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Capitalização de moedas digitais ultrapassa US$ 150 bilhões

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Alta vem após queda para menos de US$ 98 bilhões aproximadamente, na metade de setembro. (iStock)

As notícias de que a Catalunha ganhou o “direito à soberania”, com mais de 90% dos votos a favor da independência, no referendo realizado no último domingo (1), elevaram o valor do bitcoin para US$ 4.400.

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Ainda que não seja claro o que virá em seguida na Espanha, uma coisa é certa: a incerteza irá se espalhar pela União Europeia e pela economia global. Isso é música para os ouvidos de operadores de bitcoin, que elevaram o valor da moeda digital em quase US$ 150 na noite de domingo, enquanto confrontos entre manifestantes pró-independência da Catalunha e a polícia espanhola ocorriam.

A alta das últimas semanas fez com que a capitalização do mercado desses ativos digitais subisse em mais de 50%. Após cair para menos de US$ 98 bilhões aproximadamente, na metade de setembro, a capitalização total ultrapassou US$ 150 bilhões no último domingo, de acordo com o site especializado “CoinMarketCap”.

Segundo especialistas, o referendo na Catalunha, no entanto, não é a única causa – e talvez nem mesmo a principal – que explica essa alta. O Bitcoin permaneceu firme acima de US$ 4.000 quando investidores perceberam que a moeda digital poderia sobreviver e prosperar sem a China. A regulação governamental é positiva, e não negativa, para o futuro do bitcoin e outras grandes criptomoedas. Isso adiciona credibilidade ao mercado, ao mesmo tempo em que limita o fornecimento de novas ofertas de moeda.

Tim Enneking, diretor-geral da empresa de investimentos no setor Crypto Asset Management, diz que o crescimento recente das criptomoedas é uma recuperação natural após esses ativos digitais terem sofrido alguns declínios agudos. “É basicamente uma consolidação após uma queda exagerada, por conta de preocupações em torno da chamada “hard fork”, uma ferramenta de atualização controversa”, afirma.

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“Esse tem sido um período muito volátil”, diz Marshall Swat, que fundou a exchange de bitcoin Coinsetter, depois adquirida pela Kraken. Ele aponta as medidas repressivas da China em câmbios e ofertas iniciais de moedas como um fator que empurrou as criptomoedas para baixo e cita diversos fatores, incluindo a decisão do Japão de conceder licenças oficiais ao intercâmbio de moedas digitais, como tendo ajudado na recuperação.

Muitos investidores compraram criptomoedas após esses ativos digitais terem caído de valor, segundo especialistas do mercado. Iqbal Gandham, diretor-geral no Reino Unido da plataforma de câmbio social eToro, diz acreditar em uma demanda reprimida. “Acho que essa valorização está relacionada à quantidade de fundos querendo entrar no mercado nos momentos de queda”, analisa. “As pessoas pensaram que ‘perderam o barco’, então, quando o valor caiu, elas entraram.”

O interesse em criptomoedas vem crescendo, segundo diversos analistas. Petar Zivkovski, COO da plataforma de negociação de criptomoedas Whaleclub, ressalta o “maior interesse de investidores de varejo”, que têm entrado no mercado na esperança de lucrar com a volatilidade.

Marius Rupsys, um operador de criptomoedas, aponta o aumento constante nos usuários de carteiras de Blockchain, que cresceu de aproximadamente 16,5 milhões, no início de setembro, para cerca de 17,3 milhões no final do mês, segundo dados do Blockchain.info.

Mesmo após esses aumentos recentes, “os mercados ainda estão bem abaixo da alta que já viveram”, diz Enneking. “Em seu pico, as moedas digitais tinham valor total de mais de US$ 170 bilhões.”

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