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Como uma designer autodidata tirou US$ 3 milhões da cabeça

Reprodução/FORBES

Hoje, Janessa, que em 2015 entrou na lista FORBES de 30 Under 30, na categoria de arte e estilo, diz que a receita de sua empresa está perto de superar US$ 3 milhões. (Reprodução/FORBES)

Quando Janessa Leoné, 30 anos, formou-se na Universidade de São Diego, em 2009, com um diploma em literatura inglesa, conseguiu um emprego como babá e começou a estudar para entrar no curso de direito. Nesse meio tempo, fez uma viagem a Paris que mudou sua vida.

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Em um brechó no moderno bairro de Marais, um chapéu fedora empoeirado feito na década de 1940 chamou sua atenção. Janessa o comprou por € 10 e encontrou, embaixo do aro, as iniciais do designer. Descobriu, então, que ele era italiano, como sua família, e que os dois tinham o mesmo sobrenome. “Pensei que, de alguma maneira, talvez eu devesse seguir esse caminho”, lembra.

Oito anos mais tarde, ela está à frente da grife Janessa Leoné, marca de chapelaria que vende uma linha de 24 chapéus em mais de 450 lojas ao redor do mundo, incluindo a Barney’s e a Nordstrom e uma loja própria em sua cidade, Culber City, na Califórnia, aberta no ano passado. Celebridades como Liv Tyler, Chrissy Teigen, Jessica Alba e Lupita Nyongo usam seus chapéus.

O modelo favorito de Jessica é o Panton de abas largas, de US$ 275, feito de palha importada do Equador tecida à mão. Já o de Chrissy é o Stephen, um fedora de lã de cordeiro preto com uma barra trançada dourada de US$ 187. Os preços são os praticados nos EUA.

Hoje, Janessa, que em 2015 entrou na lista FORBES de 30 Under 30, na categoria de arte e estilo, diz que a receita de sua empresa está perto de superar US$ 3 milhões.

No começo, sem nenhum treinamento em design ou administração, Janessa recorreu ao pai para pedir conselhos. A sugestão foi não pedir dinheiro emprestado. Assim, por dois anos, Janessa viveu na casa dos pais, trabalhou como babá e economizou US$ 10 mil. Enquanto o bebê do qual cuidava dormia, ela pesquisava sobre produção de chapéus.

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Após uma reunião produtiva com um fabricante de bonés de beisebol, em Los Angeles, uma passagem por um workshop de feltro e inúmeras ligações a fábricas de chapéus de caubói no Texas, Janessa encontrou uma empresa no Canadá que poderia produzir os seus fedoras. Com o conselho de seu pai na cabeça, ela gastou US$ 2 mil em sua primeira produção e costurou à mão, sozinha, faixas de feltro e couro nos chapéus.

Por meio de uma amiga, Janessa conheceu um publicitário de Los Angeles que agendou para ela uma reunião com Hillary Kerr, a bem relacionada fundadora da Clique Media, que comanda o popular site de moda “WhoWhatWear”. De novo com o conselho de seu pai na cabeça, Janessa pegou 5% de seus US$ 10 mil e os gastou com chapéus para presentear editores de moda, incluindo Kerr, que enviou emails a seus amigos nas revistas “Elle” e “Vogue” com a recomendação da marca. Duas semanas mais tarde, em julho de 2012, a Barney’s fez um pedido.

Janessa ainda cria seus designs sozinha. Fato raro entre fundadores de startups de moda, ela permanece autofinanciada e diz que tem sido lucrativa desde o início. A empresária faz muito pouco marketing além do Instagram, Facebook, Google ads e as newsletters que envia aos clientes.

Após um ano, Janessa deixou a fábrica no Canadá e testou uma outra, no Texas, antes de fechar com uma fábrica perto da cidade de Nova York, em um local que ela não revela para manter a concorrência distante. “Apoio fortemente a indústria doméstica”, diz. “Não quero preços mais baratos, e é difícil ter controle quando você produz em um local muito distante”, explica.

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