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CEO da Safilo conta sua estratégia para superar a saída da Gucci do grupo

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Luisa Delgado, CEO do Safilo Group (Divulgação)

Desde que a suíça Luisa Delgado assumiu a posição de CEO do Safilo Group, no último trimestre de 2013, e estabeleceu o Plano 2020 (focado em crescimento sustentável), muitas mudanças aconteceram. A empresa italiana, fundada em 1878, é a segunda maior fabricante de óculos do mundo (atrás apenas da Luxottica) e tem distribuição em mais de 130 países. Seu portfólio abrange cinco marcas próprias e mais de 20 licenciadas, como Dior, Fendi, Cèline, Jimmy Choo e Elie Saab. Delgado falou a FORBES sobre suas estratégias e sobre a saída da Gucci.

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FORBES BRASIL: O que significa luxo para a Safilo?

Luisa Delgado: Para mim é algo raro, especial, algo que te personifica, que tenha um significado. Para a Safilo, o luxo é específico para cada um. Depende de quem você é, é diferente de pessoa para pessoa. Por isso trabalhamos com segmentos que representam o aspiracional, aquilo que o consumidor gostaria de ter.

Quais são esses segmentos?

Estabelecemos cinco grandes segmentos: Atelier, Fashion Luxury, Contemporary Fashion & Lifestyle, Mass/Cool e Sport & Outdor. O maior em volume e crescimento é o Mass/Cool, que engloba as marcas Polaroid e Havaianas, focadas no consumidor que está entrando nas marcas ou aquele que consome um pouco de tudo. Isso também tem a ver com o custo-benefício, um ponto muito importante nos dias de hoje. Não que tenham parado de consumir o que é caro, mas há uma mistura de estilos. A procura no segmento Atelier (o mais premium, a haute-couture dos óculos), que abrange Elie Saab e Oxydo, também é interessante, mas aí são volumes bem menores devido aos valores altos e a uma distribuição muito seletiva.

Como está esse mercado?

A indústria está em mudança, depois de um longo tempo em que nada foi alterado. Há uma consolidação do varejo, diversos modelos de negócios, as categorias estão mais divididas – e isso leva as marcas de óculos a terem que se reinventar. A experiência de compra também mudou. Hoje há mais variedade, dá para comprar online e até “provar” um produto de forma virtual. Isso cria maior envolvimento e mais oportunidades.

Quais são os efeitos da recente saída da Gucci?

O Plano 2020 – que foi colocado em prática em 2014 – já previa a saída da Gucci. Lá atrás olhei o portfólio e vi que nós estávamos dependentes de dois grupos, o Kering e o LVMH. A saída está sendo digerida agora, por isso o ano está sendo difícil. Era uma licença grande e que durou 20 anos. A Gucci foi um hóspede, e nós os tornamos a maior marca de óculos do mundo. O plano é superar essa lacuna em dois ou três anos. Ao mesmo tempo, acredito que isso nos fez bem, pois nos forçou a pensar em quem nós somos. Descobrimos que nossos clientes não são fiéis à marca Gucci, e sim à Safilo.

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