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UFC aposta em TV aberta para aumentar base de fãs no país

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David Shaw é responsável pelos negócios do UFC pelo mundo, com exceção dos Estados Unidos (Divulgação)

É notório que as competições esportivas se transformam cada vez mais em verdadeiros eventos de entretenimento. Além disso, deixam as quadras, os campos, as pistas e os octógonos e invadem os roteiros de novelas e seriados de televisão. Em “A Força do Querer”, última novela das 21 horas da TV Globo, a personagem de Paolla Oliveira interpretou Jeiza, uma lutadora de MMA que, no último capítulo da trama, venceu uma luta depois de três rounds contra Poliana Botelho (atleta da vida real), em Las Vegas, e conquistou o cinturão, a maior premiação da competição de artes marciais mistas.

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“Mais de 40 milhões de telespectadores assistiram ao nosso esporte e viram a nossa marca”, diz David Shaw, vice-presidente internacional do UFC, que explica a estratégia de criação de conteúdo em conjunto com a emissora brasileira, que já tem parceria com a organização para a transmissão das lutas, para aumentar o número de fãs por aqui.

O filme de José Aldo teve uma bilheteria estimada em 1 milhão de pessoas nos cinemas

Shaw recebeu FORBES Brasil no hotel em que os lutadores estão concentrados para o próximo evento do UFC em território nacional, que será realizado amanhã (28), no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. “Vamos fazer mais ações semelhantes”, diz o executivo, que assumiu o cargo há um mês e ficará responsável por ações do tipo em todo o mundo, com exceção dos Estados Unidos.

Shaw era responsável, até então, pela área do conteúdo do pay per view, uma das principais fontes de receita do grupo. “É o nosso maior valor, pois possibilita que milhões de pessoas em qualquer lugar do mundo tenham acesso ao nosso produto.”

Além de em “A Força do Querer”, as artes marciais também foram tema nos cinemas e na própria Globo com a produção do filme sobre a trajetória de José Aldo. A obra teve uma bilheteria estimada em 1 milhão de pessoas nos cinemas e sua exibição na TV, em formato de minissérie de quatro capítulos, atingiu um público ainda maior das mais variadas classes sociais.

Essa talvez seja a fórmula encontrada pelos promotores do UFC para frear uma possível redução do interesse local por seus eventos diante da atual escassez de vitórias de atletas brasileiros. Houve um tempo, não muito distante, em que Anderson Silva dominava o octógono. “Os fãs brasileiros são inteligentes e apreciam uma luta com grandes competidores”, afirma o executivo, que defende que o público não acompanha a competição apenas para ver brasileiros vencerem, explicação recorrente também para justificar o declínio do interesse pela Fórmula 1 depois da morte de Ayrton Senna. Shaw argumenta, ainda, que cerca de 17% ou 18% dos lutadores do UFC são nascidos aqui, além de lembrar que Cris Cyborg, atual detentora do cinturão na categoria peso-pena, é paranaense.

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Nem mesmo a recorrência do doping entre os principais competidores abalou a imagem do UFC. “Damos auxílio aos nossos atletas”, diz o executivo, ao explicar a iniciativa sugerida pelo ex-lutador Minotauro, cujo irmão, Minotouro, foi um dos que tiveram resultado positivo para a detecção de substâncias proibidas no esporte, de criar um grupo de atletas para orientar os outros a não se envolverem em situações do tipo. Na avaliação de Shaw, a integridade dos atletas é um passo fundamental para que o UFC chegue ao patamar do futebol internacional, da NFL (liga norte-americana de futebol americano) e da NHL (liga norte-americana de hóquei sobre o gelo).

Os índices de audiência dos eventos exibidos pela TV aberta e pelo o Canal Combate, emissora de TV a cabo fruto de uma parceria entre o UFC a as Organizações Globo. As lutas, geralmente exibidas entre o fim da noite e a madrugada, rendem cerca de 4 pontos de audiência. No caso do UFC, esse número pode chegar a 12 pontos fora do canal a cabo, o que significa cerca de 10 milhões de pessoas. No Canal Combate, são 500 mil pessoas sintonizadas.

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