LVMH

    “O sucesso da LVMH é construído sobre criatividade, qualidade, empreendedorismo e, mais importante, visão de longo prazo. Eu me lembro, por exemplo, da primeira vez em que visitei a China, em 1991. Eu cheguei a Pequim e não vi carros, apenas bicicletas, nem prédios altos. O PIB era 4% do que é hoje. Apesar disso, decidimos abrir nossa primeira loja por lá. Hoje, a Louis Vuitton é a marca de luxo número um no país e ao redor do mundo. Nós temos visto, nos últimos 25 anos, um desejo crescente por produtos de alta qualidade e uma aceleração no poder de compra. Atualmente, a internet torna o planeta muito menor. Lançamentos de produto agora precisam ser globais para serem bem-sucedidos. Quando você começa algo hoje, você normalmente tem de começar no mundo todo ao mesmo tempo para ser bem-sucedido, e você pode ver o que está acontecendo em cada lugar, instantaneamente. Isso requer investimento mais alto – o que nos dá uma vantagem. Criar novos produtos cada vez mais desejáveis e vendê-los ao redor do mundo é o que a LVMH faz de melhor.”

  • Previsão
    Elon Musk, cofundador do Paypal, Tesla e SpaceX

    “A inteligência artificial vai oferecer muitos benefícios à sociedade, incluindo carros autônomos e diagnósticos médicos muito melhores. No entanto, com a tecnologia, nós poderemos criar um risco à humanidade caso uma superinteligência digital seja inadvertidamente otimizada para fazer algo prejudicial, com consequências catastróficas. Uma possibilidade, por exemplo, é a programação da IA para banir o spam de forma que ela conclua que, para se livrar das indesejadas mensagens, a melhor maneira seja se livrar dos humanos. Ou um programa financeiro que decide que o melhor jeito de gerar dinheiro é aumentar o valor de ações das empresas de segurança ao começar uma guerra. Nós somos a primeira espécie capaz de promover a auto-aniquilação, e isso é extremamente provável depois de determinado tempo. A pergunta é: podemos ir adiante? Nós precisamos aprender o máximo possível e devemos criar uma agência governamental para regular a IA. No fim, o setor privado vai precisar liderar o processo de construção de uma tecnologia segura e útil que beneficie a humanidade.”

  • Saúde
    Paul Allen, co-fundador da Microsoft

    “Estamos prestes a entrar em uma nova era da medicina, onde entenderemos os padrões das células e como alterá-los. Eu sou um sobrevivente de dois cânceres. Primeiro, tive um linfoma de Hodgkin, um câncer de jovens. E, depois, um linfoma não-Hodgkin. Atualmente, eles atingem o paciente em cheio, uma espécie de bombardeio. Minha mãe faleceu em decorrência do mal de Alzheimer. Essas situações motivam experiências que fazem com que você queira entender as coisas mais profundamente e faça a diferença. Talvez em 20 ou 30 anos, nós usemos recursos como células-tronco para alterar as decorrências de doenças – seu próprio sistema imunológico, desenhado por evolução, para atacar células doentes e coisas assim. Parece inconcebível agora – nós temos milhares de tipos de células, então há trilhões de combinações – mas a saúde pode ser muito mais pessoal. E os custos podem diminuir.”

  • Concepção
    Giorgio Armani, fundador da Armani

    “Eu sempre tento manter um senso de realidade e garantir que estou cercado das pessoas certas, que entendem os tempos nos quais vivemos. Nessa linha de trabalho, meu time é crucial. Sou eu quem decide, mas eu gosto de ter várias outras pessoas perto para discutir ideias, e isso ajuda meu processo criativo. No mundo da moda, cinco anos equivalem a um século, então, indo em frente, o desafio será capturar a atenção do público, que é crescentemente estimulada por inúmeras ofertas e novas formas de comunicação.”

  • Intuição
    Guy Laliberté, co-fundador do Cirque Du Soleil

    “Eu cresci em Montreal como artista de rua – um engolidor de fogo, literalmente. Vivi nas ruas por quase dez anos, por opção própria. E as ruas têm suas próprias regras. Às vezes, você tem uma fração de segundo para avaliar, quando conhece alguém, se a pessoa vai esfaqueá-lo ou se tornar seu amigo. As coisas que eu aprendi nas ruas sobre ler e sentir as pessoas e acreditar em minha intuição se provaram muito importantes em minha vida profissional. Quando entrava em uma reunião, eu era capaz de quase que “escanear” as pessoas, senti-las imediatamente como elas eram, em vez de descobrir semanas mais tarde, quando já era tarde demais.”

  • Investimentos
    Warren Buffett, CEO da Berkshire Hathaway

    “Quando eu tinha 7 ou 8 anos de idade, tive a sorte de encontrar um tema que realmente me interessou – investimentos. Eu li todos os livros sobre o assunto da biblioteca pública de Omaha antes de completar 11 anos. Alguns deles mais de uma vez. Meu pai trabalhava no ramo dos investimentos, então, quando eu ia almoçar com ele, aos sábados, eu pegava os livros do seu escritório e começava a ler. (Se ele fosse um vendedor de sapatos, eu poderia ser um vendedor de sapatos agora).

    Eu comprei o livro que se tornou a maior influência em minha vida como investidor por acaso, enquanto eu estava na Universidade de Nebraska. Eu li “O Investidor Inteligente”, de Benjamin Graham, cerca de 12 vezes – a obra tem uma filosofia sólida, é muito bem escrito e fácil de entender. E me forneceu uma filosofia de investimento que eu continuo aplicando até hoje.

    A estratégia é encontrar um bom negócio – e um que eu seja capaz de entender por que é bom -, com uma vantagem durável e competitiva, comandado por pessoas competentes e honestas, e disponível por um preço que faça sentido. Porque nós não vamos vender o negócio, não precisamos de algo com ganhos que cresçam no próximo mês ou trimestre. Precisamos de algo que gere dinheiro 10, 20 ou 30 anos depois. Então, queremos um time de administração pelo qual sentimos admiração e confiança.

    Meu investimento favorito, um que envolve essa filosofia, é a seguradora de automóveis norte-americana Geico, que eu conheci quando tinha 20 anos. Um sábado, eu peguei um trem, desci em Washington e bati na porta até que Lorimer Davidson, que mais tarde se tornaria CEO da empresa, abriu. Ele respondeu minhas perguntas, ensinou-me tudo sobre o negócio de seguros e me explicou a vantagem competitiva que a Geico tinha. Aquela tarde mudou a minha vida.

    Temos um produto que agora custa, em média, cerca de US$ 1.800 por ano. As pessoas não querem comprá-lo – mas elas querem dirigir. E elas esperam nunca utilizá-lo, porque não querem sofrer um acidente. A Geico era uma maneira de entregar o mesmo produto por menos dinheiro do que as pessoas estavam pagando. Quando a Berkshire comprou o controle da empresa, em 1995, ela tinha uma parcela de mercado de cerca de 2%. Agora, já são 12% e nós estamos ajudando os norte-americanos a economizarem talvez US$ 4 bilhões por ano em relação a quanto estariam pagando se comprassem seguros da maneira como era antes. Uma ideia simples quando Leo Goodwin fundou a empresa em 1936. A mesma ideia simples agora.”

  • Coragem
    Donald Trump, proprietário da Trump Organization, 45º Presidente dos Estados Unidos

    “A maior lição de negócios que eu aprendi nessa vida é a mensagem que eu envio aos jovens norte-americanos: nunca desistir. Mesmo nas circunstâncias mais difíceis, tenha fé em si mesmo, confiança em suas habilidades e convicção de que você será capaz de vencer por sua família, seu negócio e seu país. Mas você tem de saborear a luta – tem de gostar de ir ao trabalho todos os dias e travar a batalha por aquilo em que acredita, e pelas pessoas em quem acredita. E, se você fizer isso, se você continuar seguindo em frente, cada vitória ao longo do caminho levará a outra vitória, e a outra oportunidade, e a outra chance para avançar. Ao construir esse impulso, nunca voltar atrás e recusar-se a permitir que outras pessoas definam seus limites, você encurtará a distância até seus objetivos e os conquistará. Os Estados Unidos são a terra dos sonhos, e se nós perseguirmos esses sonhos com todo o nosso coração, então nosso país será melhor do que nunca.”

  • Erros
    Jack Dorsey, CEO do Twitter e Square

    “Meu maior erro foi pensar que eu não deveria mostrar meus erros. Eu aprendi que devia mostrá-los.”

  • Erros
    Jack Welch, ex-CEO da GE

    “Meu maior erro foi explosivo – literalmente. Em 1963, três anos depois do início da minha carreira na GE, eu era um engenheiro químico ansioso e ambicioso tentando construir um negócio de plásticos em uma companhia elétrica. No processo, minha planta-piloto explodiu. Sim, explodiu – o teto desabou, as janelas quebraram, nuvens de fumaça surgiram. Até hoje eu agradeço a Deus por ninguém ter se ferido. Mas eu tinha certeza de que a minha carreira estava terminada, especialmente quando meu chefe em Pittsfield, de repente, não me conhecia mais, e eu recebi uma ligação para encontrar meu superior maior em Nova York. Seu nome era Charlie Reed, e eu não o conhecia. O que eu sabia era que estava apavorado – eu certamente ouviria gritos, seria humilhado e, então, demitido sem cerimônia. Afinal, era minha planta e minha culpa.

    Mas Charlie Reed me ensinou uma grande lição de liderança e vida naquele dia. Ele estava calmo. Foi gentil e compreensivo. Passou muitas horas comigo, empregando o método socrático de questionamento, para ajudar-me a entender por que a explosão ocorreu e o que eu poderia – e deveria – ter feito de diferente. E então, quando tudo terminou, ele me deu uma segunda chance.

    Eu aprendi a nunca chutar alguém quando a pessoa está no chão. Todos cometem erros, e alguns são terríveis. Mas isso traz uma grande oportunidade de crescimento. Nos anos depois do meu encontro com Charlie, eu segui seu exemplo com meus próprios funcionários, e vi essa tática ajudar muita gente. Eu também aprendi que a hora de “chutar” pessoas – e por chutar eu quero dizer “desafiar” – é quando elas estão subindo, de maneira a lembrá-las de que, quando você estiver crescendo, deve assegurar-se de não perder a cabeça.”

  • Motivação
    Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook

    “Minha esperança nunca foi criar uma empresa. Eu fui guiado por um senso de propósito de conectar pessoas e nos trazer para mais perto uns dos outros.

    Alguns anos depois de começar o Facebook, grandes empresas queriam comprá-la. Todo mundo queria vendê-la, mas eu não concordei. Eu queria saber se nós poderíamos conectar mais pessoas. Isso rompeu nossa empresa, fragilizando relacionamentos até que, depois de cerca de um ano, todo mundo da equipe administrativa havia ido embora.

    Esse foi o período mais difícil para mim na liderança do Facebook. Eu acreditava no que estávamos fazendo, mas me senti sozinho. E pior: a culpa era minha. Isso me ensinou que não adianta ter um propósito sozinho. Você tem de criar um senso de propósito para os outros. Eu não expliquei o que eu esperava construir.

    Esse senso de propósito cria motivação e significado para as pessoas que vão além de sobreviver ou ganhar dinheiro. Atrai outras pessoas interessadas nas coisas certas. As pessoas aqui criam produtos porque elas querem fazer algo significativo e ter um papel importante na maneira como o Facebook é usado. A empresa tem que ser bem-sucedida para que continuemos funcionando, mas a motivação real é criar mudanças sociais positivas no mundo.

    Eu acho que isso é verdade para a maioria dos bons negócios. Construir algo como o Facebook e comandar uma comunidade como a nossa requer certa inspiração. Boa parte de nosso time de liderança é conectada nessa direção. Nossa bússola como empresa é tornar nossos serviços disponíveis para o maior número de pessoas possível, de maneira que possamos dar a todos ao redor do mundo uma voz.

    As pessoas me pedem conselhos frequentemente de como começar uma empresa. Eu sempre digo que seu objetivo nunca deve ser começar uma empresa. Foque na mudança que você quer fazer, encontre pessoas que compartilhem do mesmo propósito e você poderá ter a oportunidade de construir algo que ajude a criar um objetivo também para outras pessoas e que tenha um impacto positivo no mundo.”

  • Reputação
    Carlos Slim Helú, fundador da América Móvil

    “No final, nós partimos sem nada. Empreendedores são apenas temporariamente gestores de riqueza. Então, faça as coisas certas por seus clientes, funcionários e apoiadores.”

  • Revolução
    Bill Gates, cofundador da Microsoft

    “No início de 1975, quando eu estava na universidade, meu amigo Paul Allen me mostrou um artigo da “Popular Electronics” sobre o Altair 8800, o primeiro computador pessoal comercialmente bem-sucedido. Nós dois tivemos o mesmo pensamento: ‘A revolução vai acontecer sem nós!’. Tínhamos certeza de que aquele software iria mudar o mundo, e nos preocupávamos que, se não entrássemos na revolução digital logo, seríamos deixados para trás. Aquela conversa marcou o fim da minha carreira na universidade e o início da Microsoft.

    Os próximos cem anos vão criar ainda mais oportunidades como essa. Porque é muito fácil para alguém com uma ótima ideia compartilhá-la com o mundo em um instante… O ritmo da inovação está acelerando – e isso abre mais áreas do que nunca para exploração. Nós apenas começamos a explorar a habilidade da inteligência artificial em ajudar as pessoas a serem mais produtivas e criativas. As biociências estão repletas de perspectivas para auxiliar as pessoas a viver vidas mais longas e saudáveis. Grandes avanços em energia limpa vão torná-la mais acessível e disponível, o que consequentemente combaterá pobreza e nos ajudará a evitar os piores efeitos das mudanças climáticas.

    O potencial para esses avanços é animador – eles poderiam salvar e melhorar a vida de milhões – mas não são inevitáveis. Eles acontecerão apenas se as pessoas estiverem dispostas a apostar em muitas noções malucas, sabendo que, enquanto algumas não vão funcionar, outra pode mudar o mundo. Ao longo do próximo século, nós precisaremos que as pessoas acreditem no poder da inovação e que arrisquem-se em algumas ideias revolucionárias.”

  • Riscos
    Richard Branson, fundador do Virgin Group

    “Eu acho que eu fiz um pouco mais de loucuras do que todos os empreendedores aqui citados para colocar as minhas empresas no mapa… Às vezes, essas acrobacias funcionam, às vezes não. Quando a Virgin America lançou sua rota para Las Vegas, meu staff me levou para o topo do Palms Hotel e me disse que eu precisava pular em um bungee jumping. Eu fui muito cético – o vento soprava a 80 km/h. Mas eu pulei e bati na lateral do prédio na descida, rasgando completamente a minha calça. Sangue escorria pelas minhas pernas quando eu cheguei à festa. A marca Virgin é muito intrinsecamente ligada à minha personalidade, então eu tenho de ser cuidadoso para não prejudicá-la.

    Mas isso não significa não assumir riscos. Como o Virgin Group se tornou muito maior e mais forte, nós podemos assumir riscos maiores em muitos setores diferentes. Um de nossos maiores investimentos tem sido nas empresas espaciais, nas quais já investimos US$ 1 bilhão. Nós assumimos milhares de riscos na vida, sejam pessoais ou profissionais. E, às vezes, caímos de cara. Mas as pessoas não se importam aquelas que tentam e falham.”

  • Transparência
    Jeff Bezos, fundador da Amazon

    “Nós estamos no meio de uma transição gigante, em que clientes têm um poder incrível como resultado da transparência e do boca a boca. Costumava ser assim: se você fizesse um cliente feliz, ele o elogiaria para cinco amigos. Agora, com o megafone da internet, com as avaliações de clientes em redes sociais, eles podem dizer a 5 mil amigos. Antigamente, um produto inferior podia prevalecer no mercado com marketing superior. Hoje, clientes podem dizer se um produto ou serviço é bom porque há muita transparência. Eles podem compará-los a outros de maneira muito fácil e então podem contar aos seus amigos. Mais do que produtos inferiores gritando mais alto, nós temos uma espécie de meritocracia para classificá-los. É muito bom para os clientes, é muito bom para as empresas que abraçam o movimento – e é muito bom para a sociedade.”

  • Sabedoria
    Ted Turner, fundador da CNN, Hollywood Studios

    “Enquanto eu crescia, meu pai contratou um homem chamado Jimmy Brown para trabalhar para nossa família. Ele acabou se tornando um dos meus maiores amigos. Jimmy me ensinou coisas que meu próprio pai não podia me ensinar, como velejar. Nós vivíamos em Savannah durante a segregação e Jimmy e eu não podíamos ser um par mais improvável – uma criança branca privilegiada e um homem negro adulto. Mas Jimmy me ofereceu mais sabedoria e compreensão do que qualquer outra pessoa. Eu não acho que seria a pessoa que sou hoje se não fosse por ele.”

  • Sabedoria
    Sean Parker, cofundador do Napster e do Spotify

    “Eu estive envolvido no início de muitas ideias e empresas inovadoras, não porque elas estivessem na moda na época, mas porque elas apelavam para o meu senso de curiosidade intelectual. Assim como os especialistas da indústria de gravadoras não podiam aceitar que a música na internet acabaria por se tornar o padrão, e que as redes sociais seriam utilizadas por adultos e não apenas por jovens universitários, eu sempre escolhi ignorar a sabedoria convencional a favor de ideias que me interessavam. Inventar o futuro começa pela curiosidade intelectual – junto de uma dose saudável de ceticismo. Você precisa de curiosidade suficiente para mergulhar de cabeça em ideias que o interessem. E de ceticismo suficiente para pensar duas vezes em tudo o que você pensa que sabe e em tudo que os chamados especialistas querem que você acredite.

    Nós estamos vivendo um momento único na história, onde todo mundo que está conectado à internet e que tem habilidade de pesquisar no Google pode acessar mais informação do que qualquer universidade poderia ser capaz de ensinar. Há cerca de uma década, eu me interessei pelo campo emergente da imunoterapia contra o câncer. Os dados eram atraentes, mas ainda assim o campo havia sido desconsiderado por oncologistas famosos. Mas, com um pouco mais de internet à minha disposição, eu fui capaz de aprender o suficiente sobre a área para me tornar perigoso. Eu me envolvi na fundação de testes clínicos para remédios que iriam finalmente tratar cânceres de sangue e melanomas. Em alguns poucos anos, o campo da imunoterapia havia produzido várias empresas bilionárias, drogas regulamentadas e avanços que ajudaram pacientes nos quais os tratamentos convencionais haviam falhado. Eu lancei um instituto sem fins lucrativos dedicado ao assunto que criou um time de cientistas em torno de uma aposta de cerca de US$ 250 milhões de que a próxima geração de tratamentos de imunoterapia atenderia um número ainda maior de pacientes. Mesmo que desenhar células T para lutar contra o câncer pareça muito diferente de desenhar um software para fornecer música de graça, os instintos que me levaram a cada um desses projetos não mudaram em nada.”

  • Escutar
    Oprah Winfrey apresentadora e fundadora da Oprah Winfrey Network

    “Eu fui convidada por Nelson Mandela para ficar em sua casa por dez dias. No início, eu fiquei muito intimidada. Eu disse ao meu parceiro Stedman: ‘Sobre o que eu vou falar por dez dias e dez noites com Nelson Mandela?’. E ele respondeu: “Por que você não tenta escutar?’. Então, quando eu estava lá, na metade da minha visita, eu me senti confortável em sentar e estar com ele. Primeiramente, quando você vai à casa de Nelson Mandela, o que você leva? Você não pode levar uma vela. O que eu queria fazer era realmente deixar algo de valor. Um dia, nós estávamos conversando sobre a pobreza e como mudar esse cenário. E eu disse: ‘A única maneira de mudar a pobreza é por meio da educação, e um dia eu gostaria de construir uma escola na África do Sul’. Ele respondeu: ‘Você quer construir uma escola?’ Então se levantou e telefonou para o ministro da Educação. À tarde, eu estava em uma reunião, falando sobre a construção.”

  • Erros
    Michael Einser, ex-CEO da Disney

    “Em 1998, a Disney comprou um Infoseek, na época um dos maiores mecanismos de busca. Pouco tempo depois, eu fui convencido no banheiro, por um consultor da McKinsey, que o Infoseek não deveria ter resultados patrocinados porque não era o estilo da Disney. Não foi no meu escritório, eu não estava pensando sobre o assunto e, de repente, tive um insight: ‘Claro, meu trabalho é proteger a marca Disney. Nós não teremos busca patrocinada, isso não é justo’. O Google apareceu e criou o AdWords, e o Infoseek não foi pelo mesmo caminho. Este foi um erro de, provavelmente, US$ 200 bilhões. Depois disso, nós criamos uma regra: sem reuniões no banheiro.”

  • Nobreza
    Meg Whitman ex-CEO do eBay, CEO da Hewlett Packard

    “Há um mito (pelo menos eu acredito que seja um mito) de que ser bem-sucedido significa desistir de valores decentes e do senso comum: honestidade, família, comunidade, integridade, generosidade, coragem, empatia etc. Na medida em que avançamos em nossa carreira, há essa noção de que vencer a qualquer custo continua sendo vencer. Eu nunca comprei esse mito. Eu respeito a ambição, mas não a ambição implacável.

    Nós temos a oportunidade, todos os dias, de usar nossos valores para ajudar a reinventar nosso futuro durante tempos de grande estresse e ansiedade econômica. Há aqueles que veem o foco em valores como um luxo para tempos prósperos, quando você pode “bancar” os ideais de fazer do mundo um lugar mais gentil ou nobre. Eu defendo algo diferente: é justamente durante os tempos difíceis que nós precisamos alinhar nossas prioridades e ações com os princípios fundamentais que criam estabilidade, eficiência, energia e até prosperidade. Navegar por valores essenciais pode ter um efeito multiplicador de forças.”

Empatia
Sheryl Sandberg, COO do Facebook

“Ao dirigir para o trabalho em meu primeiro dia depois da licença-maternidade, eu chorei durante todo o caminho. Eu queria trabalhar, mas deixar meu filho em casa era difícil.

Anos mais tarde, eu mencionei em uma entrevista que saía do trabalho às 17h30. A resposta foi esmagadoramente positiva. Foi aí que eu percebi que somos funcionários melhores quando paramos de tentar ser duas pessoas diferentes e trazemos todo o nosso ser para o trabalho. Isso não significa trabalhar 24 horas por dia. Significa compartilhar o que você está passando para que outras pessoas possam ter empatia e ajudá-lo.

Quando eu perdi meu marido Dave há dois anos, aprendi essa lição de maneira ainda mais profunda. Dave era um verdadeiro parceiro em casa e no trabalho, que me ensinou o valor da orientação de pares. Quando eu estava conversando com Mark [Zuckerberg] sobre minha ida ao Facebook, Dave me disse que, mais importante do que o conteúdo e os processos, era o nosso relacionamento de trabalho. Nós concordamos em nos encontrar toda semana e darmos feedbacks um ao outro. Nove anos mais tarde, eu frequentemente sorrio quando me lembro de como o conselho de Dave nos direcionou ao sucesso.

Então, trazer todo o meu ser para o trabalho significou, em alguns momentos, parecer claramente triste. A forma como os colegas me apoiaram mostrou a necessidade de melhores políticas para licenças de luto e doença. Cuidar das pessoas quando elas mais precisam não é apenas a coisa certa a fazer, é a coisa mais inteligente a fazer.”

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